QUAL É A BOA …

O horário de verão no Brasil foi adotado pela primeira vez em 1° de outubro de 1931 (cinco anos antes de meu nascimento em 36). Depois de muitas mudanças e ajustes políticos, econômicos e governamentais vivenciamos atualmente o critério estabelecido a partir de 2008: seu início é no terceiro domingo de outubro (hoje, consequentemente) e o final no terceiro domingo de fevereiro, exceto quando este coincide com o Carnaval, sendo então o horário prorrogado em uma semana… por favor não me perguntem o porquê, pois detesto responder perguntas difíceis.

Quanto a responder perguntas difíceis, preciso me reportar à minha infância quando, com a assistência dos meus dois gestores – tio Procópio e papai (já lhes falei sobre esses dois em meu “post” TRANSFORMAÇÕES) – tive respondidas inúmeras delas em minha insaciável necessidade de saber.  Interessante! Mesmo naquela tenra idade pude observar que muitas das respostas eram inéditas para os três… Eles estavam aprendendo junto comigo.  Não pude esquecer esta observação quando, mais tarde, me tornei professor e pus-me a lecionar… Quanto aprendi junto aos meus alunos!

Basicamente, me faziam entender que tudo – absolutamente tudo –   tinha uma razão de ser, de acontecer e de existir.  A fórmula, “Busque as razões e terás as explicações”, eles a haviam herdado de meu avô Aniceto Monçores e usavam-na para justificarem suas respostas à minha ávida curiosidade.

Me fizeram entender que a casa onde morávamos – assim como também a escola, a igreja e a fábrica de tecidos –  estava localizada em uma rua; de um bairro localizado em uma cidade; pertencente a um dos Estados Unidos do Brasil; encaixado no Continente Sul Americano do planeta Terra. Cada item exaustivamente explicado para que eu pudesse me nortear sem GPS.

Entendida essa parte comecei frequentemente a perguntar então: “O que cada um de nós está fazendo neste planeta?” .  Meus queridos leitores, vou tentar sintetizar aqui os que meus “gurus” me passaram não só em uma, mas em sucessivas respostas às sucessivas perguntas “difíceis” que lhes disparei enquanto com eles eu pude contar:

“Estar nesse planeta é viver. Se viver for tentar aproveitar o máximo possível as horas e minutos esse filme é bobo, sem sal, sem audiência.  É preciso ter a certeza de que existe um sentido melhor em tudo o que vivemos.  Nossa vinda ao planeta Terra tem basicamente como motivos:

  • Evoluir espiritualmente e aprender amar melhor;
  • Certificar-se de que todos os nossos bens não são nossos e que nós somos apenas as nossas almas;
  • Aproveitar todas as oportunidades que a vida nos dá para aprimorarmos como pessoas;
  • Lembrar sempre que nossos fracassos são sempre os melhores professores e é nos momentos difíceis que as pessoas precisam encontrar uma razão para continuar em frente;
  • Crer que nossas ações, especialmente quando temos que nos superar, fazem de nós pessoas melhores;
  • Que a nossa capacidade de resistir às tentações e aos desânimos, para continuar o caminho é que nos torna pessoas especiais;
  • Que ninguém veio a essa vida com a missão de juntar dinheiro e comer do bom e do melhor.  Ganhar dinheiro e alimentar-se faz parte da vida, mas não pode ser a razão da vida.

Obtivemos a certeza de que pessoas como Martin Luther King, Mahatma Gandhi, Nelson Mandela, Madre Tereza de Calcutá, Irmã Dulce e outras tantas anônimas, que lutaram e lutam para melhorar a vida dos mais fracos e mais pobres, não estavam motivadas pela ideia de ganhar dinheiro.

O que move essas pessoas generosas a trabalhar diariamente, a não desistir nunca? A resposta é uma só: a consciência de sua missão nesta vida.  Quando você tem essa consciência de que através do seu trabalho você está realizando sua missão, então desenvolve uma força extra capaz de leva-lo ao cume da montanha mais alta do planeta. 

Infelizmente muita gente se perde nesta viagem e distorce o sentido de sua existência, pensando que acumular bens materiais é o maior objetivo da vida.  E quando chega no final do caminho percebe que só vai levar daqui o bem que fez às pessoas.”

Pois é, nós três, chegamos a estas conclusões lendo, ouvindo palestras e debatendo entre nós. Andamos garimpando exemplos de bem sucedidas almas orbitando em nosso entorno.  Queríamos simplesmente saber QUAL É A BOA, em se vivendo. Eu, o remanescente da trinca,, como sabem, estou aqui morando em um Lar de Idosos.

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A noite em minha cama andei contando meus quase setenta sete anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora.  Tenho mais passado do que futuro. Já não tenho tempo para conversas intermináveis para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha. Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas que apesar da idade cronológica são imaturos. O essencial faz a vida valer a pena e, para mim, basta o essencial.

Querem saber.  Acho que acabei descobrindo…

QUAL É A BOA.

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6 respostas para QUAL É A BOA …

  1. Pedro Monçores disse:

    “Para descobrir o propósito de qualquer coisa, consulte o manual ou pegunte pra quem fez” 😉

  2. Clara disse:

    Bela experiência e sempre encantadora sua capacidade de partilha! ao ler aprendi um pouco também!

  3. Zelia Monçores disse:

    Isso mano Jura!!! Só o essencial vale a pena!

  4. A.C.Ferrari disse:

    Então…..Devo dizer; PARABÉNS!!! Abraço. Ferrari.

  5. Domingo, 28 de julho de 2019. Acordei vim olhar os acessos do dia (agora é sete e trinta) e percebi que alguém acessou este post de 2013. Baixei para conferir e percebi que a pessoa tem bom gosto, convido-os para clicar AQUI, e comigo rever…Qual era a boa em outubro de 2013.

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