ABDICAR…

Domingo, 07 de abril de 2013, mais uma vez aqui estou para minha crônica semanal. Dentre as inúmeras das minhas “habilidades” já conhecidas por alguns dos meus leitores, está incluída a de que fui professor de ensino médio. Ciências, geografia e história eram as três disciplinas do meu portfólio de magistério.

História…  Por conta desta última fui levado a recordar que, em 1831 no dia 05 de abril, o imperador D. Pedro I constituiu um novo ministério – o Ministério dos Marqueses – no dizer do historiador Werneck Sodré, (…) “todos notáveis pela sua impopularidade” enquanto, por parte da oposição exigia-se o retorno do gabinete formado por liberais brasileiros. Na madrugada do dia 7 de abril, não conseguindo contornar a crise, D. Pedro I apresentou o ato de abdicação ao trono.

abdicação

Naquela mesma madrugada deixou o palácio sem se despedir do filho de cinco anos, seu herdeiro, mas enviando-lhe posteriormente uma correspondência na qual assinalava que (…) “me retiro para a Europa (…) para que o Brasil sossegue, o que Deus permita, e possa para o futuro chegar àquele grau de prosperidade de que é capaz”.

Então a palavra ABDICAR começou a bailar em minha mente ao ponto de tê-la conduzida ao título desta crônica. Prontamente me ocorreu que há pouco mais de um mês a notícia de que o Cardeal Joseph Ratzinger então sumo pontífice da Igreja Católica, Papa Bento XVI, abdicou do papado. Inusitado o acontecimento uma vez que o último papa a renunciar foi Gregório XII, que abdicou em 1415 (quase 600 anos), no contexto do Grande Cisma do Ocidente.

Meus leitores sabem da minha abdicação conjugal, somente após 34 aos de vida em comum com a mãe dos meus filhos. O fato foi citado no post O CAMINHO.  Nos tempos atuais, no entanto, casais abdicam com poucos, pouquíssimos anos e até meses da contratação do matrimônio, funcionários abdicam de seus empregos no pouquíssimo tempo que levam para acrescentar mais algumas linhas no currículo e aí projetarem-se para vôos mais altos.

Em contrapartida, detentores de poderes consideráveis e formadores de opiniões pelo exemplo do sucesso, mantêm-se aferrados às  zonas de conforto de suas conquistas e nem pensam nas possibilidades de uma desistência. Políticos então, “nossos representantes” que eleitos acabam sendo absorvidos e recrutados de uma forma como a acima descrita no segundo parágrafo, para

um Ministério dos Marqueses – no dizer do historiador Werneck Sodré, (…) “todos notáveis pela sua impopularidade“.

Pois bem, para esses políticos corruptos e corruptores, assim como seus acólitos e comparsas: que denigrem a sociedade em nome da democracia; que apesar das condenações do STF ainda discursam e versam sobre um populismo perverso e malfazejo e que cimentam e solidificam a descrença dos cidadãos na nação e até em si próprios…

Embarco na repetição da frase de Pedro I: para que o Brasil sossegue, o que Deus permita, e possa para o futuro chegar àquele grau de prosperidade de que é capaz… esperamos que pelo menos algum de vocês tome a iniciativa de abrir a mão, renunciar, “largar o osso” e…

ABDICAR

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2 respostas para ABDICAR…

  1. Ferrari disse:

    É, quem sabe ainda possamos testemunhar o BRASIL passado a limpo…e, o pano de fundo possa ser outro, não mais este da escravatura. abraço. Ferrari.

  2. Maria Clara disse:

    Seu Jura, nós eleitores… não abdicamos de votar decentemente? os ¨dito cujo” impopulares mas projetados pelo voto da população! … quiçá nos falte a convicção de Pedro I …. merecemos essa PROSPERIDADE?! abdicamos do que é determinante, deixando-nos permear pela desesperança e (ainda) falta lisura ( aquela ) que permite o funcionamento da engrenagem de forma harmoniosa. Chegará a PROSPERIDADE ?! o desafio realmente existe!

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