CONVIVENDO …

Dois de janeiro de 2014, domingo, e eu aqui aprendendo cada vez mais a conviver com diferentes. Este aprendizado, lembro-me bem, iniciou-se na mais tenra infância quando eu vivia indagando de meus orientadores (papai e tio Procópio, para variar) como é que eu devia dividir espaços, sensações e emoções com os que viviam à minha volta.

Várias fórmulas me eram apresentadas, por um ou por outro, sempre fundamentadas no princípio de que nunca haveria igualdade e, nem constância na intensidade das diferenças: entre uma e outra pessoa; entre um e outro fato; uma e outra época ou situação. O negócio era, e ainda é o “…deixa acontecer naturalmente, eu não quero ver você chorar…” da letra do samba cantado pelo grupo de pagode Revelação.

Deixar acontecer naturalmente enquanto se observa, acompanha e avalia o fato e a(s) pessoa(s) e envidar todos os esforços para que pessoas não fiquem e não saiam magoadas, tipo o milenar e fundamental trecho bíblico Amai-vos uns aos outros”. Com o resultado das observações e ações ali captados você, o indivíduo, faz o registro mental, com os devidos ajustes, para uma boa utilização futura. Por enquanto, ouçamos os Titãs com seu “recado”:

titasNaquela infância pude conviver, logo de saída, com o fato de sobreviver sem a presença materna, vocês já sabem. Esse fato me punha CONVIVENDO com outras crianças, más e boas, em condições de desproporcionais critérios afetivos. Os mentores e professores extra familiares, também, diversificavam suas atitudes em relação a mim. E eu… CONVIVENDO e aprendendo.

Durante seis anos (entre 1952 e 1958), trabalhei na Fábrica de Tecidos Nova América onde fiz de tudo desde auxiliar de produção, aprendiz de tecelão, mecânico de manutenção, até chegar a contramestre de uma das salas de tecelagem, tudo isso CONVIVENDO com jovens e veteranos industriários.

Morava na localidade de Tomazinho em São João de Meriti – RJ, há cerca de vinte e quatro quilômetros, da fábrica para onde me transportava nos trens suburbanos: cerca de três horas diárias (ida e volta) CONVIVENDO com passageiros dos mais variados padrões culturais… e tome conhecimento!

Fiz muita “merda” e, claro, busquei tirar aprendizado disso. A maior foi a de me achar importante no cenário trabalhista, quando CONVIVENDO com sindicalistas e políticos que se rotulavam comunistas, socialistas e outras baboseiras e que fermentavam sua “luta” com a instigação às greves e protestos generalizados para a obtenção de “direitos” populistas.

Fui preso na ocasião. A repressão era bastante severa… e muitas vezes injusta. No bojo daquele balão encontravam-se pessoas sérias e outras… bem intencionadas e, como sabemos: “…de boas intenções o inferno está lotado…”. De lá para cá o populismo cresceu, se agigantou e conferiu poderes quase ilimitados aos seus líderes.

Este poder vêm disseminando: a) propagandas de auxílio de renda; b) bolsas isso e aquilo; c) impostos variados; d) estatutos de proteção; e) cotas para estes e aqueles; e) subsídio para todo tipo de coisa; f) programas de bem-estar social; g) medicina e medicamentos gratuitos e outras “cositas mas”.

CONVIVENDO com todas essas beneficies a populaça usufrui, curte, exalta, retribui com votos eleitorais e aumenta-lhes ainda mais o poder. E, já ouvimos diversas vezes a frase de um tal “John Emerich Edward Dalberg-Acton” (nominho complicado): O poder corrompe. O poder absoluto corrompe absolutamente… E nós outros CONVIVENDO com essa verdade e assistindo vergonhosos episódios de corrupções e impunidades.

Através destas crônicas, de diversas formas, já disse para vocês leitores, que aqui o Lar de Idosos, é acima de tudo um local de contato entre diferentes. Moradores, funcionários, terapeutas, administradores e visitantes, voluntários ou não são, cada um, nosso alvo para a tentativa de uma boa convivência.

O escritor, articulista e blogueiro Ariovaldo Ramos é o autor dessa pérola: Nós não nascemos para viver, nascemos para conviver. Somos seres de convívio. Esse individualismo que existe nos dias de hoje: “você pra mim é problema seu, eu não tô nem aí”, é a morte da humanidade.”

Fujamos ou abdiquemos desta sentença de morte, leitor amigo. Urge que nos empenhemos na gradativa e depois total substituição do individualismo para juntos e agradavelmente estarmos, em paz e serenidade, …

CONVIVENDO

Esse post foi publicado em CRÕNICAS DE UM IDOSO. Bookmark o link permanente.

Uma resposta para CONVIVENDO …

  1. A.C.Ferrari disse:

    O poeta sabe e faz muito bem reverberar bons sentimentos, o curioso é que todos podem e não sabem.Nunca é tarde para começar! É só seguir os bons exemplos, sempre ao nosso lado oferecendo sem pejo lições ao crescimento…Abraço.Ferrari.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s