O CHINEQUE

Sexta-feira (06/06/08) ,lanche na casa do Pedro, meu filho. Na mesa, queijo, presunto, geléia, pãozinho francês e… chineque. Para o carioca pão doce, pão de leite para alguns paulistas e massinha para o povo de Santa Catarina. Bem daquele com grãos de açúcar cristalizado por cima ao lado de um creme amarelo que até hoje não consegui saber do que é feito. Cris, minha nora comentou que lembrava da guloseima desde que era criança e eu então afirmei que minha lembrança datava de 1942, porquê ?

Com meus seis anos de idade era tirado da cama às cinco da matina para, na companhia do meu primo Ademar, garantir lugar na fila da padaria situada em Del Castilho (bairro do subúrbio carioca onde nasceu Zeca Pagodinho). Tempos de guerra (segunda mundial), filas, racionamentos e quotas para o leite, carne, pão, cereais e tudo que se possa imaginar. A qualidade dos produtos era de segunda para a população em geral, pois o melhor destinava-se às forças armadas, e para os poderosos e abastados (verifica-se que não houve muita mudança no aspecto social da distribuição de renda).

O pão nosso de cada dia, fruto de alquimia,  provinha de uma mistura de farinha de milho, farelo e alguns outros suspeitos ingredientes e que o carioca chamava de pão preto. Chegada a nossa vez, comprávamos o famigerado com o cartão de racionamento mas, nossos olhinhos encumpridavam-se para o balcão dos pães doces,  atraentes, cheirosos, tão macios e… caros. Não eram pro nosso bico.

Acontece que brasileiro, notadamente carioca, sempre dá jeitinho pra tudo assim, vez em quando, pintava um espécimem-apetitosus daqueles para nós e íamos às alturas!

Ali mesmo à mesa do lanche contei o “causo” e, então, Pedro voltou a carga:  Ta vendo pai, estou lhe falando que você tem que criar e manter um blog que fale dessas experiências e também das observações suas dos fatos do dia a dia. Afinal, aposentado, você tem tempo livre e computador com banda larga pai, seria um legado para nós.

Petrifiquei-me, legado faz lembrar herança daí a conclusão de que, a seguir a sugestão filial, vou deixar filhos, parentes e amigos mais jovens com merdeiros (perdão, como herdeiros) de todas as pérolas que venha a produzir aqui…

Seja feita a vontade do garoto.

Por falar em filas e alimentos, na fila de almoço do Restaurante Popular do Centro de Curitiba (um real), tropecei hoje com o Jonathas e suas duas fiéis e lindas escudeiras. O livro  Leviatã ou matéria, forma e poder de um Estado eclesiástico e civil  do filósofo Thomas Hobbes, rolava entre eles então, curioso devido ao nome Leviatã que sabemos referir-se ao monstro bíblico, fiz contato e pronto. Soube que o grupo de coroas todos na faixa dos 18 aos 21 anos, estudantes, ele de engenharia elétrica e elas de tecnologia ou algo parecido, eram dignos e orgulhosos representantes da comunidade do Sítio Cercado.

Ingênuos, deram mole pro papo enrolado do velhinho aqui e agora correm sério risco de tornarem-se leitores deste blog.

 

Chega por hoje!

 

  feito. Cris, minha nora comentou que lembrava da guloseima desde que era criança e eu, ent     

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2 respostas para O CHINEQUE

  1. Pedro disse:

    Vindo de quem vem esse texto, faltou a origem do nome "chineque"…  então vai a minha… como mencionou o tempo da guerra, pensei que com a crise geral instalada, um padeiro olhou e disse… "XIII.. NÉ QUE ACABOU O PÃO NORMAL?".. e fez essa variação de pão!!!

  2. Paulo disse:

    Vou fingir que não li esse trocadilho horroso do meu irmão.
     
    Pois é, eu só fui comer queijo todo dia depois que fui morar sozinho, com emprego para pagar o aluguel. Agora minhas filhas levam vida de "princesinha" e de vez em quando reclamam: "não tem bolo hoje?". Espero que o dano não seja grande o suficiente a ponto delas perderem a cabeça como a Maria Antonieta por causa de um comentário infeliz como esse. 

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