O FIO DA MEADA…

Julho de 2013 dia 07, domingo.  Nestas minhas publicações semanais, no afã de parecer muito criativo, tenho praticado a mistura de múltiplos assuntos e diversificados pontos de vista.  Os leitores nem imaginam os malabarismos que me imponho para que, do meio deste novêlo que crio, eu faça surgir um único e definitivo assunto a ser transmitido.  Disseram-me que é até lúdico e terapeutico, para o cidadão idoso, esse cuidado para não  perder O FIO DA MEADA.

A expressão “FIO DA MEADA” surgiu na revolução industrial quando começaram a ser usadas máquinas para fazer tecidos com a manipulação da mão humana. Essas máquinas tinham um suporte para o rolo de fios (meada). A responsabilidade do operário era a de pegar a ponta do fio (o fio da meada) e colocar na posição que a máquina começava a puxar o rolo e fabricar o tecido. Tal função exigia concentração porque o orifício que a máquina usava para puxar o fio era bastante pequeno. Acontece que os rolos passavam um a um a uma velocidade considerável e às vezes o operário perdia o “fio da meada” por falta de concentração, cansaço (devido às exaustivas jornadas de trabalho) ou por ficar fazendo mexericos da vida alheia com seus companheiros de trabalho. Tanto que os dicionários associam a palavra “meada” tanto a “fios” quanto a “mexericos”.

novelo

Meada me lembra novelo, aquela bola feita de fios enrolados que saltitava no amplo avental ao colo de Tia Palmyra, exíminia no tricô. Por vezes rolava e caia ao chão e tornava-se objeto de diversão do gato da casa. Perdoem-me os leitores mais jovens que não têm como fazer idéia de um quadro deste.  Mas… conhecem as novelas que, assim como o fio único enrolado e entrelaçado em meadas e novêlos, tendem a levar os seus ouvintes e telespectadores ao encontro do fio principal… O FIO DA MEADA.

A vida em torno em cada um de nós apresenta-se constantemente enovelada.  Não conseguimos entender como episódios esparsos de nossas vidas ou de outrem, ocorridos em épocas e distâncias as mais aleatórias, acabam se revestindo de significados importantíssimos em datas e locais futuros. É, mal comparando, como os aficcionados do Facebook que vão  acumulando em sua Linha do Tempo fatos e fotos importantes junto à banalidades, futilidades e incoveniências e depois sentem-se desconfortáveis com as consquências. Só que, diferentemente da vida, no Face dá para apagar e cohibir acessos indesejáveis.

Me questiono: Os autores destas novelas constroem suas tramas, obviamente, nos modêlos, transcursos e resultados de vida (enrolada) que testemunham ao redor de suas próprias existências. O material recolhido é então  dramatizado e levado aos extremos do ridículo, do cômico ou trágico de acordo com os horários na busca de uma audiência rentável.   Até onde este produto caricatural poderá ser digerido e assimilado por uma parcela, digamos sonhadora, dessa audiência, colocando-a em perigo de desvios comportamentais?

Desculpem leitores. Velho é uma m… Tende a estragar tudo em volta com seus maus humores. Deixem-me voltar para meu departamento, a geriatria da qual sou paciente e, como todo idoso, impaciente. Imaginemos a novela em que me tornei protagonista aqui no Lar de Idosos.

Há pouco mais de quatro anos a equjpe geriátrica que nos assiste:

  • ·        me encaminhou à Otorrinolaringologia da Santa Casa  de Curitiba em função de apnéia do sono, quando fiz senoplastia e amigdalectomia;
  • ·        pouco depois me conduziu aos cuidados da turma de Urologia, da mesma Santa Casa que procedeu a uma uretroplastia para correção de um estreitamento de uretra;
  • ·        ao submeter-me a uma tomografia para diagnóstico de fortes dores abdominais, percebeu a existência de um duplo aneurisma instalado em minha aorta abdominal e artéria ilíaca direita;
  • ·        o procedimento endovascular reparador teve que sofrer uma preventiva cistostomia devido ao estreitamento da uretra e meu encaminhamento à UTI por causa da apnéia;
  • ·        a repetição das dores abdominais levaram-nos ao meu encaminhamento para o PS do Hospital Cajurú onde, em caráter de emergência a vesícula biliar foi estirpada com cistostomia e UTI;
  • ·        a suspeita de artrose severa foi confirmada pela equipe da ortopedia de quadril do Hospital Cajurú daí as implantações de prótese totais de ambos os quadris que já relatei em publicações anteriores + cistostomia e UTI e,
  • ·        finalmente,  a TVP de que lhes falei na crônica anterior, intuída por nossa competente equipe geriátrica, depois de confirmada e reavaliada encontra-se em pleno processo de acompanhamento e controle.

É senhores, uma autêntica novela.  Então lembrei de importante geriatra que declinou-me uma interessante confidência: “Nós não conhecemos com profundidade todas as demais especialidades médicas mas sabemos, na observância constante com idosos, para onde conduzi-los em seus desconfortos físicos e mentais”. Esses profissionais são imbatíveis na arte de encontrar…

O FIO DA MEADA   

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5 respostas para O FIO DA MEADA…

  1. A.C.Ferrari disse:

    Sabe bom amigo, me ocorreu que: A vida tem que ser tecida ponto a ponto como o casaco da tia Palmyra. E, para se fazer bons casacos e se construir uma boa vida é preciso muita paciência e persistência, qualidades que o tempo se encarrega de nos dar. Melhoras! Abraço. Ferrari.

  2. Ivo Domingues Mendes disse:

    Desejo ao Sr.Jurandir Monçores uma ótima recuperação,seu amigo Ivo mendes

  3. Daisy disse:

    Jurandir, acima de tudo, temos que ter alegria de viver, bons amigos e sabedoria, sendo assim, sempre daremos um jeitinho para que a saúde melhore rapidinho! abraços e boa semana!

  4. Pri disse:

    Tenho o prazer de acompanhar essa novela, no qual o protagonista é de uma alegria e sabedoria admiravél. Seu Jura, não pude sentar para saber direitinho oque houve, pois como sabes,
    estava de saída no dia de minha visita. Por isso conto como uma visita pendente. Espero que esteja se recuperando bem, e se precisar pode contar comigo.

  5. Republicou isso em Espaço de Jurandyre comentado:

    18 de março de 2019. Sete da matina ligo o computador e vou dar uma “checada” em quem já andou acessando meu blog, nesta data e descubro um acesso efetuado nos Estados Unidos em cima de uma crônica passada, exatamente esta que estou agora “reblogando”. Li, reli e fiquei admirado e orgulhoso das coisas que escrevia. VALE A PENA LER DE NOVO:

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