OS IMIGRANTES

A TV Globo vem exibindo por esta semana uma série de matérias sobre os cem anos da imigração japonesa pontificada pela chegada do Kasato Marú em 1908, ano de nascimento de meu saudoso pai.

Coisa fina, padrão Globo mas eu penso: trocar um arquipélago, com espaço exíguo para uma população tão densa e, sempre sob ameaça de abalos sísmicos, por todo o espaço e estabilidade geológica do Brasil, até eu faria.

Então me transporto a outra gente que nos elegeu como pátria, a começar dos portugueses.

Reza a lenda que, após a descoberta, os “patrícios” de moral e comportamento duvidosos, sem recursos e meios de almejar sua “quinta” lá na terrinha eram convidados a  “irem para o quinto dos infernos” como eram desairosamente denominadas as terras brasileiras, eles vieram e começaram com a exploração da cana de açúcar (e ainda nem existia o proalcool).

“Senhores de engenho” faziam proliferar suas feitorias. Só no Rio de Janeiro, na distribuição bairrística, podemos encontrar o Engenho de Dentro, Engenho Novo, Engenho do Mato, Engenho da Rainha e o Real Engenho, este último, devido à placa de identificação de forma abreviada na estação do trem (Real Engº), deu nome ao local de Realengo, famoso na música de Gil.

Os holandeses do séqüito do Conde Henrique de Nassau trouxeram para o nordeste e até São Luiz do Maranhão, entre outras coisas, a arte dos azulejos e lindos olhos verdes para uma boa parte da população.

Italianos chegaram e se espalharam cultivando vinhedos e personagens das novelas da Globo.

Os alemães, há os alemães, infiltraram-se pelo sul, no Rio Grande plantando pólos industriais e artesanais como são Leopoldo e Novo Hamburgo às margens do Guaíba e na bela e Santa Catarina, fazendo explodir o bem da terra com a agricultura, suinocultura, avicultura e… as mais lindas mulheres do Brasil.

Por fim, a mancha negra. Os africanos se pudessem não teriam saído de suas terras e abandonado suas raízes. Seqüestrados, humilhados e vilipendiados foram trazidos e oferecidos como gado para quem podia pagar pela sua mão de obra. Sobrou-nos o seu ritmo, o seu canto, a sua fé e crença nas forças da natureza… e a sua cor.

O bronzeado da pele de seus descendentes, principalmente aqueles que estabelecem maioria entre Bahia e Rio de Janeiro e que possuem, como diria Caimi, Deus no coração e o diabo nas pernas e quadris, nos enche de alegria por sermos seus irmãos.

Imigrantes… gente que vive em outras terras longe das raízes!

 

Paulo, meu filho, nasceu no dia 15 de junho de 1968. Na noite de natal deste mesmo ano, Frank Borman e  dois outros astronautas, a bordo da nave Apollo 8, circundaram a lua pela primeira vez. Em julho do ano seguinte, Neil Amstrong saiu da nave Apollo 12 para deixar a primeira pegada humana na poeira lunar e disse “um pequeno passo para um homem, um salto gigantesco para a humanidade”.

Agora meu filho mora em Houston, bem próximo ao Centro Espacial. Fascinante!  diria o orelhudo Spoke da série Jornada nas Estrelas.  

Como ele foi parar lá? Com a pasta contendo diplomas universitários de Administração de Empresas e Comércio Exterior obtidos na Universidade Federal do Paraná, mais diploma de Engenharia Elétrica do Cefet-PR e um  mestrado em Administração da PUC-PR, tomou assento no Green Card, juntou mulher e duas filhas, e foi, se não me engano, no final do ano de 2005.

Em função do seu emprego, Paulo viaja em semanas alternadas (duas por mês) para os vários países de língua hispânica, voando por terras, mares e oceanos nunca dantes imaginado. Ele tem um blog onde descreve algumas das cidades que tem visitado.

http://moncores.spaces.live.com/

 

Domingo, Paulo completa 40 anos de idade. Provavelmente vai comemorar na companhia da Cláudia, minha nora, de Giovanna e Cyntia, minhas duas netas e talvez de alguns novos amigos brasileiros, imigrantes, foragidos deste insuportável(?) Brasil.

 

Happy birthday my son !

 

  

Esse post foi publicado em CRÕNICAS DE UM IDOSO, Crônicas de um 71. Bookmark o link permanente.

3 respostas para OS IMIGRANTES

  1. Fernanda disse:

    Bom dia Vô,Que legal que ta escrevendo, quero aproveitar o seu post pra deixar também os meus parabéns para o tio Puca, entao : PARABÉNS!!!! Seu velhooooooooooooooooo hahahah brincadeira tio… ah não eh nãoooo velhooooooooooBeijinhos vô, Beijos Tio PucaNandinha

  2. Pedro disse:

    Tá ficando bamba nesses artigos hein…. e voce sabe que quando eu critico, eu critico mesmo…. não é só pra estimular não.. está bom mesmo… bem colunista!!!

  3. Paulo disse:

    Brigadão, Pai! Nós comemoramos meu niver com alguns amigos brasileiros e americanos. Foi a primeira festa para mim desde que casei há 18 anos atrás…

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