VELHO RANZINZA…

Novamente domingo, 17 de fevereiro de 2013. Meus leitores já sabem. Moro no Recanto Tarumã aqui em Curitiba, cidade que adotei para mim, esposa e filhos desde fevereiro de 1986. Daqui deste Lar dos Idosos onde divido, há 4 anos, meu espaço com 106 outros companheiros, venho usando a Internet e redes sociais para transmitir, principalmente à parentada que deixei no Rio de Janeiro, uma imagem de velhice privilegiada e nunca doentia.

Eu caio da modéstia em afirmar que meus irmãos,  irmãs, sobrinhos(as) e prjmos(as), têm em mim uma certa idolatria…  Por vezes flagro alguns deles, em trocas de mensagens, me considerarem “O CARA”.  Deve ser em respeito aos meus setenta e seis aninhos e ao Estatuto dos Idosos…   Nesta semana Zélia Monçores, uma das minhas irmãs, me pôs a frente de algo que pescou na Rede e achou que tinha tudo a ver comigo.

Pesquisei e descobri que o material pode ser “saboreado” em um blog pertencente à alguém chamada por Cláudia Matthes , de farta presença no Google, inclusive em vários idiomas.  Aparentemente trata-se  de uma jovem (com certeza mais do que eu) da localidade de Pejuçara, no noroeste do Rio Grande do Sul, Região do Ijui.

Toda matéria do seu blog, exala a cuidados e trabalhos em prol de assistências educacionais, de saúde e atenções aos desvalidos. Tocante sua inclusão entre aqueles que se solidarizaram com seus conterrâneos gaúchos, vítimas da tragédia de Santa Maria no 27 de janeiro.

Pois bem, talvez seja inédito, impróprio, deselegante  e até imoral extrair de um blog para outro (no caso este meu) o texto integral da matéria que atraiu a atenção da Zélia em minha direção.  Mas entendam…  Alguns de nós acredita  que velho pode tudo… Então vamos lá…

Quando um velho homem morreu na enfermaria de geriatria de um lar de idosos em uma cidade do interior da Austrália, acreditava-se que ele não tinha mais nada de qualquer valor.

 Mais tarde, quando as enfermeiras estavam olhando seus poucos pertences, encontraram este poema. A sua qualidade e conteúdo impressionaram tanto a equipe que cópias foram feitas e distribuídas para cada enfermeira no hospital.

Uma enfermeira levou uma cópia para Melbourne … O único legado do velho homem para a posteridade já apareceu nas edições de Natal de revistas em todo o país e figura nas revistas de Saúde Mental. Uma apresentação de slides também foi feita com base em seu simples mas eloquente poema.

 E esse velho homem, com nada para dar ao mundo, é agora o autor deste poema “anônimo” navegando em toda a Internet.

 VELHO RANZINZA…

VELHO RANZINZA O que vocês vêem enfermeiros?… O que vocês vêem?

 O que vocês estão pensando… quando estão olhando para mim?

 Um homem casmurro,… não muito sábio,

 Incerto de hábito… de olhos distantes?

 

 Quem goteja sua comida… e não faz qualquer comentário.

 Quando você diz em voz alta… “Eu gostaria que você tentasse!”

Quem parece não perceber… as coisas que você faz.

 E sempre está perdendo… uma meia ou sapato?

 

 Quem, resistindo ou não… lhe permite fazer como quiser,

 Com o banho e a alimentação… o dia inteiro para preencher?

 É nisso que você está pensando?… é isso … o que você vê?

 Então abra seus olhos, enfermeiro… você não está olhando para mim.

 

 Vou lhe contar quem eu sou … como continuo, ainda, sentado aqui,

 Conforme posso fazer ao seu comando,… como comer à sua vontade.

 Eu sou uma pequena criança de dez anos… com um pai e uma mãe,

 Irmãos e irmãs… que se amam

 Um rapaz de dezesseis… com asas nos pés

 Sonhando que breve… uma amante ele vai encontrar.

 

 Um noivo logo aos vinte… meu coração dá um salto.

 Lembrando os votos… que eu prometi manter.

 Aos vinte e cinco, agora… tenho minha própria juventude.

 Quem precisa de mim para guiar… e um lar seguro feliz.

 

 Um homem de trinta… minha juventude agora cresceu rápido,

 Ligados um ao outro… com os laços que devem durar.

 Aos quarenta, meus filhos pequenos… cresceram e se foram,

 Mas a minha mulher está ao meu lado… para ver que eu não lamento.

 

 Aos cinquenta anos, mais uma vez,… bebês brincam no meu joelho,

 Mais uma vez, conhecemos as crianças… minha única amada e eu.

 Dias sombrios estão sobre mim… minha mulher agora está morta.

 Eu olho para o futuro… tremo de pavor.

 Pois meus jovens estão todos criados… da sua própria juventude.

 E eu penso nos anos… e no amor que eu conheci.

 Eu sou agora um velho homem… e a natureza é cruel.

 É piada para fazer a velhice… parecer uma tolice.

 O corpo, ele se desintegra… graça e vigor, partem.

 

 Existe agora uma pedra… onde uma vez eu tive um coração.

 Mas dentro desta velha carcaça… um jovem ainda habita,

 E agora e de novo… meu maltratado coração incha

 Lembro as alegrias… eu me lembro da dor.

 E eu estou amando e vivendo… a vida outra vez.

 Eu acho que os anos, muito poucos… foram embora muito rápido.

 E aceitar o fato gritante… que nada pode durar.

 

 Então abram seus olhos, pessoas… abram e vejam.

 Não um homem casmurro.

 Olhe mais perto… veja… A MIM!

 

 Lembre-se este poema da próxima vez que encontrar uma pessoa mais velha que poderá deixar de lado sem olhar para a alma jovem dentro dela … Vamos todos, um dia, estar lá, também! Por favor, compartilhe este poema. As coisas melhores e mais bonitas deste mundo não podem ser vistas ou tocadas. Elas devem ser sentidas pelo coração!

Eu ainda não tenho a aparência do amigo, cuja foto emblematizou o poema…, apenas AINDA NÃO tenho.  Mas posso garantir a vocês leitores, pela experiência observada a partir dos constantes “papos” com meus companheiros do Lar que o conteúdo legado por aquele velho homem  que morreu na enfermaria, faz todo o sentido.

Definitivamente não se trata da conversa irritadiça de um …

… VELHO RANZINZA.

Para amenizar as coisas com um pouco de humor, convido os leitores a clicar aqui.

Esse post foi publicado em CRÕNICAS DE UM IDOSO. Bookmark o link permanente.

3 respostas para VELHO RANZINZA…

  1. Pri disse:

    Nao somos parentes, apenas amigos.
    Mas posso dizer q tbm te acho O CARA, nao por respeito pela sua idade porque isso aprendi qndo criança, mas pela admiraçao por sua sabedoria, amizade e companherismo.
    Gostaria mt de ter mais tempo para descobrir tudo q Seu Jura tem pra ensinar…mas no momento sou grata por esse espaço…
    bjs meu amigo
    como toda semana arrazou!!

  2. Pri disse:

    ah!!
    ri alto
    sobre o Estatuto do Idoso
    boa!!

  3. A.C.Ferrari disse:

    Dos homens [ experientes] perdoe-se a intolerância; pois nela sempre vêm algum encinamento… Sê intolerância pode ter gosto, destes é dôce… Abraço. Ferrari.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s