SER PAI…

Segundo domingo de agosto é, aqui no Brasil, o Dia dos Pais. Desavergonhado apelo comercial, mais uma instigação ao consumo que se soma àquelas apresentadas no Dia das Mães, na Páscoa, no Natal e Dia dos Namorados.  Enroscado na data,  me decidi abordar a questão do SER PAI em crônica bastante familiar e pessoal, por isto sugiro que os leitores, pouco ligados a este tipo de informação, parem por aqui mesmo e aguardem um novo “post” que possa lhes ser mais atraente e interessante.

Nem sei bem porque mas,  vou incluir aqui como fundo musical, uma canção antiga de Roberto Carlos, em homenagem a um dos sobrenomes de meus filhos. É só clicar:

Isto porque pretendo ancorar o texto na figura e breve historia de um QUARTETO, indivíduos que praticaram ou praticam essa questão (do SER PAI) de maneiras bem diferenciadas entre si … pode ser uma chatice para vocês, porém, se pretendem continuar, sugiro que clique sobre as imagens para amplia-las e assim satisfazer sua curiosidade doentia (risos).

—————————————————————————————————————————————–O PRIMEIRO

GERALDO MONÇORES, nasceu na cidade mineira de Mar de Espanha, nos encontros dos rios Paraibuna e Paraiba do Sul, em 05 de dezembro de 1908. Veio juntar-se a uma galera de seis outros irmãos “mineirim” que já batalhavam em torno de fábricas de tecidos (Grupo América Fabril e Nova América) nos bairros cariocas do Andaraí, Vila Isabel e Del Castilho . 

Estreou no papel de pai com o meu nascimento em novembro de 36, quando andou batendo cabeça pela cidade de Magé – RJ onde conheceu minha mãe. Quando eu estava com três anos de idade fomos, os dois, abandonados pela minha genitora e o cidadão bravamente e com auxílio de irmãos e cunhadas, implementou(aram) em mim princípios que até hoje reputo bem sólidos e positivos.

paidetodos

PAI DE TODOS

Somente em 1947 (eu estava com 11 anos) decidiu compor um casamento sólido com Dona Cecy Salgado com quem foi residir na localidade de Tomazinho – São João de Meriti – RJ.  Nesta mesma localidade onde ajudou a criar e educar as três filhas do casal, permaneceu até 12 de outubro de 2006, quando veio a falecer após 98 anos de vida.

—————————————————————————————————————————————–

O SEGUNDO

Sou eu mesmo o segundo da lista e meu papo reto, como membro da confraria dos pais aqui enfileirados, pode ser vislumbrado por quem tiver tempo, curiosidade e “saco” (eu avisei lá em cima!) clicando para ler ou reler dentre  minhas crônicas, publicadas em 2008 e 2011 a trilogia: 1)  MEUS FILHOS; 2)  SER AVÔ e 3) HÁ 25 ANOS.  

Ralei e rolei, como já disse, minha infância trocando e cercado de tios, tias, primos e escolas públicas; me habituando a ler o que pintasse na minha frente; adolesci, cresci me meti em mil embrulhadas; cheguei a ser preso como ativista político de esquerda e, então aos trinta anos de idade, casei.  Durante trinta e quatro anos fiz o que pude para ajudar a mãe dos meus filhos a construir, a partir deles, alguma coisa que prestasse.  Creio que fomos bem, mas, muito bem sucedidos!

—————————————————————————————————————————————–

O TERCEIRO

PEDRO DE JESUS meu caçula me convidou para almoçarmos ontem (sábado) em sua casa, na companhia do Rafa e da Duda, seus filhos.  Depois assistimos a um programa de TV, onde o apresentador colocou três astros televisivos, confrontados com seus filhos em um desafio de reconhecimento de seus gostos musicais, atitudes e opiniões. Valia pontos e prêmio e vinha, sendo véspera, como homenagem ao Dia dos Pais.  

O caçula

O caçula

Pedro então falou da dificuldade que provavelmente teria para enfrentar um teste semelhante uma vez que saber e adivinhar gostos, opiniões e atitudes de um filho com seis anos e duas filhas, uma com quatro e a outra com 24 anos (gerações muito diferentes) se constituiria em um osso duro de roer.  Acho que não! O cara é fera!

Cem por cento “home office” , realmente trabalha em casa.  É impressionante como consegue gerir e manter a Caminhões & Carretas,  empresa administradora de sites que divide com dois sócios e, ao mesmo tempo, partilhar com Cristiane minha nora, toda a gama de ações e responsabilidades de uma vida doméstica, por sinal bem sucedida incluindo-se aí o acompanhamento do crescimento dos filhotes.

—————————————————————————————————————————————–

O QUARTO

Paulo de Jesus tornou-se um autêntico Globetrotter. No embalo do seu trabalho na Intergraph, empresa sediada no Texas – USA, o duplo cidadão (Brasileiro e Estadunidense) viaja uma barbaridade! Sem exageros, cinquenta por cento do seu tempo ele pôde e pode ser encontrado nas mais variadas paragens do mundo em cidades de quatro continentes (acredito, não tenho certeza, que ainda não tenha ido à Oceania).

Suas viagens são via de regra em semanas alternadas (ou seja semana sim outra não). Deduzo que, na metade de seu tempo em que paira na cidade domicílio, ele pratique a já consagrada fórmula diária de 8 horas para o trabalho, oito horas de sono, reservando o saldo para a participação familiar com Cláudia, também nora, Giovanna e Cinthia minhas netas.  Deduzo porque, a distância que nos separa, embora amenizada pela telefonia e Internet, não me permite assegurar nada.

Paulo and Family

Paulo and Family

Quando em viagem, sua esposa e filhas, estas sim vivem constantemente conectadas a ele com quem trocam notícias, informações e talvez queixas e reclamações naturais de um relacionamento familiar.  Agora… fotos com imagens desbundantes dos lugares que visita (e o homem é bom nisso!) chegam em aluvião. Claro, nós aqui no Brasil sabemos porque também recebemos.  

Lá nos Estados Unidos, segundo a tradição, o Dia dos Pais é comemorado no terceiro domingo de Junho… Não faço a mínima ideia de como funciona tal comemoração no lar dos Monçores que estão vivendo lá em Houston – Texas.

—————————————————————————————————————————————–

Bem os leitores que conseguiram chegar até aqui puderam fazer uma idéia de quão diferente atuam ou atuaram estes quatro pais, no entanto, eles têm alguma coisa em comum: primeiro o sobrenome que é frequente e modestamente usado como adjetivo… todo Monçores é foda… ; depois a fidelidade conjugal (salvo alguns poucos tropeços), pelo menos em termos de manutenção do casamento.

Seu Geraldo foi parceiro de Dona Cecy por sessenta anos; eu me mantive com a mãe dos meus filhos por 34 anos; Paulo e Cláudia já fecharam nos 20 anos e o Pedro e Cristiane estão chegando aos doze.  Não sei não mais quero crer que os filhos dos casais agradecem. Pelo menos percebe-se algo parecido com carinho até um certo orgulho.

Fica para mim e acredito para os demais do grupo, inclusive o pai que se transferiu para outro plano existencial, a satisfação de dever cumprido ainda que razoavelmente por …

…SER PAI

Esse post foi publicado em CRÕNICAS DE UM IDOSO. Bookmark o link permanente.

3 respostas para SER PAI…

  1. A.C.Ferrari disse:

    Então seu Jura parabéns… Me parece simples, porque nesta família o principal objeto de troca é respeito e amor. Abraço a todos. Ferrari.
    Nota: desculpem a invasão.

  2. Zelia disse:

    Muito bom!! Amo muito os quatro…
    Só para esclarecer, nosso pai partiu para o Plano Espiritual em 12 out 2007.

  3. Valeu pai.. muito bom esse texto.. e 100% seu!!!! Esse vai ser top para os netos e bisnetos do futuro!!!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s