SABEDORIA …

Ontem, sábado nove de novembro de 2013, mais uma vez fui solicitado para uma pequena entrevista frente à uma câmera e com microfone na lapela.  O escopo dessas equipes de entrevistadores aqui no Recanto é, invariavelmente, levar ao seu público futuro dois tipos de informação: a) Como vivem e como sentem os moradores desse Lar de Idosos e b) Como é recebida e vista por nós as presenças de grupos e pessoas voluntárias que vêm trazer presença, ouvidos e algum outro tipo de doações.

O gerontólogo José Mário Tupiná, supervisor deste nosso Recanto, em palestra neste último 1º de outubro (Dia Internacional do Idoso), nos apresentou a constatação de que a personalidade de cada cidadão se constrói a partir de fatores como: a) sua classe social; b) seu nível cultural; c) seus cuidados com a saúde; d) a atividade produtiva; e) sua crença religiosa; f) a influência dos meios de comunicação; além de alguns outros (muitos) fatores de sua vivência.

Então esse nosso Lar com pouco mais de uma centena de idosos, torna-se habitado com variados tipos de personalidade, uma vez que, como já disse anteriormente, somos todos dotados de muito mais passado do que futuro. Cada um de nós viveu esse imenso passado trilhando a vida com a mais distinta e confusa combinação dos fatores descritos acima… Somos todos rigorosamente diferentes do outro.

Quando sou escolhido tento lembrar-me desse fato para produzir respostas, o mais coerentes possíveis com o ponto de vista da maioria de meus companheiros. Como eu acredito que posso fazê-lo, com boa margem de acerto?

Seguinte, vocês têm conhecimento, através deste mesmo Blog, que fui criado sem a “proteção materna” desde os três anos; bem mais tarde fui ativista de esquerda bem no regime de ditadura militar; motorista de kombi, caminhão, taxi e ônibus no Rio de Janeiro; professor do ensino médio; estudioso de doutrinas e conceitos religiosos; funcionário concursado do extinto B.N.H. atuando aqui em Curitiba e analista de sistemas por 35 anos até me aposentar.

Um passado deste me conferiu uma razoável base de SABER como discernir, observar, analisar (mais nunca julgar), pessoas em ação ou mesmo em repouso.  Uma espécie de grau superior. Então adicionei os cinco anos de moradia neste Lar de Idosos e, com a observação constante e diuturna destes meus cento e quinze companheiros, venho adquirindo SABEDORIA.  Assim como uma espécie de pós graduação e mestrado.

A origem do tema e título desta crônica de hoje, suscitando uma distinção entre os dois vocábulos grifados acima, eu capturei de um e-mail, encaminhado pela minha querida amiga Maria Clara, onde me apresentava dois pensamentos de Cora Coralina.     Cora Corallna

Cora Coralina é o pseudônimo de Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas. Foi uma grande poetisa de Goiás. Fala muito sobre o cotidiano e é uma grande inspiração e motivação para todos! São dela as pérolas abaixo:

“O SABER a gente aprende com os mestres e os livros. A SABEDORIA se aprende é com a vida e os humildes.”

“Feliz é aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina.”

Cora Coralina

Acredito que tenham entendido o porquê me arvoro em “procurador” destes meus colegas em atos de entrevistas aqui no Recanto Tarumã.  É que acredito piamente na informação da poetisa: O que se aprende com a vida e os humildes é …

SABEDORIA

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2 respostas para SABEDORIA …

  1. A.C.Ferrari disse:

    Seu JURA, vale pensar que a soma da idade de 6 colegas desta casa cheia de histórias e emoções, pode ser um numero maior que 500 anos, idade do Brasil! E é importante que estes homens é que fizeram o Brasil ser grande como é; falar disso é valorizar a experiência. Abraço. Ferrari.

  2. Edison Franscisco Kruger - by Amor disse:

    Cada vez que leio seus post e de outros com tenra idade, certifico-me que falta ainda muito a aprendermos sobre os valores das pessoas e até aonde nós iremos com o descuido e desapego a estas tão vastas experiencias. Parece que vamos diminuindo nossas chances no futuro a cada vez que deixamos de lado as experiencias ricas do passado.

    Não sei como ajudar ou corrigir isto, talvez mais uma vez seja de pessoas como o senhor a resposta.

    Ao acaso as vezes me pergunto, por que erramos tanto, se basta olharmos e teremos muitas das respostas certas.

    Abraços seu Jura …

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