O PODER LÚDICO

 

Qual o significado da palavra lúdico? Fui buscar no Aurélio e lá estava: Adj.

   Referente a, ou que tem o caráter de jogos, brinquedos e divertimentos. Sempre gostei muito de jogos, não necessariamente de praticar esportes de esforços físicos ou de me dedicar à prática de jogos de azar. Estou me referindo àqueles joguinhos de tabuleiros, como dama, trilha, gamão e xadrez ou aqueles tradicionais de mesa como dominó, forca, velha e diversas modalidades do baralho. As mesas com bolas de bilhar, então, exercem um imenso fascínio sobre este pobre mortal.

 

Agora chego ao Lar dos Idosos  e descubro a força impressionante que esse gosto pode ter em uma comunidade como esta. Os joguinhos atraem, divertem, ocupam a mente e o tempo dos membros da população, só que precisam ser estimulados e incentivados, uma vez que é extremamente difícil a aproximação espontânea entre esses indivíduos portadores de tantos fatores limitativos como descrevi em publicações anteriores.

 

Estou usando o termo poder lúdico por perceber, agora como nunca, a força e a atração que pode exercer um simples joguinho na vida desocupada de um individuo idoso, principalmente se ele vive em ambiente com predomínio do estado de desconhecimento das normas e condições de sociabilidade. Convivendo com outros iguais queda-se  sentado em bancos, poltronas ou cadeira de rodas nos corredores, ao sol ou em torno de aparelhos de televisão… sozinho. Então surge alguém que se propõe a disputar uma partida de qualquer coisa… aí o cidadão de face iluminada feliz pela companhia inusitada percebe que outros também se interessam e, se o trabalho do proponente for bem realizado, em pouco tempo surge um e  depois outros contendores discutindo regras, técnicas e prosaicos históricos acerca do divertimento.   

 

Há que haver uma intermediação, uma presença carismática e competente que os coloque de frente para suas próprias capacidades de competir, que lhes desperte da memória as lembranças dos embates infanto-juvenis (perdão, andaram cortando o hífen das palavras compostas). Quando falo competente, refiro-me ao fato de que o intermediário TEM QUE SABER JOGAR ou, pelo menos, conhecer as regras dos diversos jogos, para poder melhor se identificar com os objetos deste trabalho.

 

Faz pensar que talvez já se possa cogitar a inclusão de uma matéria desta ordem no currículo escolar dos cursos de formação acadêmica para futuros atendentes de idosos. Chega a ser patético o esforço de um terapeuta no processo de incentivo a determinado jogo, quando perguntado se conhece as regras ou o processo, declina uma tímida negativa. Ou então quem sabe a legislação que rege o funcionamento das ILPIs exigir  a existência, na instituição, de cargo ou função de “recreador”, indivíduo que comprove o conhecimento e prazer de jogar modalidades adequadas aos idosos.

 

Na verdade, e isto estou podendo comprovar na prática, o ideal é que pudesse ser estimulada a inclusão, nas populações de ILPIs, de indivíduo(s) de longa vivência etária, com considerável nível cultural e experiência profissional obtida na prática de atividades relacionadas às ciências humanas. Estes indivíduos idosos, seriam recrutados dentre aqueles que,  privados da companhia do cônjuge por falecimento ou separação, ainda contam com familiares descendentes e afins e, preferencialmente, que detenham situação patrimonial definida, ou seja, sem estado de dependência e necessidades extremas. Seria um “interno voluntário” com ânsia de investir seus conhecimentos em prol de outrem.

 

Talvez as proposições contidas nos dois últimos parágrafos possam ser consideradas utópicas pelos mais céticos, porém, garanto que se aceitas e assumidas total ou parcialmente, proporcionariam uma indiscutível elevação na qualidade de serviços da Instituição que viessem a pô-las em prática.

 

É como se fosse um jogo. Um jogo com regras bastante flexíveis que talvez comprovasse o que denominei…

 

O PODER LÚDICO

 

 

    

 

 

 

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2 respostas para O PODER LÚDICO

  1. Pedro disse:

    Essas proposições me lembram a estória do menino na praia jogando as estrelas do mar que encontra na areia, de volta à praia. Pode parecer uma tentativa isolada e sem efeito, mas se somente um profissional desse relatado ler, entender, rever e praticar…. já valeu a pena!! Eu vou continuar na torcida.

  2. Lygia disse:

    Muito bom ler essa crônica, muito bom "O poder Lúdico"! Gostei de tudo, até da sua simplicidade do comentário"mexeram no hífem…" Parabéns primo! Saúde!

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