NO RECANTO TARUMà…

Outubro de 2013, dia 06 e eu de volta ao domingo… aqui , NO RECANTO TARUMÃ, após haver usado pecaminosamente uma sexta-feira para o “post” anterior, onde  expliquei – mas não justifiquei – a razão de querer homenagear o Pedro meu filho em seu aniversário.   Aliás – soube depois – 27 de setembro é também data de aniversário do GOOGLE daí, jocosamente, eu acreditar que esta é a causa de tantas pessoas em busca de melhores informações e conhecimento consultarem o Pedrão.

Esqueci de incluir naqueles ACONTECIMENTOS ATUAIS que o 22/09/2013 foi a data em que completei meus 5 anos de ingresso neste Lar de Idosos, bem às vésperas do 92º aniversário da criação da entidade assistencial que nos acoberta e mantém.

Seguinte: Herculano Carlos Franco de Souza, destacado membro da sociedade curitibana lidera projeto para construção de uma casa de atendimento aos pobres. Apoiado por um grupo de personalidades funda, no dia 21 de setembro de 1921,  a Sociedade Socorro Aos Necessitados

Quarenta e um anos depois a Sociedade lança, bem aqui onde agora estamos, a pedra fundamental de uma nova sede que – logo em 1967 – se estabeleceria como Lar dos Idosos – Recanto Tarumã, em um Paraná bem na transição dos progressistas governos de Ney Braga e Paulo Pimentel.

PARANA, AQUI SE TRABALHA

PARANA, AQUI
SE TRABALHA

Este último, recepcionou a mim  e a um  grupo de aprovados em concurso realizado no Rio de Janeiro,  para lotarem a Agência Curitiba do extinto B.N.H.  exibindo placas na rodovia (atual Linha Verde) com os dizeres “PARANÁ AQUI SE TRABALHA, lema do seu governo.  Isto entre 1967 e 68. A maioria de nós acreditou e assimilou a ideia.  Eu mesmo, embora tenha tornado ao Rio em 1970, me vi de volta, em caráter definitivo e com toda a família em 1986… tem valido a pena e vocês, leitores, sabem muito bem do que lhes falo.

Estes meus últimos cinco anos morando NO RECANTO TARUMÃ transformaram, de maneira incrível e positiva, inúmeros conceitos (e preconceitos) que eu vinha portando por esta atribulada e por vezes insana vida do “pequeno burguês”.  Eu acreditava que sabia muito – me “achava” – dentro da ilusão de que eu detinha além do convencional Tecnólogo em Processamento de Dados da PUC-RJ um diploma universitário de conhecimento de vida.  Pois bem se o detinha, creiam-me, aqui venho realizando pós graduação e, modestamente… mestrado.

Como tem sido bom conviver com a desigualdade de meus cento e cacetada colegas de  abrigo. Abrigo não, lar, verdadeiramente, lar.  Que vultos gigantes conseguem carregar, com galhardia e serenidade, deficiências e desconfortos a si imputados pela sorte, destino, ou seja lá o que for. Existem os queixosos, claro, eu também os conheço em grande número transitando fora desses nossos muros e cercas… aliás, em números avassaladores.

E eu, pequenino anão, entrego-me aos cuidados sempre atenciosos da Esmeralda dos serviços gerais; da Ana Carolina da lavanderia; da Penha, Lu, Rosa e todas outras meninas da cozinha; dos profissionais de enfermagem atentos dia e noite conosco e com nossos medicamentos, selecionados e separados pela turma da farmácia, a partir das prescrições pós consultas constantes com a equipe de geriatras.

Anão, porque não tinha ideia da grandeza de conhecer pessoas com toda essa disposição de servir, de ajudar, de entender, de perdoar alguns pequenos lapsos de senilidade, por vezes envoltos em certa dementação.  E olha que ainda não falei do pessoal técnico, terapeutas, gerentes e administradores. Agora aqui no quarto, à frente do meu telão, escrevo enquanto espero o Lucas da enfermagem trazer meu remédio do horário.

Contamos ainda com o carinho e atenção de  visitantes constantes e voluntários. Sobre estes últimos dediquei um “post” identificando-os, segundo meu ponto de vista, em SER VOLUNTÁRIO publicado em julho de 2011.  Ontem fui cercado por um pequeno grupo de alunos do curso de Admistração da FALEC ali no alto de Santa Cândida.  Depois de despejar em seus ouvidos os meus sentimentos e minha ações, enquanto morador da casa, escutei de uma das alunas a afirmação de que percebia que eu me sentia feliz aqui.

É verdade, sinto-me feliz por ter a sorte de encontrar a mim mesmo, e estar mais próximo do Criador, aos setenta e seis anos, aqui mesmo…

NO RECANTO TARUMÃ   

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2 respostas para NO RECANTO TARUMà…

  1. MARCIA disse:

    ADOREI EU TBM CUIDAVA COM MUITO AMOR ,E SEMPRE VOU AMAR OS IDOSOS ,TEM MUITO MAIS …APRENDEMOS MUITO COM O SHR BJS

  2. A.C.Ferrari disse:

    Legal!!! Porque quem se descobre, mais que isso livra-se das amarras; e, RENOVA-SE. Parabéns…

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