O QUE TENHO A PERDER…

24 de fevereiro de 2013 – dia de produzir um post porque, afinal de contas,  é domingo! Como estou acostumado a proceder, visitei o Google para saber o que aconteceu nesta data, no correr dos anos passados. Em 1955 nasceu em São Francisco da Califórnia, Steve Jobs.  Em outubro de 2011, por ocasião de sua morte aos 56 anos em decorrência de um câncer pancreático, assim como eu muita gente, mas muita gente mesmo, aqui do hemisfério sul, conheceu este personagem com altíssimo grau de responsabilidade pelo envolvimento da humanidade com a  tecnologia na informação.

Nos últimos 25 anos, esse envolvimento levou-nos à dependência praticamente total dos engenhos produzidos e cada vez mais, e mais, aperfeiçoados pelo realizador de sonhos… De seus próprios sonhos!  Inventor, empresário e magnata americano no setor de informática, notabilizou-se também por revolucionar seis indústrias: computadores pessoais, filmes de animação, música, telefones, tablets e publicação digital… “O CARA”.

Para Jobs, os melhores produtos eram os aparelhos completos com o software talhado para o hardware, e vice-versa. De acordo com essa linha de pensamento, há um sacrifício nas funcionalidades de um equipamento quando o sistema operacional e os softwares são desenvolvidos de forma genérica, para vários hardwares diferentes, havendo sempre o risco de incompatibilidade. Essa filosofia seria reafirmada anos depois com o iMac, iPod, iPhone e iPad.

Então me volto para a minha tão decantada infância. Eu tive uma tabuada de multiplicar. Modéstia à parte eu era bom com ela. Eu tinha, memorizados, não só os produtos das multiplicações, como também os macetes para manipulá-los (aos produtos) na utilização em outras formulações matemáticas requeridas para a solução de problemas. Daí… tome fórmulas para: obtenção do valor de superfícies geométricas; volume de líquidos e sólidos tridimensionais; regra de três; teoremas como o de Pitágoras e os não menos famosos (na época) “Produtos Notáveis”.

Já meus meninos puderam pegar carona em calculadoras para (só em casa, pois na escola, nem pensar!) auxiliá-los na resolução de problemas do “trabalho de casa”. O “Pequeno Dicionário da Língua Portuguesa” do Aurélio (tio do Chico Buarque de Holanda) tinha que estar à mão para melhor entendimento na leitura dos livros didáticos ou de literatura e dar conta na feitura da “redação”. Ouviam músicas tocadas do Long Play girando na eletrola e assistiam filmes e ao jornal na tevê ou nas esporádicas idas aos cinemas do bairro.

Quanto às minhas netas e meu neto… Notebooks, Tablets, Smartphones e outros demais artefatos informatizados, não têm segredos para eles, que usam intensamente sua própria memória para não esquecer as senhas exigidas pelos aplicativos e, que extraem dos aparelhos, informações totais e profundas:

  • no entendimento para resoluções dos diversos deveres escolares;
  • na localização e comunicação oral e visual com parentes e amigos;
  • para construir e ou copiar textos destinados aos diversos tipos de redação;
  • na visualização e compartilhamento de imagens, vídeos e pensamentos que lhes parecerem importantes ou simplesmente interessantes;
  • na audição de músicas e visualização de filmes e seriados assim como na prática de jogos diversos… E muito mais!

Steve_Jobs_Headshot_2010-CROP

Pois é, Steve Jobs, assim como seu principal e acirrado competidor, Bill Gates foram os principais responsáveis por este “avanço” saboreado agora pelas três gerações (netos, filhos e eu). Mas  Jobs, famoso pela oratória, pela capacidade de síntese de ideias e pelo carisma em suas apresentações foi também um pensador. Na Internet – o mesmo oceano que utilizou para navegar e por em prática suas idéias e artefatos – podemos encontrar um rosário de frases marcantes de sua autoria. Como por exemplos estes trechos do discurso durante formatura em Stanford, 2005…

“Lembrar que eu estarei morto em breve é a ferramenta mais importante que eu encontrei para me ajudar a fazer grandes escolhas na vida. Por que quase tudo – todas as expectativas externas, todo o orgulho, todo o medo de se envergonhar ou de errar – isto tudo cai diante da face da morte, restando apenas o que realmente é importante. Lembrar que você vai morrer é a melhor maneira para eu saber evitar em pensar que tenho algo a perder. Você já está nu. Não há razão para não seguir seu coração…”.

“Isto foi o mais perto que cheguei da morte e espero que seja o mais perto que eu chegue nas próximas décadas. Tendo passado por isso, posso dizer agora com mais certeza do que quando a morte era apenas um conceito intelectual: ninguém quer morrer. Até mesmo as pessoas que querem ir para o céu não querem morrer para ir para lá. Ainda, “A morte é um destino que todos nós compartilhamos. Ninguém conseguiu escapar dela. E assim é como deve ser porque a morte é talvez a melhor invenção da vida. É o agente que faz a vida mudar. É eliminar o velho para dar espaço para o novo. Neste momento, o novo são vocês, mas algum dia não tão longe, vocês gradualmente serão o velho e darão espaço para o novo. Desculpa eu ser tão dramático, mas é a verdade”.

Decorridos meus setenta e seis anos de vida, no momento em que me sinto fazendo vestibular para a “grande passagem”, tenho certeza que só tive a ganhar com as dores, angústias, incertezas e desconfortos sofridos e assistidos.  Em contrapartida, das boas coisas que obtive, cultivei, colhi e acumulei nesta trajetória, posso lhes assegurar que nada… absolutamente nada é

O QUE TENHO A PERDER.

Esse post foi publicado em CRÕNICAS DE UM IDOSO. Bookmark o link permanente.

3 respostas para O QUE TENHO A PERDER…

  1. Ferrari disse:

    Um mestre amigo me profetizou um dia, que a medida do conhecimento é a medida da capacidade cognitiva. Por isso faço parada obrigatória neste blog. FelizAbraço. Ferrari.

  2. Pedro Monçores disse:

    Beleza.

  3. victor oliveira disse:

    gostei do que postou tenho 11 anos e curto oque vc escreve

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s