Meus Filhos

Na entrada publicada ontem, que intitulei “inauguração”, fiz uma referência a meus filhos. Quem vir a ser leitor destas minhas crônicas vai necessariamente ter que saber que os tenho, dois deles, e que virão a ser referenciais constantes no processo de verborréia (diarréia verbal) que estou me propondo a desabar neste blog.

Paulo de Jesus e Pedro de Jesus, nascidos respectivamente em 1968 e 1969, receberam estes nomes de dois dos principais apóstolos do Cristo (coisas da falecida sogra e da filha dela). O fato me causou certo desconforto pois imaginei que haviam propósitos de uma continuidade do processo com a adesão de mais 10 outros como Tiago, Mateus, Lucas e, imaginem só, eu vir a ser pai de um Judas Iscariotes de Jesus… seria uma traição para comigo.

Duas anomalias. Imaginem que os caras aprenderam a nadar aos seis/sete anos, nas praias do litoral de Niterói, somente na companhia de colegas, enquanto o pai implantava um sistema de controle financeiro nos computadores (mainframes) da filial do Grupo Delfin, em São Paulo.

Explico: Ano 1975, eu era Analista de Sistemas do tal Grupo no Rio de Janeiro e ali desenvolvi o bendito sistema. Não havia Internet e a filial São Paulo precisava ter o referido rodando em sua portentosa máquina daí, iniciei uma rotina de implantação, testes e treinamento que durou seis meses onde o “crâneo” aqui embarcava na Ponte Aérea todas as segundas às sete da matina e regressava nas sextas ao término do expediente normal da Paulicéia…

E os moleques: um pouco na escola (pública); dando um tempo ajudando a mãe nos afazeres domésticos e, como prêmio, brincadeiras na praia que distava dois quarteirões do AP, de segunda a sexta. Um sábado qualquer, quando decidi ir a praia com os cretinos descobri que, não só sabiam nadar como, saltavam em mergulhos sensacionais a partir de um píer abandonado junto com a galera.

Outra coisa que nunca entendi. Eu bebia e era fumante e os caras atravessaram a infância, adolescência e a maturidade, longe das “coisas”. Nas festinhas e baladas, quando nas épocas próprias, os rapazes (os dois) enchiam a cara de refrigerantes, zoavam, cantavam  e, se o clima pedisse,  também dançavam em cima da mesa.

Nos finais, de cara limpa, traziam os colegas para as respectivas moradas e obviamente tornavam-se o “meu herói” das meninas do grupo.

Um detalhe, ambos se casaram com mulheres que, se não fumam, bem que apreciam um drinquezinho maneiro e, nem assim… O Pedro apenas migrou do refrigerante para os sucos e o Paulo, este eu acho que ficou mesmo com Coca Cola e afins.

Eu era o programador e Analista de Sistemas e, até os 16/17 anos eles, incrédulos assistiam o meu trabalho. Em fevereiro de 86, viemos do Rio para Curitiba onde cheguei para tocar a filial de uma empresa de comercialização de softwares administrativos desenvolvidos para micros em linguagem Cobol.

Sem ter o que fazer fora dos horários escolares graças a “hospitalidade curitibana” (em 86 o bicho pegava), começaram a se interessar pelo meu trabalho, o Paulo me acompanhando no serviço externo junto aos clientes e o Pedro, junto do PC 286, memória de 240 kb e disco rígido de 400 mb, tentando entender como funcionava esse  negócio de programação.

Hoje os dois têm uma verdadeira coleção de certificações Microsoft e exercem cargos, tarefas, idiomas dos quais nem consigo chegar perto. Como disse acima, com certeza vão ser usados como referenciais em minhas crônicas futuras.

 

Por hoje, paro por aqui de falar dos…

…MEUS FILHOS     

Esse post foi publicado em CRÕNICAS DE UM IDOSO, Crônicas de um 71. Bookmark o link permanente.

5 respostas para Meus Filhos

  1. Pedro disse:

    Na qualidade de um dos referidos filhos, só faltou explicitar qual era o mais sábio, charmoso, comediante, forte e habilidoso.. mas por uma questão de modéstia também não vou revelar!!!!

  2. Fernanda disse:

    Ah, não acredito, li tudo isso e eu nem cheguei a nascer?! Que discriminação!

  3. Paulo disse:

    Alguns comentários:
     
    – O Celso ainda existe! E mora em Miami. Veja aqui o link: http://yellowcom.addresses.com/results.php?ReportType=34&qc=Miami&qf=Celso&qn=Cordeiro&qs=FL – Eu quase o visitei quando estive em Miami…
    – Nunca é tarde para lembrar que o Dico ajudou a programar uma planilha eletrônica em Cobol, nessa época…
    – Eu me lembro de perguntar-lhe lá pelos 16: será que algum dia nós vamos saber tanto quanto você, pai?
     

  4. Quase doze anos após, revejo esta postagem, bem como os comentários feitos e quedo-me agora espantado com os acontecimentos e desfecho desta dúzia de anos, e prazeirosamente recordo: NAMASTÊ!…

  5. Republicou isso em Espaço de Jurandyre comentado:

    Quase doze anos após, revejo esta postagem, bem como os comentários feitos e quedo-me agora espantado com os acontecimentos e desfecho desta dúzia de anos, e prazeirosamente recordo: NAMASTÊ!…

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