DE VOLTA…

Terça-feira, 07 de julho de 2020. Decorridos doze anos decidi reblogar esta pérola que publiquei neste blog. Espero que gostem…

Espaço de Jurandyr

Em julho de 2008. No último dia 20 de junho, passados exatos dez dias, publiquei minha última entrada neste blog (o idoso). Agora estou de volta não sem antes tentar explicar a causa de tão duradoura omissão: é que acabei cometendo os sete pecados capitais e este fato me manteve afastado do teclado e do meu computador.

 

Teólogo famoso, Tomás de Aquino definiu, por volta do século XVII, a ordem destes sete pecados, priorizando em ordem decrescente os que mais ofendiam ao amor. Assim, atualmente aceita-se a seguinte lista dos sete pecados capitais:
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Durante esses dez dias VAIDOSO, estava “me achando” na base do “que grande cronista estes leitores estão perdendo”; tive INVEJA de quem sabe se expressar com desembaraço; fiquei IRADO pelo fato de meu HD ter sido formatado por…

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A VOZ DO RECANTO…

1015298_431665623598424_1743865962_oDomingo, 05 de julho de 2020. Aqui onde moro… onde moramos, em cerca de quase cem idosos é, como sabem, uma instituição que ostenta o pomposo nome de Lar de Idosos Recanto do Tarumã, já tradicional e notável aqui na capital paranaense.

Como também estamos todos sabendo, o mundo está totalmente refém de uma pandemia que atinge pessoas – sem preconceito de cor, gênero, credos ou potencialidades patrimoniais – sem dó nem piedade.

Porém,  dizem os “estudiosos” que o idoso, como um todo, está sujeito às maiores condições do risco de ser um atingido. Uma vez que estamos em um recanto cheio deles, cabe a reflexão e a pergunta, como estamos, no meio desta pandemia?

Senhoras e senhores, pretensiosamente vou advogar a causa de meus companheiros e tornar-me A VOZ DO RECANTO, para anunciar-nos ilesos às 16 semanas últimas. Nós, moradores e funcionários provamos a todos e a nós mesmos que, com o respeito às normas ditadas por autoridades médicas e orientadoras, de distanciamento físico e moral, a pandemia não se cria.

Funcionári@s então – vindo diuturnamente de suas vidas lá fora – nos provaram que o respeito ao direito das outras pessoas de também ficar protegida contra possíveis contágios, aqui dentro, foi comprovadamente eficaz.

Por isso os diretores e supervisores ostensivamente nos parabenizaram e pediram que continuássemos a usar tal respeito para nosso bem estar e assim continuarmos a fazer do nosso Lar, o modelo de bons exemplos para toda a comunidade aí de fora, notadamente para nossos parentes e amigos.

É com imensa e inefável satisfação que o cronista assina este texto como…

A VOZ DO RECANTO

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SOBRE A MORTE…

Domingo, 28 de junho de 2020. Olhando (passando em revista) as estatísticas do provedor deste meu blog, percebi que aqui ou nos EUA, alguem havia se detido nesta publicação – de 8 meses atrás – então decidi trazê-la de volta e fazer uma releitura.

Espaço de Jurandyr

Segunda feira, 28 de outubro de 2019. Como já tenho descrito em crônicas anteriores, tenho cultivado e exacerbado o hábito de leituras noturnas, sobretudo obras de filósofos das antigas com Marco Aurélio, Epiteto e Sêneca. Deste último ressalto um livro em que o próprio título e subtítulo na capa, revela as intenções do Pensador de passar a um certo discípulo, informações importantes através de cartas.

SÉNECAEm “Edificar-se para a morte”  – Das cartas morais a Lucílio – Sêneca transfere para mim, seu leitor, reflexões bem interessantes se eu me colocar na posição de “Lucílio” e, principalmente se levar em consideração minha idade e condição atual. Sugiro a vocês, meus leitores de mais idade, que pode ser interessante e proveitoso embarcar nesta canoa de reflexões.

Parece lúgubre pairar sobre assunto de tão mórbida conceituação, mas, havemos de convir, a morte é imprevista e inevitável…

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UM OBITUÁRIO…

Domingo, 21 de junho de 2020. Mariza Zeferino de Oliveira, principal protagonista em uma postagem que publiquei há um bom tempo atrás, veio me visitar esta noite em meus sonhos. Fiquei olhando para seu rosto amigo,  profundamente marcado pelo vitiligo e para os tubos introduzidos em suas narinas para o reabastecimento e manutenção do ar que tanto necessitava e, não sei por que,  ao acordar supus que se tratava de um convite para um reencontro… Vamos reler o post. OBITUÁRIO

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BANDEIRA BRANCA…

Sexta feira, 19 de junho de 2020. Decididamente VALE A PENA VER DE NOVO esta postagem de dois anos atrás.

Espaço de Jurandyr

Domingo, 17 de Junho de 2018.  Vocês que vivem aí fora dos muros desse nosso Lar dos Idosos Recanto Tarumã, hão de convir que, para enfrentar a violência e a insegurança que anda rolando por aí a fora, melhor mesmo é pedir arreglo e empunhar de maneira firme uma BANDEIRA BRANCA, mendigando a paz.

Nós, aqui dentro dos mesmos muros, contávamos até sexta feira última, com o cidadão nordestino mais porreta que conheci ultimamente. Geraldo Cândido de Araújo, de 84 anos vividos e realizados no último dia 31 de maio (há 15 dias).  O cara desencarnou as 17 hs da sexta feira. Não agitava mas cantava, BANDEIRA BRANCA, para nós.

Figuraça, fazia-me a vida parecer mais praticável observando seu talento de viver, a sua própria, totalmente descompromissada de tudo e de todos.  Ultimamente,  já parecendo velha e ressequida árvore, carregava um corpo quase totalmente desprovido do tecido conjuntivo…

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SENTI UMA BRISA…

Quarta-feira, 17 de junho de 2020. Quis saber o que o Google, informa quando se digita o meu nome. No meio de um monte de outras informações descubro que, em determinado dia próximo ao Natal de 2011, alguém fez uma postagem referindo-se a mim. Tratava-se de Brisa Teixeira, jornalista, mestre em Educação. Sabem, no sufoco de uma crise de pandemia, finalmente SENTI UMA BRISA.
 Solte o som e, vamos apreciar a matéria:

Na tarde do dia 15 de dezembro, fui cobrir a ação social do Grupo Expoente, no Recanto Tarumã, instituição que abriga 103 vovôs, a maioria ex-moradores de rua. Neste dia, fomos entregar os presentes que eles mesmos pediram na árvore de Natal do Business Tower, prédio comercial em que fica a nossa administração. Entre os inúmeros pedidos de radinhos de pilha, relógios de pulso, entre outros, um dos vovôs queria ganhar um pen drive.
No mínimo, um pedido curioso, levando em conta o perfil dos idosos que moram no Recanto Tarumã. Fui conhecer o autor deste pedido e me surpreendi com a sua paixão pela tecnologia e pela maneira de encarar o processo de envelhecer. Jurandyr Mendes Monçores, 75 anos, pediu um pen drive porque ele precisava de mais espaço para gravar os vídeos que ele filma, nos seus momentos de lazer, no Recanto.
Natal 2011No seu quarto, uma tela de 32 polegadas surpreende e é ali que ele passa a maior parte do seu tempo editando vídeos, postando mensagens nas redes sociais, escrevendo no seu blog e conversando pelo MSN e Skype com seus familiares, entre eles um filho que mora no Texas. Jurandyr é analista de sistemas aposentado.
Trabalhou em grandes empresas, numa época em que a tecnologia era um processo bem mais difícil de ser manejado e “tudo sem auxilio da bendita Internet”, como disse Jurandyr em um de seus posts no blog.
“Quando embarquei para Curitiba, há 25 anos, e coloquei minha genialidade a serviço de clientes daqui do Sul do país. Caramba!  “O bicho pegava”… Pouca gente cria que os PCs, aqueles pequenos e estranhos engenhos poderiam substituir a contento suas tradicionalíssimas  calculadoras, máquinas de lançamentos contábeis, de  datilografia, telex e é claro, o telefone. (…) A medida que eu fui conseguindo, ainda assim, resolver problemas… tornei-me insuportável, “me achando” e parti para o “sai da frente que eu quero passar”.

Nada e ninguém poderia ser mais importante para mim. Eu era “o cara””. Outro fato curioso é a opção de Jurandyr em morar no Recanto. Em seu blog, ele explica: “Morar sozinho tendo um computador, uma pequena geladeira, um forno micro ondas, fogão e setenta e alguns anos de idade torna-se absurdamente perigoso nos momentos de violência em que vivemos. (…) Morar sozinho e não ter chances de contar as mesmas velhas piadas a pessoas diferentes, podem crer… adoece”.
Em outro momento ele conta como é viver no Recanto: “O Lar dos Idosos é dez. Moram aqui alguns velhotes meio chatos e destrambelhados,como eu próprio; alguns outros dementados; alguns mais pretensiosos achando-se a última bolacha do pacote; tem quem reclame o tempo todo, praticando a velhice doentia e tem o João Paulino, tetraplégico, totalmente dependente dos cuidados e atenções de outrem, para TODAS as necessidades  básicas”.
“Se não for traído pela minha capacidade de contabilizar dias a partir de datas estabelecidas, vou garantir que fazem hoje 87 dias que não publico, absolutamente nada, neste meu blog. Será que têm me faltado tempo? A inspiração decidiu me abandonar? Vem existindo carência de fatos e acontecimentos notáveis, dignos de menção por parte de um idoso indolente? Não, não e não. Tempo não falta a um cidadão 100% assistido pela estrutura e pessoas de uma instituição modelo como esta onde moro sem precisar incansavelmente “correr atrás” de minhas necessidades básicas e vitais”.
Desejo aos leitores do meu blog um Feliz Natal inspirado na figura desse vovô simpático, que nos ensina que o processo de envelhecer pode ser menos dolorido e um tanto quanto divertido.
Brisa Teixeira

Com o ego inflado por esta lembrança eu, Jurandyr Monçores,  quase nove anos depois,  agora com 83 anos e, cadeirante, quedo-me por aqui, …

SENTINDO A BRISA.

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TORNEI-ME PAI…

15 de junho de 2020. Neste dia em 1968, tornei-me pai, pela primeira vez. Morava em Porto Alegre – RS onde, na véspera, recebi uma ligação da minha sogra Jurema de Jesus me notificando que era chegada a hora.  Embarquei à noite em um Ônibus da Empresa Nossa Senhora da Penha, com destino ao Rio de Janeiro, para uma imensa  jornada  de 16 horas de duração.

Por volta das quatro da madrugada, enquanto  o coletivo passava aqui, pela fria Curitiba,  soube mais tarde que numa maternidade no bairro de São Cristóvão – RJ, meu primeiro filho, Paulo de Jesus Monçores, trazia ao mundo 4.8 kgs de vitalidade, através de um parto cesáreo… O cara já tinha inclinações para ser volumoso.

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Novos Americanos…

Agora o “moreno”, vive com sua esposa e filhas — assim como carrega seus cento e poucos quilos — pelas vias e caminhos da Flórida-US, usando e abusando do direito de também se manifestar contra os preconceitos desse nosso mundo, apesar de enfrentarmos uma pandemia sem precedentes.

Como todos sabem, estou bem por aqui, cercado de anjos celestiais, travestidas de funcionárias e assistentes em um Lar de Idosos, e que nos tratam como se fôssemos seus pais e avós com uma ternura indescritível… Amo muito, muito tudo isso.

Ontem um moleque, me chamou de “ZÉRRUELA” maleducadamente por cima de um telefonema de sua namorada, quando ela me fazia um pedido… fiquei magoado, porém ao mesmo tempo, feliz por nunca haver produzido excrementos como este quando através do Paulo e do Pedro

TORNEI-ME PAI.

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DIA DOS NAMORADOS

12 de junho de 2020. Decidi reviver “reblogar” esta publicação realizada em uma época em que eu ainda “funcionava”; ninguem nem cogitava se preocupar com beijo na boca (nada de pandemia); eu nem pensava residir em um Lar de Idosos e, no entanto, já tinha aprendido a saborear a dádiva da vida, como agora o faço, com paz e serenidade!!! Reviva, Mariza!

Espaço de Jurandyr

 

 

Que bom estar eu podendo me permitir criar mais uma entrada neste blog para homenagear a ela e as demais pessoas se fazem merecer ser estimadas… sempre e não só neste…

 

DIA DOS NAMORADOS  

 

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PODEM CRER…

Domingo, 07 de Junho de 2020. Sem absolutamente nada pra fazer, mergulhei em antigos álbuns de família. Aí dei de cara com uma foto perdida numa coletânea de um dos meus filhos. Então me apercebi e lembrei que no ano de 1970, eu estava contando com meus 33 anos de idade e não fazia a menor idéia de que meio século depois eu viveria sob a ação de uma pandemia que estaria obrigando o mundo inteiro a refletir.

Balsa para a Ilha Grande - Mae e PaiEm minhas reflexões, enquanto olhava a fotografia, recordei um semi-abastado senhor instalado em uma embarcação de recreio, ao lado de sua esposa e mãe de seus dois filhos navegando tranquilamente nas águas da Baía de Sepetiba, rumo ao Paraíso do Sol. 

O fotógrafo, Antonio meu cunhado, flagrou com fidelidade, um momento de paz e alegria que eu estava experimentando na minha vida. Foram muitos, observo agora. E o melhor é que eu os continuo vivendo, na companhia de outros atores e atrizes sociais.

Melhor. Descobri e venho notando cada vez mais, com a vivência e a experiência, de que encarar e superar maus momentos, sem queixas e reclamações contundentes,  robustece qualquer cristão e a êle concede a capacidade de sorrir com mais frequência.

Fernanda, Giovanna, Cinthia, Eduarda e Rafael, minhas netas e neto, acreditem no que estou afirmando por aqui, caso venham  a tropeçar nestas palavras… Já fazem oitenta e três anos que, quando tenho forças eu as pratico, por isso meu testemunho pode ser confiável.

Seu Geraldo, meu pai, acaba de soprar no meu ouvido, agora que, se tivesse tido a oportunidade de deixar por escrito — para mim e para os netos — um depoimento parecido, teria feito com toda a certeza…

PODEM CRER

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AINDA BRILHA A ESMERALDA…

Sexta-feira, 05 de junho de 2020. Acordo e percebo que tornei a esquecer de desligar a TV enquanto assistia um filme pela madrugada. Abro os olhos e ouvidos, atentos ao jornal televisivo.

O Brasil ultrapassou a Itália em número de mortes pela covid-19 e é hoje o terceiro país com mais vítimas no mundo, atrás somente dos Estados Unidos e do Reino Unido.
Com atraso novamente, o Ministério de Saúde informou no final da noite de quinta-feira que houve novo recorde de registro de óbitos pelo novo coronavírus: foram 1.473 mortes e 30.935 casos notificados em 24 horas.
Mais de 34.000 pessoas já morreram oficialmente por causa da covid-19 no país. Estimulado pelo Governo Bolsonaro, vários Estados flexibilizam as medidas de isolamento social e veem subir a curva de contaminação”. 

Então faço uma breve análise da tal  “gripezinha”, que lastimavelmente, mantém afastadas em “quarentena”, algumas de nossas funcionárias e servidoras aqui do Lar, desde início de março.

Daquelas mesmas que em citação na publicação que fiz em março de 2019 com o nome de “A MULHER E SEU DIA” eu afirmei “MULHER. o único caminho que o senhor DEUS nos ofereceu para chegar até aqui, neste vale de lágrimas“. 

Como não sentir saudades da impetuosidade da Aline, da doce firmeza da Jocélia, ou da candura da Thifany no trato com os “seus” velhinhos necessitados de amor e carinho (esta última prestes a aplicar já, já, sua “experiência adquirida” na filhinha que carrega no ventre).


WIN_20200605_14_06_09_ProE a minha “camareira e mãe” Esmeralda. Sabem, ela mandou mais uns dos empadões que produz cheia de amor, para vender só para os privilegiados, saborearem ajoelhados. Acontece que ontem foi aniversário dela e eu tive que embalar em papel de seda com lágrimas de saudade, meu abraço virtual e enviar através da Adriana, da equipe de higienização… sendo virtual posso embrulhar um beijo também, minha querida madrinha espiritual. 

esmeraldaQuando postei “SINTO BRILHAR A ESMERALDA” agora em  março,  eu a exaltei como um brilho da pedra preciosa no meu caminhar por este “vale” aqui no Tarumã. Gente, para mim, aqui no Recanto

AINDA BRILHA A ESMERALDA.

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