SEXTA-FEIRA 13

Há uma vertente histórica que nos conta que em 13 de outubro de 1307, uma sexta-feira, o rei Felipe IV, que havia declarado  ilegal a Ordem dos Templários, ordenou que todos seus cavaleiros fossem queimados numa fogueira. Desde aí – até por se tratar de questões que envolviam a Igreja e por ter sido utilizado o fogo como elemento de execução letal – foi criada uma associação de superstição à SEXTA-FEIRA 13. 

São decorridos 700 anos e 8 meses do fato e ainda se cultua esse “respeito” supersticioso.

 

E você, leitor, acredita mesmo que este dia possa ser um dia aziago?

Pois é, andei questionando a mim mesmo quanto à validade dessa crença. Na dúvida, depois de assistir o jornal da TV, fiz o sinal da cruz três vezes, verifiquei se o espelho do banheiro estava bem seguro para evitar queda e quebra, e saí à rua para a indefectível jornada até o restaurante popular da Rui Barbosa (1 real) no Centro.

 

No trajeto coloquei-me  atento para que nenhum gato preto inadvertidamente cruzasse à minha frente e, habilmente contornei por fora aquela escada que o rapaz da TV a cabo mantinha encostada no poste.

 

Constatei que realmente a SEXTA-FEIRA 13  dá azar !!!

 

Logo ao chegar na Praça Rui Barbosa, junto à saída do tubo deparei com uma senhora grávida, com uma criancinha no colo e rodeada de outras três em escadinha e pude perceber que os infelizes não tinham tido sorte, neste maldito dia,  de poder viver com dignidade e, por isto esmolavam ali bem pertinho do tripé que sustentava a câmera da estação de TV, enquanto o repórter entrevistava pessoas vitimadas pelo azar de estarem desempregadas nesta sexta-feira.

Na fila do restaurante, fui assediado por mais dois azaradozinhos da SEXTA-FEIRA 13 e observei que os trapos que estavam usando, mal conseguiam evitar que o frio curitibano lhes atingisse os ombros esquálidos, me pediram o real para almoçar, dei mas parece que eles decidiram só almoçar depois de conversar com uma senhora que, também naturalmente desprovida de sorte neste dia, espalhava-se derreada na grama do jardim da praça.

Lá no restaurante, dividi a mesa com dois casais de jovens cujas idades deviam variar entre 12 e 15 anos. Ambas as meninas estavam desafortunadamente mal vestidas, desigienizadas e… grávidas neste dia terrível. Seus pares, segundo o papo que despudoradamente deixavam rolar, deram azar porque a velhinha que pretendiam assaltar, percebeu e recolheu a bolsa rapidamente. Há sexta-feira !

Na volta para casa me lembrei do jornal da TV que havia assistido pela manhã narrando os casos de falta de sorte de pessoas não atendidas em hospitais da rede pública; de vítimas de balas perdidas e terríveis acidentes de tânsito.

Nos fazia cientes do azar de estarmos, nesse dia; reféns de políticos corruptos; em poder de administradores do erário público, gatunos e vorazes.

Vou parar porque, como dizia minha tia Palmira “se continuar eu choro”.

E todos os acontecimentos aqui narrados, reparem, sentimos acontecer na sexta, sábado, domingo, segunda, terça, quarta ou quinta-feira, seja qual for o dia do mês e não só na…

 

SEXTA-FEIRA 13… É MUITO AZAR !   

 

 

 

Esse post foi publicado em CRÕNICAS DE UM IDOSO, Crônicas de um 71. Bookmark o link permanente.

Uma resposta para SEXTA-FEIRA 13

  1. Jonathas disse:

    poxa, hoje consegui mandar uma menssagem….
     
    Que texto irönico…(risos), eu quase pensei que vocë iria deixar o resto dos seus leitores meio bobos….
     
    um abrassssss,
     
    ps: amanhã na fila, 11h20min

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