EXPERTO …

Dezessete de novembro de 2013.  Neste friorento domingo (sei que é primavera porém estou em Curitiba, não esqueçam!) agora à noitinha prestigiando minha “baixinha de quatro”, forma com que jocosamente denominamos nossas camas aqui no Lar dos Idosos, decidi mergulhar de novo no meu passado, onde parentes e amigos conhecidos viviam dizendo que eu era um garoto EXPERTO, inteligente, sabido e outros “babados” semelhantes.

Talvez o fosse, de alguma forma, uma vez que sábia e instintivamente eu não cria na plena sinceridade daquelas pessoas todas… apenas de algumas delas.  Achava que a maioria buscava me compensar pela falta da “proteção” materna e convivência na casa de tios tipo, “tadinho dele!” e, cautelosamente, vivia tentando me proteger de uma exagerada auto estima.

Vale apenas ser EXPERTO e, o que é isso afinal e, como cheguei a essas indagações? A alavanca foi acionada por uma visitante universitária – devidamente acoplada a um smartphone – e, que ainda assim, me dava explicações sobre o significado nominal do indispensável aparelhinho.

Smartphone, informou ao pobre velhinho que visitava (no caso eu), quer dizer telefone inteligente ou EXPERTO e estendeu ainda mais a explicação ao me informar que haviam também smartTVs que seriam televisores expertos (ou inteligentes) com todas as possibilidades de uso da Internet. Atento e agradecido por toda aquela atenção da jovem fui registrando seu ponto de vista em relação à indispensabilidade do artefato.

E trouxe pra cama a convicção de que o móbile da garota era tão EXPERTO que subtraia da pobre a vontade e a capacidade de pensar, lembrar, observar o entorno de si e até mesmo se expressar e comunicar, entre outras coisas.  Para que, se tudo já estava lá, ao seu dispor, na telinha e ao toque de seus dedos?

Aqui, voltei minhas lembranças para minha infância e juventude nos subúrbios do Rio de Janeiro onde, com meus colegas e amigos professávamos a teoria de que o bom é ficar ichiperretu (essa é a real pronúncia carioca), e manter-se longe das pessoas que, o sendo, subtraem de você o raciocínio e o tirocínio.

Os maiores exemplos que tenho do EXPERTO de que lhes falo nós os encontramos nos livros e narrativas de nossa História quando falam do colonizador, do bandeirante desbravador, da realeza e, atualmente (recentemente), dos  nossos representantes políticos, administradores e governantes.

Esses últimos agem quase da mesma forma como o smartphone da universitária.  Quase, porque as informações e beneficies oferecidas por eles ou oriundas deles, nunca são totalmente confiáveis mas, ainda assim e principalmente os benefícios, subtraem do povo sua capacidade de pensar, lembrar, observar o entorno de si e até mesmo se expressar e comunicar, entre outras coisas.

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Ainda, na onda da gíria carioca da minha juventude, EXPERTO recebia também a denominação de MALANDRO.  E o provérbio que rolava era o malandro de mais se atrapalha.  Podemos fazer com que se atrapalhem o bastante.  As eleições estão aí de novo e acho bom, leitor, que você fique …

EXPERTO

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4 respostas para EXPERTO …

  1. Estevao disse:

    Podia contar mais sobre a sua trajetória. Em capítulos.

  2. Fernanda disse:

    Muito bom!

  3. A.C.Ferrari disse:

    É bom amigo, parece que temos muito contato nas nuvens e nos tubos, infelizmente restritivo ao pessoal; à bem do espírito que deverá prevalecer esta questão vale ainda muita reflexão, muitos outros capítulos. Mais amor não fará mal a ninguém. Parabéns pela sacada. Abraço. Ferrari.

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