SOBREVIVENTE…

Domingo, 23 de dezembro de 2012, Antevéspera do Natal e dois dias após o 21/12/2012, data atribuída para o fim do mundo, no seu mais recente anúncio. Para estar escrevendo tenho ativo meu pensamento, daí me proponho a lembrar o filósofo francês René Descartes, em sua memorável e conhecida citação “PENSO, LOGO EXISTO”. Por consequência eu, existindo, tornei-me um SOBREVIVENTE deste anunciado fim do mundo.

Quanta enrolação, dirá o prezado leitor. Bem, uma vez que não aconteceu o fim do mundo, acredito que cabe uma reflexão sobre o sem número de “chutes” como este, ocorridos em nossa linha do tempo. Palpites infelizes uma vez que colhem a credibilidade de alguns cidadãos mais desavisados que acabam agindo de maneira insana e desarvorada, pelo medo de enfrentar algo que não conhecem mas, os apavora.

Desta feita a “previsão” foi estabelecida por meio da interpretação de um calendário maia que, teoricamente, previa que esse seria o último dia da humanidade. A crença do fim do mundo em uma data determinada, porém, não é uma novidade e nem uma característica ligada a povos distantes, como os maias. A expectativa pelo dia que seria o último da história da humanidade é antiga e faz parte da tradição cultural ocidental.

A fé cristã acredita no fim do mundo”, resume Lina Boff, professora de teologia na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). No fim dos tempos, Jesus vem”. A especialista explica que uma corrente chamada “milenarista” acreditava que o reinado de Cristo sobre a Terra duraria mil anos. A chegada do ano 1000 da Era Cristã foi, portanto, aguardado com bastante ansiedade na Europa medieval.

O escritor austríaco-americano Richard Erdoes, autor do livro “A.D. 1000: Living on the Brink of Apocalipse” (“1000 d.C.: vivendo à beira do Apocalipse”, em tradução livre), conta que a expectativa pelo retorno de Cristo dominou “não só o ano 999, mas todo o século que o precedeu”. Segundo o livro, lançado em 1988, as pessoas da época imaginavam que o Armagedom, viria na noite de Natal ou à meia-noite, na virada de 999 para o ano 1000.

O Papa Silvestre II celebrou uma missa diferente na virada do ano, com rituais religiosos especiais. Como o mundo não acabou, surgiram lendas em torno do pontífice, de que ele teria recorrido à ajuda de magos árabes – ou até feito um pacto com o diabo.

Mil anos depois, a virada de 1999 para 2000 também seria recheada de crenças sobre o fim do mundo. Além de previsões apocalípticas ligadas a grupos religiosos – o pastor americano Edward Dobson chegou a escrever um livro explicando por que Jesus poderia voltar naquele ano –, uma questão tecnológica causou grande preocupação na sociedade.

Muitos programas de computador desenvolvidos durante o século 20, especialmente os mais antigos, abreviavam o ano colocando apenas os dois últimos algarismos – em uma data, o ano de “1988” seria escrito apenas como “88”, por exemplo. Assim, quando houvesse a passagem de ano de 1999 para 2000, esses programas leriam o novo ano como se fosse 1900. Esse grande erro no sistema ganhou o apelido de “Bug do milênio”.

O temor era de que o erro causasse uma grande pane nos computadores mundo afora e que isso comprometesse desde o funcionamento de bancos até usinas nucleares e instalações militares – onde residiria o risco de grandes catástrofes. As Nações Unidas chegaram a criar um grupo específico para prevenir contra a ameaça do “Bug do milênio”. A chegada do ano 2000 trouxe poucos e localizados erros de informática, sem conseqüências globais significativas.

A ciência prevê o fim da vida na Terra de acordo com a evolução natural do Sol – baseada no que acontece com estrelas desse tipo. Daqui a quase 5 bilhões de anos, ele se transformará em um “gigante vermelho” e vai multiplicar seu tamanho. Antes disso, o calor crescente terá provocado a evaporação dos oceanos e o desaparecimento da atmosfera terrestre. Depois desse aumento, o astro se resfriará até a extinção. Até lá, não existe nenhuma ameaça astronômica ou geológica conhecida que poderia destruir a Terra“, aponta David Morrison, cientista da Nasa.

Beleza!!! Isso nos dá um tempinho para curtir o que resta de vida sobre a Terra, a cada um de nós. Alguns grupos de habitantes do planeta, recentemente já experimentaram a conclusão de seu “visto de permanência”, em uma única data ou ocasião. Podemos relembrar:

O voo Air France 447 foi um voo regular de longo curso operado pela companhia francesa Air France. Tornou-se conhecido pelo acidente aéreo ocorrido durante o voo da noite de 31 de maio para 1 de junho de 2009, efetuado pelo Airbus A330-203, quando a aeronave se despenhou no Oceano Atlântico com 228 pessoas a bordo (216 passageiros e 12 tripulantes). Não houve sobreviventes.

Morro do Bumba é uma favela situada no bairro de Viçoso Jardim, em Niterói, RJ. Ficou conhecida em todo o Brasil pela tragédia ocorrida em 2010, quando num deslizamento de terra, 267 pessoas morreram – sendo 48 os corpos encontrados e muitas outras pessoas ficaram desabrigadas.

O sismo do Haiti de 2010 foi um terremoto catastrófico que teve seu epicentro na parte oriental da Peninsula de Tiburon, a cerca de 25 km da capital haitiana, Porto Príncipe. O Comitê Internacional da Cruz Vermelha, estima que cerca de três milhões de pessoas foram afetadas pelo sismo; o Ministro do Interior do Haiti, antecipou em 15 de janeiro que o desastre teria tido como consequência a morte de 100 000 a 200 000 pessoas.

Em janeiro de 2011, um temporal devastou várias cidades da Região Serrana do Rio, deixando mais de 900 pessoas mortas. Nova Friburgo foi a mais atingida pela catástrofe

14h46 (2h46 em Brasília) do dia 11 de março de 2011, uma sexta-feira. Neste exato momento, a costa nordeste japonesa sentiu o terremoto de magnitude 9 ocorrido na região. O sismo foi o quinto mais forte já registrado na história e o pior já ocorrido na nação asiática. O tremor ainda causou um tsunami que varreu a costa japonesa e destruiu milhares de casas – além de ter danificado reatores da usina nuclear de Fukushima, dando início à segunda pior catástrofe nuclear da história mundial. A tríplice tragédia deixou 15.853 pessoas mortas e 3.283 desaparecidas, totalizando 19.136 vítimas – maior perda de vidas em um desastre desde a Segunda Guerra Mundial no Japão.

Para encerrar, de acordo com dados da Polícia Rodoviária Federal, até a primeira quinzena de maio deste ano ocorreram 43.527 acidentes nas estradas do País, causando 2.324 mortes e deixando 26.898 pessoas feridas.

A coleção de acontecimentos acima descritos mais parece um desses retrospectos apresentados por veículos de comunicação a cada final de ano. Para cada um dos óbitos acima revelados, o término da estada no planeta se estabeleceu… Foi o fim do mundo para eles .

E nós, leitores, que estamos fazendo com a nossa existência? Afinal, o Criador, além de ter nos poupado até agora desse fim, continua nos dando oportunidade de, pelo menos tentar, ser melhores em relação aos demais objetos de sua criação, de propiciarmos o máximo de bons exemplos aos nossos filhos, familiares, amigos e inimigos bem como aos demais atores sociais que nos circundam.

Leitor, por mais desconfortável que possa se considerar lembre-se de que, como eu , você também é um …

SOBREVIVENTE.

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5 respostas para SOBREVIVENTE…

  1. A.C.Ferrari disse:

    caro amigo no seu caso um vencedor! Parece que para o poeta quando mais ardiloso o terreno mais inquietações mais criatividade mais crescimento. O espirito esta em todos, mas, so o vemos em poucos, são os escolhidos. Abraço. Ferrari

  2. Pedro Monçores disse:

    Como disse meu irmão… “viva a vida como se fosse o último dia… uma hora você acerta!!!”

  3. Pri disse:

    Obrigada Seu Jura, por me fazer “parar tudo” e refletir sobre ser um sobrevivente, devem haver motivos por ainda estarmos tendo essa chance de tentarmos ser pessoas melhores.

  4. Joyce Rodrigues disse:

    Sempre ensinando, não sabia que o “bug do milênio” era por conta disso…legal!
    Visto de permanência?!,,,hahahahaha…Ótimo texto tio, você é demais.
    Bons exemplos é o que mais quero deixar 😉

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