ENTORNO…

Domingo, 28 de abril de 2013 – Dia da Educação – não consegui saber quando e por quem foi criada ou estabelecida esta data comemorativa. EM TORNO deste assunto – educação – pensamos imediatamente em escolas, alunos, professores, livros, materiais pedagógicos. Ou seja, a palavra remete ao universo escolar, onde indivíduos (alunos) encontram amigos queridos com quem brincam, conversam, trocam confidências e professores que os esperam todos os dias prontos para passarem um novo assunto. Além de transmitirem seus conhecimentos, esses mestres também estão sempre prontos a lhes aconselharem quando é necessário.

No entanto, a escola não é o único lugar onde a educação acontece. A educação existe tanto em sociedades tribais de povos caçadores agricultores ou nômades, quanto em sociedades de países desenvolvidos e industrializados. Há também a figura dos pais, pois são eles que complementam a educação das crianças, ensinando-as o que é certo, como devem se comportar e a respeitar o próximo. Aí temos a teoria, afivelada a educação… E a sabedoria?

Numa dessas historietas que transitam pelas redes sociais, nos Facebooks da vida, lemos a que nos remete ao jovem que consultou um velho sábio para que lhe desse uma “dica” sobre a conquista da sabedoria.  Foi-lhe proposto pelo “mais velho” que tomasse uma colher grande, cheia de azeite, com o propósito de com ela caminhar pelas vias internas de um grande e movimentado “shopping center” entre lojas, vitrines, mesas e balcões de lanchonetes pelo espaço aproximado de uma hora retornando, após, à sua presença.

Uma hora depois o jovem se apresentou e, orgulhosamente, exibiu a colher sem a  perda de uma única gota. O sábio então lhe perguntou qual a sua opinião sobre o entusiasmo, surpresa ou tédio, manifestados por um bando de alunos de determinada escola que “tangidas” por suas orientadoras, percorriam e usufruíam momentos de visita, àqueles espaços de mil imagens, cores e acontecimentos, justamente nos seus 60 minutos de “teste”.

O jovem sorridente, devolveu ao “mestre” a informação de que se fosse prestar atenção aos arroubos ou emoções daquele bando, ou de quaisquer outros transeuntes, correria o risco de perder gotas do óleo sob sua guarda, o que não seria sábio, segundo a sua concepção, ao que o senhor lhe afirmou que não. Não era sábio concentrar-se tão somente em uma tarefa e ignorar o ENTORNO de si.  Deixar escapar mais conhecimento e experiências sobre fatos, locais e pessoas, em qualquer porção de tempo, de nossas vidas é desperdício e, em muitos casos até, imprevidência.

Posso perceber o quanto existe de verdade no diagnóstico atirado ao jovem.  Sob esses setenta e seis anos vividos, tenho a sorte de haver acumulado considerável acervo de experiências (boas e desagradáveis), graças ao hábito, acreditem, infantil, de “estar ligado” nos fatos e atos ao meu redor. Aprendi com meu pai, um tio chamado Procópio Monçores e uma tia com o nome de Palmyra, meus principais mentores nos primeiros anos de vida.  Já, já, explico.

Em 1939 (eu contava com três aos de idade), em um fato raríssimo para aquela época, minha mãe separou-se do meu pai. Decidiu-se levar consigo minha irmã Iraci, também filha do casal, e deixar-me aos cuidados paternos. Meu hoje saudoso “velho”, só pôde contar com as famílias de seus irmãos para educar o órfão de mãe viva em que me transformei.

O resultado foi que, sem a escora e o revestimento de u´a mamãe super protetora, fui estimulado pela “equipe” acima a observar, no ENTORNO de mim, os procedimentos e consequências das ações realizadas por parentes, visitantes, vizinhos, professores, colegas de rua (antigamente brincava-se na rua nas vizinhanças de nossas residências) e de escola. Destas observações, comentadas com cada um daqueles cuidadores, sempre disponíveis a ouvi-las, eu ia extraindo o “feedback” norteador de minhas próximas e futuras atitudes.

Querem saber de uma boa aplicação deste “modus vivendi”?   Fui, entre inúmeras outras coisas, motorista de caminhão, taxi, ônibus, kombis escolares e meus próprios veículos de auto transporte e família, desde meus 22 anos, o que soma uns 50 anos de direção. Sempre ligado nas regras e sinais de trânsito e, principalmente, nos comportamentos de pedestres e outros motoristas EM TORNO de mim, contabilizei um índice de envolvimento em graves acidentes na marca do zero.

Falei de educação e sabedoria e estou aqui mesclando ENTORNO (substantivo masculino= Região que se situa em torno de um determinado ponto. Circunvizinhança) com EM TORNO (locução adverbial, já sobejamente conhecida de vocês), mas na real o fato é que, deixar de notar, observar, julgar, apreciar e de não estar atento às nossas circunvizinhanças, não é uma boa!

Nas vias públicas, interior de conduções, shoppings, instituições, escolas e até no recesso sacrossanto dos lares, sabemos o quanto é comum observarmos indivíduos, não necessariamente jovens, fixados num eletrônico (celular, iphone, iped, ipod, smarthone, etc…), como se fora sua colher de azeite, sem atentar e nem mesmo vislumbrar o que lhes acontece ao redor.

Triste lembrar da jovem atropelada e morta por um ônibus expresso no centro de Curitiba, simplesmente porque atravessou a canaleta, celular ao ouvido, enquanto suas colegas pararam ao ver a aproximação do coletivo.

Fica então a reflexão. Havemos que fixar nossos focos, perseguir veementemente nossos objetivos porém é extremamente salutar que dividamos nossa capacidade de atenção e processamento entre eles e os acontecimentos no …

ENTORNO

CONVERSÃO..

P.s. Um pouco de humor, como sempre, duvidoso.  Atenção às placas de sinalização nas rodovias.

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2 respostas para ENTORNO…

  1. Ferrari disse:

    Então bom amigo, é na medida que desenvolvemos nossos conhecimentos, que desenvolvemos nossa capacidade cognitiva? Depois continuamos… Abraço forte, saúde e alegria. [Estagiário]Ferrari.

  2. Suzete disse:

    Olá Sr. Jurandir, gostaria de saber se posso compartilhar sua página em minha página do facebook ?????? Suzete (voluntária da segunda-feria)

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