HÁ 25 ANOS…

Em 1 de março de 1986 (há 25 anos) uma família desembarcava de um ônibus na rodoviária de Curitiba.  O veículo, proveniente do Rio de Janeiro, trazia um casal e seus  dois filhos, todos,  cheios de expectativas para uma nova vida, um  recomeço, enfim, uma mudança.

Por falar em mudança,  um fato de repercussão histórica da economia brasileira, acompanhou o grupo que teve a aquisição das passagens,  da viagem iniciada na véspera (28 de fevereiro de 1986), custeada por uma moeda chamada cruzeiro e que ao efetuar o pagamento,  do taxi que  dia seguinte os levou  ao pequeno hotel , o fez através de uma nova moeda recém-criada, com o nome de cruzado.

Um cruzado valia o correspondente a mil cruzeiros. A mudança da moeda, atrelada a diversas outras medidas governamentais, visava refrear a tremenda desestabilização econômica vivida pelo país desde o início dos anos 80. Agora,  imaginem os leitores o tamanho da encrenca a ser enfrentada pelos recém chegados “sem eira nem beira”.

Eu, com meus 50 anos incompletos, a “patrôa”  com seus 45, um filho (Paulo), pronto para completar 18 em junho e o outro de dezesseis,  já exercidos em setembro. A observação à parte é que este último, o Pedro, na verdade regressava à sua cidade natal onde havia nascido no ano de 1969, quando andei por aqui trabalhando para o extinto Banco Nacional da Habitação concomitantemente (êta palavrinha sem vergonha!) com minha iniciação nos mistérios da computação. Os que são meus leitores desde o início devem se lembrar disso.

Dec ididamente, minhas convicções não me permitem crer que a escolha foi minha, ou em obra de acaso.  Forças poderosíssimas nos trouxeram para este desafio e de encontro às novas experiências que se nos aguardavam. Encaramos, peitamos, rimos,  choramos e… a meu ver, vencemos.  Na verdade, cada um de nós quatro carrega a pretensão de que a forma  e o quantitativo do que conseguimos realizar e, o fornecer de exemplos  ás  pessoas em torno, durante este quarto de século, revestiram-se de um caráter positivo (modéstia à parte).

Quanto á tecnologia da informática, que eu trouxe ao desembarcar, criando e mantendo programas edificadores de bases de dados, a  partir da gestão administrativa, contábil e financeira de pequenas e médias empresas, evoluiu espantosamente nos ofertando incríveis recursos de apropriação e uso de incontáveis veículos  de comunicação, imagem, som…  “coisa de louco”. Então, na corrida de revezamento da vida, passei o bastão para meus filhos e desviei-me para a margem da pista. Afinal, outros competidores que vinham atrás, bem mais trôpegos, precisavam de espaço para sua evolução.

Segundo Paulo, eu não deveria estar escrevendo essas baboseiras,  pois,  ninguém estaria interessado em minhas experiências pessoais então, me detive na história de um rei da Inglaterra, gago, que ambicionava pronunciar belos e edificantes discursos. Bombou e virou tema do filme ganhador do Oscar em 2011 e outra, também transformada em filme, que relata as odisseias e conquistas de um jovem criador de uma Rede social, indicado no mesmo certame.

Falando em Rede Social, caramba! Como me sinto enredado em suas malhas! Um mecanismo gigantesco que nos possibilita, a todos mesmo, tomar conhecimento e se envolver em importantes novas descobertas e acontecimentos em todas as áreas e, em qualquer parte do planeta, quiçá, do Universo;  Aí me deparo com alguém denunciando o vizinho que deixou o cachorro noite toda na chuva; sou notificado por pessoas que vem fazendo incontáveis progressos em sua fazenda virtual no Orkut; uma  adolescente que informa “ti amu Felipe Brasil,  kra não posso viver sem tu” e para fechar , sou atropelado por alguém que comunica que, determinada participante do reality show deve ir para o paredão e ser eliminada porque é “sínica e balofa”.

O Pedro, meu filho, o mesmo que  incentivou a criação deste blog há cerca de três anos atrás, em incontrolável recaída voltou a atacar. Vendo-me estacionado ao lado da pista, sem ânimo para  qualquer outra publicação, enviou  um email para mim e parentada, contendo os  links que nos conduzia à informação de que dois novos livros se encontram disponíveis para encomenda pela Internet:  Um, “ photo book 2010”, álbum de sua própria família e… as “crônicas de um idoso”, imagem  deste blog , mutilado pela interrupção desde fevereiro de 2010.

O “menino” publicou no preâmbulo do livro, colocações como estas:

Esta obra serve para inspirar pessoas de todas as idades e, particularmente, os idosos que entendem o discurso que “a vida não acabou” mas não acredita que o mesmo serve para si.

Outro paradoxo é a utilização de um meio extremamente tecnológico e “jovem” sendo consumida com inteligência por quem preza e conhece a facilidade e o poder da escrita.

Compartilhe, comente, critique ou elogie, porque o propósito deste homem será sempre provocar a reflexão e, conseqüentemente, o pensar.”

“Orra o meu!”, como diria o paulistano, isso é ser prestigiado em dose paquidérmica (dose de elefante) pelo fruto de minha árvore, curitiboca (curitibano carioca), que faz, acredito, qualquer “coroa” rolar de inveja. É uma intimação para que o pai prossiga a bancar o comunicador e cronista do quotidiano de “pessoas que ousaram viver tanto” abrigados numa instituição modelo aqui em Curitiba.

E o fato gerador deste meu retorno ao blog, foi indiscutivelmente, aquela viagem feita…

… HÁ 25 ANOS.

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12 respostas para HÁ 25 ANOS…

  1. Érica Guil disse:

    Quanto tempo sem me deliciar com suas palavras, que bom que voltou! Tive o orgulho de conviver com esse “idoso” que realmente tem todo esse “poder da escrita”, alguns meses bem marcantes de minha vida, com certeza inesquecíveis. Só não entendi o título “há 15 anos”?

  2. Claudia Moncores disse:

    Well done sogro. Essa mudanca dos Moncores para Curitiba foi responsavel por eu encontrar o meu parceiro de vida e ter o privilegio de ser mae de duas meninas maravilhosas. Abencoada mudanca!

    Parabens pelo blog.

    Claudia

  3. luciane heleno disse:

    Seu Jurandir! que saudades , de verdade, dos nossos papos na biblioteca do Lar. De abrir, por exemplo, O profeta do Khalil Gibran numa página qualquer, ler um poema e depois ficar um tempão discutindo sobre o assunto.
    Não pare de escrever. O senhor tem muito a dizer. Beijos.

  4. Roseli Bassi disse:

    Minha profunda gratidão as história de vida que se cruzam e que numa alquimia divina silenciosa nos aproximam de seres dotados de potenciais de mobilizaçao como os seu. Parabens por seu blog, imagino a alegria dos que tiverem oportunidade de ver aqui seus posts, simples, diretos, autenticos, como os videos captados por sua sensibilidade e repletos de pureza e simplicidade q hoje nao se vê, os quais nossa equipe de “caçadores de historias vivas” tiveram oportunidade de sentir no dia em que nos apresentou! Que os deuses conspirem sempre a seu favor, que por sermos todos um, será ao nosso favor! super abraço carinhoso da paulistana que com muito orgulho veio perturbar seus dias!

  5. PAULO ESCHER disse:

    Caro Paizão

    Bem amigo, foi prazeroso ser o protagonista ou melhor o protagonizador de uma pequeninha parcela de sua história, em um período bem complicado em sua vida, um período de transição, um período de novos rumos, quando nem o Paulo e nem o Pedro e nem ninguém sabia onde você se encontrava, exceto eu e você. . .
    Creio ter sido essa a minha contribuição para a sua história, lembrando ainda que eu adorava aquela camisa XADREZ de pelúcia que serviu e ficou muitíssimo charmoso no meu paizão, como costumava chamá-lo. Bem amigo, sucesso nos seus blogs.

  6. TÚLIA ESCHER disse:

    Querido amigo Jurandir, tuas palavras me fizeram também lembrar o ano de 1995, quando meu marido Paulo eu e nossos três filhos chegamos em Curitiba para recomeçarmos. Mas o que vale mesmo é a união da familia é a força que nos da para o reinicio. A tua recompensa veio logo, teus filhos são teu orgulho, tudo valeu a pena.
    Bjos e continue escrevendo e nos motivando.
    Túlia

  7. Paulo Moncores disse:

    Pai,

    Nao sei de onde você tirou essa idéia absurda de que teria que “parar de escrever essas baboseiras”… Eu incentivei você a continuar com a parada! O meu problema – que sistematicamente incomoda os outros – sao minhas criticas implacáveis e impiedosas a tudo e a todos, geralmente acuradas, mas nem sempre levando em consideração os sentimentos dos outros. Meus colegas de trabalho americanos costumam dizer que eu Nao tenho um “evil twin” porque eu devorei o meu quando nasci…

    Continue escrevendo. Os primeiros 2/3 do artigo sobre a morte do idoso foi muito bom.

    Uma sugestão para o futuro seria um post sobre porque você optou em se auto internar em um asilo ao invés de morar sozinho.

    Cuide-se bem.

  8. Zelia disse:

    Eu falei que andava com saudades……
    Você disse que talvez aparecese no Carnaval…..
    Não veio, mas que presentão!!!! Ver você voltando a escrever no seu blog….
    Valeu mano Jura.
    Beijo, beijo.

  9. Cristiana Monçores disse:

    Olá Tio, a tal adolescente que escreve errado no orkut se referindo ao namorado Felipe Brasil, evidentemente seria eu né? Obrigada por lembrar de mim eu seu blog. Pode deixar que vou fazer o possível para isso não se repetir. Beijos.

  10. Kátia Patricio ferreira Lima disse:

    Adorei tudo que o sr escreveu. Sou Enfermeira e dedico a maior parte do tempo em estudo da Gerontológia. Quero aprender com o sr. obrigado Kátia.

  11. Republicou isso em Espaço de Jurandyre comentado:

    Cá estou de novo, “reblogando” uma crônica de exatos de oito anos atrás! Vários motivos “capitaneados” pela coincidência de datas, sonho e acontecimentos: a) Como 25 + 8 = 33, decidi me lembrar que, segundo
    Escritura, este foi o número de anos vividos por Jesus Salvador; b) Ontem a noite, minha falecida companheira e parceira Marisa
    (OBITUÁRIO), me visitou em sonho pela primeira vez; c) Um voluntário, contumaz visitante aqui do Lar, esteve aqui comigo e andei mostrando a referida crônica e percebemos que a mesma datava de 01 de março de 2011

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