AUTO COMPROMISSO

Depois de um ano inteiro ausente destas minhas crônicas, decidi retornar. Motivo da demora ou do retorno? Nunca procurem saber os motivos de um idoso para quaisquer atos ou atitudes, porque se ele soubesse realmente já teria esquecido rs rs rs.

 

Nem sempre. Há fatos e situações  que este cronista não esquece assim tão facilmente. Aqui neste ambiente de convívio com seres idosos como eu próprio, de origens tão diversificadas, comportamentos e espectativas totalmente dispares, temos todos uma necessidade comum: sermos e estarmos satisfeitos, principalmente com aqueles que prestam serviços para a instituição, aqueles que cuidam de nós.

 

O cúmulo da pretensão, será? Não leitores! Esta necessidade de ser e estar satisfeito é vital para o idoso, principalmente aquele abrigado em instituição filantrópica, porque ao contrário dos demais viventes, no geral, eles não contam com mais nada da sociedade aí de fora. Sua higiene, sua vestimenta, seu repouso, seu divertimento, sua comida, enfim, seu tudo não depende de si próprio e sim da boa ou má vontade de funcionários que êle ( o idoso) não escolhe para trabalhar na instituição que o abriga.

 

Nesta semana, tomamos conhecimento de que uma das funcionárias que vinha atuando na cozinha daqui do Lar dos Idosos – Recanto Tarumã, aos prantos, se queixava da injustiça de haver sido afastada do quadro funcional, logo ela “sempre dedicada e atenciosa com o seu serviço, chegando sempre na hora e saindo as vezes mais tarde” (SIC)..

 

Gente, para satisfazer esses “velhinhos” não basta cumprir as normas da CLT e obedecer cegamente, talvez com exagero, as ordens e regras de seus superiores. Por outro lado, não é conveniente se arvorar de “educador e disciplinador” desses senhores cheios de manias, alguns deles meio dementados pela implacabilidade do tempo e da saúde minada pela falta de recursos que o trouxe aqui.

 

O funcionário de uma instituição como esta, durante as poucas horas semanais servindo homens que aqui permanecem por 188 horas desta mesma semana, tem que assumir um compromisso consigo próprio, de se doar e até se acumpliciar à causa de estar lidando, não com indigentes ou bebês que têm que estar agradecidos por êle (o funcionário) existir em sua vida e sim, com pessoas que são ou foram tios, pais, sogros ou avós de alguem como ele próprio,    

 

O choro da funcionária tem como base a razão de ter tido boas intenções com suas atitudes ríspidas e  “disciplinadoras” mas, como é do conhecimento vazado  nos ditos populares: “de boas intenções o inferno está cheio” ou “tem razão mais vai preso assim mesmo”, e deverá servir de lição para quem lida com esses maravilhosos exemplos do que poderá estar acontecendo com cada um de vocês, leitores,  amanhã – numa instituição ou no recesso sacrossanto de seu lar ou no lar de um de seus descendentes – portando 70, 80 ou mais anos de idade, com manias ou, quem sabe, alguma dementação.

 

Quem sabe, este meu grito  isolado não poderá vir a ser ouvido e  motivo de reflexão para que recrutadores, desse tipo de recurso humano, se acautelem muito mais na seleção e manutenção dos prestadores de serviços de todos os níveis, em  instituições como esta, exigindo que cada um, funcionário ou candidato à vaga, detenha este…

AUTO COMPROMISSO

Esse post foi publicado em CRÕNICAS DE UM IDOSO. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s