SER OU NÃO SER…

“To be or not to be: that’s the question” (Ser ou não ser, eis a questão), uma das frases mais conhecidas da língua inglesa, extraída do Hamlet de William Shakespeare  é frequentemente usada como um fundo filosófico profundo.  Nem tão profunda ou filosoficamente,  eu a estou utilizando para externar minha  mais recente dúvida:  “blogueiro, SER OU NÃO SER?”.

Em junho de 2008, esbocei  minha  intenção de compor um blog, com a publicação do “post”  INAUGURAÇÃO, engrenando,  a partir daí, uma sequencia  de publicações quase que diárias.  Então recebi  um puxão de orelhas do meu filho Paulo e decidi publicar o BLOG SERIO  onde dei  início à  dúvida de SER OU NÃO SER blogueiro.

Envolto na incerteza, ainda assim, prossegui publicando espaçados “posts”. No final do ano (2008), passei a residir no Lar dos Idosos – Recanto Tarumã, aqui em Curitiba e,  logo em janeiro de 2009, atrelado a um novo ânimo, publiquei  CRÔNICAS DE UM  IDOSO como “carro chefe” de novas postagens que foram se tornando cada vez mais distanciadas umas das outras  até o quase marasmo.

Para não ter que admitir minha preguiça e indolência em escrever e publicar, invoquei para mim  mesmo a desculpa de que pessoas, notadamente mais jovens, não estariam interessados no bla-bla-bla de um senhor de setenta e seis anos, residente num Lar de Idosos.

Isto porquê, ao agregar-me  nas  redes sociais, notadamente no FACEBOOK,  fiz-me acreditar que a  maioria dessas pessoas mais jovens, estariam  muito mais preocupadas em  postar, curtir e partilhar doses maciças de banalidades,  valorização de seus credos religiosos, alem de exibicionismos e temores excessivos (pelo menos para mim).   Que tempo e interesse teriam  para se deter nas crônicas de um idoso?

Poderia até  mesmo ser a maioria, mas, e a minoria esclarecida?  As postagens nobres,  e realmente participativas filtradas nesse bolo, levam-me a crer na existência de vida sadia ,  inteligente  e interessada em outros focos menos banais,  talvez  até um acesso ao meu blog, vai saber…

O dilema SER OU NÃO SER ainda perdurava  até que um acontecimento notável  modificou o panorama. Recebi um convite  de  universitários da FALEC,  alunos do curso de administração, para o comparecimento num evento denominado “semana interdisciplinar”. A proposta consistia  em  disponibilizar-me a falar, e responder perguntas, sobre minhas experiências  no Lar dos Idosos.

A estudante Janine – chefe da quadrilha – formulou  o convite e logo após se colocou em ação. No dia 23 de outubro passado,  duas de suas asseclas a Nicole e a Katleen, chegaram de automóvel , no início da noite e procederam a um “sequestro relâmpago” aqui do autor. Qual não foi minha surpresa ao chegar  ao “cativeiro” e descobrir que a decoração, murais e etc, bem como o tema do mini evento  referia-se à publicação da crônica O CAMINHO do meu blog que, fiquei sabendo, andou sendo lido e esmiuçado por alguns daqueles alunos.

Surpreso e contente fiquei  ainda  mais com a acolhida, carinho e atenção a mim dedicadas por aquela  gente jovem.  Na mesa  à  frente da sala onde fui posicionado,  um laptop  acoplado a um projetor,  oferecia à mim e à turma a imagem do meu blog, me possibilitando navegar, discorrer, responder perguntas… Foi lindo, divino. O  ego e auto estima deste corôa  se elevaram aos píncaros. Oitenta  minutos de pura satisfação.






 

 

 

 

 

 

 

 

Após esse dia,  recebi  outro puxão de orelhas do outro filho, o Pedro , que vendo as fotos e tomando conhecimento do episódio me intimou: “Vai parar, pai? Não tem sentido agora que sabe que tem leitores não de quantidade, mas de qualidade.  Publica algo pelo menos uma vez por semana”.

É,   realmente isto tudo me leva a encerrar da maneira afirmativa o impasse do…

…SER OU NÃO SER

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11 respostas para SER OU NÃO SER…

  1. E para quem se interessar por essa coletânea de 2008 a 2010 impressa, pode encomendar pelo link http://br.blurb.com/bookstore/detail/2006127

    • Janine disse:

      Seu Jura, quero lhe dizer que se nosso projeto da Faculdade tinha um objetivo, o meu eu já alcancei, que foi a oportunidade de lhe conhecer e aprendender tanto com o senhor. Tenho à sua diposição 80h… 80 dias… 80 meses para continuar lhe ouvindo. Obrigada pela sua disponibilidade e carinho. Espero poder lhe sequestrar muitas vezes…com a sua permissão é claro! Bjinhos Janine.

  2. Claudia Schischoff disse:

    Concordo que o senhor deve continuar com seu blog sogro. Como ja disse anteriormente, e’ dessa maneira que acho que o senhor vai deixar suas memorias registradas, principalmente para as netas que se tornaram americanas e com as quais o senhor nao tem muito contato. Vai em frente! Continue escrevendo! Parabens!

  3. Paulo Moncores disse:

    ‘E isso aí’ pai, continue escrevendo. Abraçao.

  4. Fico feliz, muito feliz, a cada crônica tua.
    Não deixa de escrever…Tem qualidade…tem Monçores…
    Vai que é tua Mano Jura!!!!!!
    Parabéns por tudo.

  5. Magina Sr Jura o prazer foi nosso de recebelo, com tanta história e sabedoria para contar!

  6. James Lee Potta disse:

    Como sempre Seu Jura, você esta coberto de razão, há sim pessoas fúteis, mas também há aqueles que querem ver além de suas especialidades e compartilhar experiências e certamente você tem muito a somar.

    Escreva sempre, a sua sabedoria e também a daqueles que você compartilha seu tempo é grande demais para ficar dentro daquelas paredes.

    Ajuda muito ter alguém para lembrarmos que há algo em torno da nossa “colher de azeite”.

    Obrigado e parabéns por tudo, grande abraço.

    James, ADM Falec

  7. Cinthia disse:

    Que lindo! Continue sempre escrevendo! Adoro suas postagem, é positivamente contagiante!

  8. Roberto Santos Sobrinho disse:

    Olá, seu Jurandyr!
    Vejo que suas dúvidas foram sanadas em grande estilo. Que bom! O senhor merece. Seu estilo é agradável e passa uma mensagem de tranquilidade e segurança de encarar a vida. E sempre nos deixa algum ensinamento. Penso que nem todos seus leitores retornarão comentários. Continue escrevendo, pois, como diria o carteiro de Neruda (no filme O carteiro e o poeta), seus textos, uma vez publicados, já não são mais seus, eles pertencem àqueles que os leem e os usam nas mais diversas situações.
    Um grande abraço,
    Roberto

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