NÚMEROS…

Primeiro domingo do ano hoje, 06 de janeiro de 2013 (Dia de Reis), e o Seu Jura resolve dedicar a imensidão de seus momentos vagos , para falar de NÚMEROS. Seu Jura que mora num Lar de Idosos, onde recebe atenções e serviços dos gestores e funcionários acaba – assim como seus cento e pouco companheiros (moradores) – tendo tempo de sobra para fazer especulações, construir fantasias e desenterrar lembranças do seu percurso de setenta e seis anos sobre o planeta. Seu Jura… Esse cara sou eu.

Para falar dos NÚMEROS que ocupam a quase totalidade de nossas vidas… Estamos sempre precisando saber a quantas andam os acontecimentos no nosso entorno e, então, buscamos a informação desejada. nesses NÙMEROS

• para a avaliação do tempo decorrido ou a decorrer com os séculos, anos, meses, semanas, dias, horas, segundos…
• utilizados para mensurar distâncias, espaços, alturas e profundidades, com o parsec, anos luz, milhas, quilômetros, metros, polegadas…
• indispensáveis para espelhar superfícies e áreas com os alqueires, hectares, acres e ares atrelados ao metro e quilômetro quadrado…
• reveladores da massa das existências tridimensionais assim como os seu pesos – pesos estes que se configuram na força com que esses corpos são atraídos pela gravidade da terra. Aí então contamos com as toneladas, arrobas, quilogramas, gramas…
• com que contabilizamos as quantidades em geral com o uso das unidades, dezenas, centenas, milhares, bilhões, trilhões…

Mas isso desde sempre, ou seja, desde que o homem passou a habitar o planeta segundo os informes antropológicos. Imaginem se o ser humano que viveu em qualquer das épocas e eras difundidas pelos compêndios científicos – deitado de barriga pra cima olhando estrelas, observando animais em bandos e manadas, defrontando-se com a imensidão dos mares e a imponência de florestas, montanhas e rochas, enquanto vivenciava o transcorrer de dias e noites em sucessão contínua – teria menos curiosidade do que qualquer um de nós. O cara ia querer dimensionar e reter isso tudo.

Como sabem, sou Analista de Sistemas aposentadíssimo. Devem lembrar também que quando iniciei meu “affair” com o computador, em torno de 1969, o termo “informática” ainda não havia sido inventado. O negócio chamava-se “Processamento de Dados”. Toda a informação (dados) que a sociedade desejava guardar para recuperar em qualquer outra ocasião, devidamente processada, quedava-se gravada em dispositivos magnéticos onde eram representados (letras e caracteres de escrita em geral) por uma engenhosa combinação de NÚMEROS .

O byte, unidade fundamental de todo o processo é composto de 8 pontinhos imantáveis (bits). A combinação de bits imantados ou não (digamos, acesos ou apagados), possibilita a obtenção de 256 valores para aquela unidade, mais que suficiente para fazer representar todas as letras, números e símbolos do seu teclado. A inspiração para o uso deste recurso veio do Ábaco aparelho originado na Mesopotâmia, há mais de 5.500 anos, o que endossa minhas conjecturas anteriores, acerca das necessidades humanas de contar.

Viajando da Mesopotâmia ao Brasil – que registra NÚMEROS como a superfície de 8 514 876,599 km² (quinta maior área territorial do planeta) e população de 194 milhões de indivíduos (abril de 2012) em 26 estados federados, divididos em 5565 municípios e um distrito federal – vamos convidar o leitor a recordar, por conta própria, os recentes NÚMEROS do ano de 2012 profusamente difundidos pelos veículos de informação e comunicação.

Um desses NÚMEROS, em especial me chamou a atenção. Foi o atribuído ao impostômetro nos últimos dias do ano. A marca de R$ 1,5 trilhão em tributos federais, estaduais e municipais pagos pelos brasileiros desde o primeiro dia do ano, Parece-nos um número bem considerável. Mas, quanto grande? Como imaginar o tamanho dessa encrenca? Um trilhão e meio…

Tornei aos meus tempos de aluno dos primeiros anos do ginasial, quando fomos desafiados pelo professor a apurar que tempo representaria um trilhão de segundos. Isso mesmo, segundo, o tempo do impulso de qualquer relógio, o tic-tac nosso de cada dia.

Vamos ver:
1 minuto = 60 segundos.
1 hora = 60 minutos x 60 segundos = 3600 segundos.
1 dia = 24 horas = 3600 x 24 = 86.400 segundos.
1 ano = 365,25 dias = 86.400 x 365,25 = 31.557.600 segundos.
1 século = 100 x 31.557.600 = 3.155.760.000 segundos.
Se dividirmos 1.000.000.000.000 pelos 3.155.760.000 segundos de um século, iremos encontrar um número de 316,88 séculos.

Chegamos a conclusão que, desde o nascimento do Cristo, há dois mil e doze anos e até hoje, só puderam ser ouvidos cerca de 16 por cento dos tic-tacs dimensionados em um trilhão de segundos. Pois é. Ai cabe uma interrogação. Este trilhão e meio de reais realmente existe? Digo, fisicamente? Se não, trata-se de algo virtual.

Algo virtual que serve de parâmetros para exacerbar no individuo o desejo de ver e possuir mais, muito mais, a qualquer custo. Se a pessoa detém poderes no palco social: Poderes de administração, gestão, execução, legislação e representação, em qualquer nível ou instância vê-se instigado a pensar e agir em termos da grandiosidade de NÚMEROS, como este.

Então surge no quadro o “bandido” que se apodera das posses e propriedades alheias (“de olho” nas grandes cifras), sempre pronto a, subornar, corromper, intimidar e ameaçar os atores sociais relatados no parágrafo anterior. Quando os dois se misturam, se acumpliciam e agem, começam a produzir exemplos que são seguidos a níveis menores, e claro, pelo indivíduo comum que acaba se habituando a ser corrupto e corruptor. Encontramos classes trabalhadoras que, para obter uma – ainda que pequena e irrisória – fatia do bolo, são conduzidas ao processo de chantagem das greves. “Ou dá ou desce”. E a procissão segue seu caminho em busca de maiores NÚMEROS, seja lá a que preço for.

O Criador nos permitiu a chegada ao mundo através de uma “loteria” em que apenas um dos 200 a 500 milhões de espermatozóides produzidos em um ato sexual, se transforme em você. Proveu a cada um de nós com cerca de cem bilhões de neurônios, como bytes de um magnífico computador, para que pudéssemos funcionar e atuar condignamente.

Então, muitos de nós, em numerosas ocasiões, tratamos de ignorar o “prêmio” e utilizar estas dádivas da Criação para tentar sobrepujar seu Autor, numa corrida desenfreada por mais poder. Talvez valha a pena refletir um pouco, tirar o pé do acelerador e simplesmente comer, saborear mesmo, o Pão Nosso de Cada Dia. Até aquele em que, individual ou coletivamente, seremos chamados para uma outra fase, pelo menos para mim, desconhecida mas não ignorada.

E, não tenhamos dúvida. Pode demorar bastante mas, em determinado momento o planeta, com todos os seus habitantes, iniciará e mergulhará de maneira cataclismática num apocalíptico oceano desses mesmos…

NÚMEROS

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5 respostas para NÚMEROS…

  1. Pedro Monçores disse:

    Gosto de números… no meu trabalho tem uma máxima aonde diz que “sem indicadores (números) não há controle ou planejamento”.

    • Seu Jura! Para digerir o almoço de segunda feira, mergulhei neste seu oceano “numérico” confesso que saí me sentindo um Pitágoras.
      Parabéns Seu Jura! Só de uma mente como a sua…Poderia sair raciocínio brilhante como este!!!

  2. Roberto Santos Sobrinho disse:

    Seu Jurandyr, começou o ano inspirado, hein? Que texto de fôlego!
    Os números estão na nossa vida e de uns gostamos, de outros nem tanto. Dentre aqueles há, para cada um de nós, um conjunto de oito algarismos (em São Paulo já são nove) que quando utilizados nos dá a alegria de ouvir a voz de uma pessoa querida dizendo: Alô?!
    Desejo lhe um feliz 2013!

  3. marcia disse:

    oi lindo ! faço uso das palavras do grande amigo paulo que raciocínio brilhante hein bjs

  4. Pingback: VALORIZAÇÃO DA VIDA… | Espaço de Jurandyr

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