ANO QUE VEM …

Digo ANO QUE VEM, porque hoje é 30 de dezembro de 2012 último domingo do ano. Assim, no segundo próximo amanhecer, estaremos todos trafegando no 2013. O que estão esperando as pessoas à nossa volta e o que estamos esperando nós desse novo ano? Provavelmente a maioria dos leitores estará respondendo a mim e a si próprios: Sei lá, acho que o mesmo de sempre.

Isto porque, decididamente estamos vivendo a era da banalização dos fatos, atos, costumes e, sobretudo, sentimentos. Nada é mais novidade duradoura neste universo em que:

• flagrantes são colhidos por celulares, smartfones e tablets e imediatamente filtrados e transferidos para as redes sociais com auxílio do Instagram, preferencialmente contendo imagens trágicas, obscenas ou violadoras de intimidades pessoais ;

• redes estas onde atores sociais de diversas faixas etárias, níveis sociais e culturais, “curtem” e “compartilham” imagens, pensamentos, e frases – em tempo real – que embora não lhes pertençam, pois quase sempre clonadas, levam ao banal seus conteúdos, por mais densos e intensos que possam se afigurar;

• segundo uma destas “pérolas” colhidas em determinada rede “PESSOAS ESTÃO VENDO MENOS FACES E LENDO MENOS BOOKS” , conseqüentemente se impedindo de sentir, ver e tirar proveito “in loco” de leituras e acontecimentos em torno de si o que poderia produzir e gerir suas próprias opiniões e sentimentos, sem o cunho da banalidade.

Então. Para o ANO QUE VEM deseja-se muita paz, serenidade, momentos felizes e até muito dinheiro. Isto nas festinhas e encontros de confraternização de fim de ano. Nas redes sociais então nem se fala, desde o início da segunda quinzena de dezembro vê-se embutidos e trocados esses desejos… infelizmente quase nunca lembrados nas outras quarenta e nove restantes semanas de cada ano.

Mas, nem tudo são dores, dissabores ou coisas com maus odores. Como já devem estar carecas de saber os meus leitores, eu moro num Lar de Idosos e, também já foram por mim informados de que, pessoas e grupos investidos de intenso e imenso altruísmo vem nos visitar periódica e constantemente trazendo, no mínimo, companhia , solidariedade, cumplicidade e aluguel de seus ouvidos às nossas queixas (poucas) e louvores (muitos) pela graça e privilégio de sermos idosos, ou melhor, por ainda estarmos vivos e assistidos por respeitável contingente de gestores, funcionários, terapeutas e voluntários ligados à ONG que nos abriga.

Os grupos não privilegiam apenas a nós com esse tipo de ação. Outros lares, asilos, casas de apoio, hospitais, enfim, todo tipo de estabelecimento que congrega indivíduos “distanciados desse mundinho aí de fora” recebem deles a visita amiga e despretensiosa. Acrescento ainda que, pelo menos para o meu modo ver e viver, o principal produto de alto valor gerado por eles é o exemplo.

Cada membro oferece aos seus filhos, amigos, vizinhos e demais atores sociais à sua volta, a oportunidade de desejar também ser um semeador de felicidades e – usando-se um clichê muito difundido e em voga – desejar crescer como pessoa.

Provavelmente serei traído pela memória, o que não seja levado à conta de esquecimento. Velho é assim mesmo, danado para esquecer. Vou enfileirar aqui alguns nomes de grupos e institutos que aprendi a conhecer, admirar e respeitar durante esses quatro anos de moradia no Lar:

• O voluntariado empresarial da Kraft Foods, tem sido presença constante em nossas datas marcantes, enchendo-nos de momentos festivos e verdadeiros mutirões de seus voluntários em trabalhos de revitalizações em nossas instalações, pátios e jardins. Por ocasião da Páscoa, uniram-se aos voluntários do GRPCOM e realmente movimentaram e fizeram diferença no nosso dia.

• Grupo Nissei da terceira idade que nos traz a contagiante alegria de “jovens senhorinhas” que conosco vêm bailar e cantar e, vez em quando, nos embarcam e acompanham em deliciosos e agradáveis passeios em seus confortáveis ônibus com direito a guloseimas e refrigerantes. Em 2012, na primeira semana de setembro rolou um tour ferroviário através do Expresso Serra Verde.

Instituto Cão amigo. Duas vezes por mês, em domingos alternados, recebemos a visita de bípedes e quadrúpedes membros do Instituto, isto é tratadores, cuidadores e amigos de cães de diversas raças e porte, que se propõe a trazê-los – aos cuidadores – até aqui. A troca de boa energia entre idosos, principalmente os cadeirantes ou dependentes , com os caninos torna-se um fato indiscutível.

Instituto História Viva há, esse já se integrou e imiscuiu-se em mim e em todos meus colegas daqui , de onde são capturadas histórias de vida que retornam a nós com uma roupagem encantada e, ilustradas com desenhos feitos pelos ouvintes delas, neste novo formato: são crianças em casas de apôio e hospitais… É divino! Os leitores já devem ter assistido. Tornei-me um idoso propaganda do Instituto em vídeo de alta produção.

Instituto Flor de Lis, vem semanalmente trazer os benefícios da terapia do Reiki , não só para nós os moradores como também para os funcionários que nos atendem e cuidam.

Para cada um dos dias de Natal, nos quatro anos que aqui vivo, me foi feito um convite por um grupo familiar com (adultos , jovens e crianças), para almoçar em sua casa, juntamente com todos os meus colegas que quiserem ou puderem ir. Um almoço natalino, acompanhado de música, brincadeiras e até uma lembrancinha de Papai Noel.

Recusei a todos apenas porque, no almoço desse dia, sou comprometido, desde meu retorno para Curitiba – após o falecimento da Mariza em fins de 2007 – com Pedro meu filho, Cristiane minha nora, Fernanda, Rafa e Duda meus netos(as)… Imperdível !!!

Mais uma vez compreenderam, só que desta feita fui surpreendido, ao tornar ao Lar e encontrar junto ao computador um pacote com a lembrança do bom velhinho, distribuída a cada um dos convivas lá presentes. E um bilhete em decorado papel toalha com os dizeres: “Feliz Natal, família Lucena de Souza” . Nem precisa dizer que visitei o Google para saber o que ele poderia me informar. Ao término deste post gostaria que pudessem ver a publicação de um artigo numa edição dominical da Gazeta do Povo acerca deste ato.

De volta ao parágrafo inicial desta publicação, quero informar que é — a manutenção, o fornecimento de apoio e robustecimento, a adesão de pessoas e o “aceite” a exemplificação gerada dos grupos (e outros similares) aqui descritos — o que eu desejo para este…

…ANO NOVO

Cliquem abaixo
Família Souza Lucena

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4 respostas para ANO QUE VEM …

  1. norberto assis fraguas disse:

    O Pai, quenos dá o trigo para o celeiro, através do solo, envia-nos a luz através do Céu. Se a
    claridade é a expansão dos raios que a constituem, a fartura começa no grão. Plantemos a primeira semente da fraternidade em nossos corações, Quem sabe um dia tenhamos juntos um celeiro cheio para dividir com o próximo.

  2. A.C.Ferrari disse:

    carissimo amigo, gosto de pensar que o ano que finda nos deixa muito a agradecer… Agradecer ate as liçôes mais duras porque delas e nelas nos fortalecemos. E, desta otica vale acreditar que o ANO QUE VEM, o ananha sera rico de possibilidades. E previlegio ter um novo tempo para gastar do jeito que bem entender… Por falar em tempo, foi bom visita-lo. Sai gratificado por encontra-lo como sempre dedicando (tempo) a nossos amigos em comum. E, deve dizer queTenho certeza que este tempo lhe sera conferido como credito somado na sua vida. você e o cara. Abraço. Ferrari.

  3. Pri disse:

    Lindo perceber nas suas escritas, sua gratidão. Poucos fazem, mas os que fazem, fazem toda diferença. Quando quero ouvir uma boa história e ganhar um pouco de conteúdo entro no seu blog seu Jura, ja faz parte da minha rotina.

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