EXTREMIDADES…

Hoje 9 de dezembro de 2012, tomei a decisão de falar de EXTREMIDADES, os dois pontos limites de qualquer coisa que possamos imaginar:

• A planta dos pés e o couro cabeludo de um corpo humano;
• A cauda e o focinho de um cão ou felino;
• A nascente e o desembocadouro de um rio; ou
• O início e o término de uma estória ou discurso.

Só que o “gracinha” aqui decidiu embarcar em um de seus infames trocadilhos e discorrer sobre EXTREMAS IDADES, ou seja de um lado o idoso e de outro a criança. Tudo porque foi levado a uma situação de encontro desses extremos no dia de ontem. Roseli Bassi e um pequeno grupo da imensa e intensa equipe do Intituto História Viva, daqui de Curitiba, convidou a mim e a outros dois moradores deste nosso Lar dos Idosos para uma cerimônia na APACN (Associação Paranaense de Apoio à Criança com Neoplasia).
Surpresa… Grata surpresa. Eu, o Osmar de Souza e Maurício Baptista de Oliveira, levados ao belo auditório daquela casa de apoio, fomos incluídos na demonstração do esquema de ação do Instituto, cujos membros e equipes:

 1. “Garimpam” as histórias de abrigados em Lares de Idosos, como o nosso.
2. “Encantam” e adaptam os “causos” para o nível cognitivo de crianças.
3. Contam, ludicamente, as histórias ajustadas, para crianças em casas de Apoio.
4. Solicitam e obtêm dessas crianças, desenhos relacionados com a história ouvida; e
5. Tornam aos autores e locais de origem, suas histórias “encantadas” acompanhadas da       ilustração ingênua do infante.

Aconteceu assim: Nós três já havíamos contados à turma do Instituto e até já esquecidos, breves episódios de nossas vidas, que foram devidamente tratados pela equipe de “maquiadores”. Frente ao auditório, a medida que hábeis contadores de histórias do Instituto faziam suas narrativas, cada um de nós ia reconhecendo por baixo das “maquiagens” a autoria de cada original. Numa mesa ao lado dos narradores, três crianças aguardavam cada final para produzir imagens em folhas de papel, considerando o ponto de vista do seu entendimento da coisa dita.

Ao final o Osmar de Souza recebeu um desenho relacionado com um importante momento da vida dele, exposto na “historinha” de um motorista de taxi que vendo uma criança em perigo na travessia de uma canaleta seletiva para ônibus, saltou para resgatá-la. O velho senhor não conseguiu controlar ou disfarçar a emoção.

Maurício, que atualmente tem o braço esquerdo amputado, foi trazido à lembrança de um episódio do tempo em que foi alfaiate e não conseguiu entregar o terno, pronto e à muito guardado, ao seu “freguês” até que soube que o dono do paletó de casimira havia assumido um “paletó de madeira” (caixão mortuário em antigas gíria). Também se sentiu tocado ao receber de uma das crianças o esbôço de um avião acidentado e ao lado o caixão.

A minha estória foi a narrativa da minha primeira viagem de avião do Rio para Porto Alegre, em companhia da mãe de meus filhos. Ambos nos assustamos com um incidente no interior da aeronave onde um cidadão, vítima de um súbito ataque cardíaco, provocou gritos de desespero de sua mãe, incompreensíveis para nós uma vez que disparados em espanhol. A viagem, com escala em Porto Alegre destinava-se a Buenos Ayres, em vôo internacional e o ocorrido obrigou o comandante a retornar para São Paulo onde ambulâncias nos esperavam na pista. A história falava de um casal (eu e minha cara metade) que só respirou aliviado quando desembarcou no Salgado Filho. Foi o bastante para que, também emocionado, eu tomasse o tosco mas encantador desenho das mãos de Ana Beatriz, hóspede daquela Casa de Apoio enquanto aguarda a cura da neoplasia.
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Pude perceber que a Associação é tão séria e respeitável como nosso Recanto Tarumã, nas suas bases e diretrizes. Tive o prazer de conhecer seu presidente Antonio Carlos dos Santos Lima e me surpreendi ao saber que, coincidentemente (já falei, não consigo acreditar em coincidências), foi também presidente da nossa mantenedora, a Socorro aos Necessitados, no período de 2003 até 2006. Perguntados por mim, antigos moradores e funcionários elogiaram bastante a sua gestão.
Agora, a Roseli e o Instituto História Viva, ao construir este vínculo entre os limites da existência – ou seja idosos e crianças – acaba criando uma curva fechada em círculo de amor, entrega e dedicação, ao ligar estas duas pontas… estas duas …

… EXTREMIDADES

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5 respostas para EXTREMIDADES…

  1. Roseli Bassi disse:

    Seu Jura. Quanta honra ter sido citada em seu admiravel blog, juntamente com o Instituto e nossa gama de voluntários que compõem essa rede de amor!!! Obrigada por ser parte dessa história, minha e de muitas outras pessoas. Meu profundo respeito e admiração por você acreditar em nosso trabalho, o que nos dá força para prosseguir nessa missão que aceitamos abraçar.

  2. Marlene ribeiro Paiva disse:

    Seu jura meus PArabens Bj

  3. Pedro Monçores disse:

    Como diria o novo poeta Charlie Brown Júnior: “história, nossas histórias, dias de luta, dias de glória”. São elas que nos perpetuam 😉

  4. Maria Helena Leone disse:

    Esse Sr.Jura – surpreendendo a cada dia! Parabéns pela citação! Não lhe conheço, mas sou sua fã…. sou do História Viva de S.Paulo – e planejo um dia conhece-lo!

  5. Lauro Jr disse:

    Texto lindo “seu Jura”. Por isso que amo cada vez mais a ação do instituto história viva com as pessoas. Um grande exemplo é o senhor. Muito obrigado por compartilhar essas coisas passagens lindas.

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