O QUE IMPORTA …


Novo domingo (09 de fevereiro de 2014) e eu aqui em Curitiba, uma das mais frias capitais do país, suando sob 32 graus e sensação térmica de 38.  O QUE IMPORTA é que este nosso Lar de Idosos é cercado de espaços livres, repletos de árvores, arbustos e aves e eu, assim como os companheiros de morada, não temos nenhum compromisso familiar ou social contando com nossa gestão.

Saudoso do calor carioca (aqui não contamos com mar e montanhas por perto). Apenas o vento, vez por outra, faz o seu percurso através do planalto quando então buscamos nos empinar como papagaios, ao seu sabor e caricias. O QUE IMPORTA é, que esta dádiva divina nos é oferecida absolutamente “de grátis” só nos restando agradecer à Criação e ao Criador.

Assim como vocês, mais jovens, passei toda a minha vida em busca das coisas importantes para mim, sem me aperceber do aspecto relativo da coisa.  O QUE IMPORTA? A noção mais próxima da minha verdade sobre o tema veio se construindo a partir daquele momento em que abandonei as destemperanças da juventude e constitui minha própria família, isso aos trinta anos de idade.

Fui percebendo gradativamente que o valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis.  Ao tomar uma decisão de menor importância, eu descobri que é sempre vantajoso considerar todos os prós e contras. Em assuntos vitais, no entanto, tais como a escolha de uma companheira ou profissão, a decisão deve vir do inconsciente, de algum lugar dentro de nós. Nas decisões importantes da vida pessoal, devemos ser governados, penso eu, pelas profundas necessidades íntimas da nossa natureza.

GEORGE CARLIN

GEORGE CARLIN
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Um texto de George Carlin, comediante de stand-up, ator e autor norte-americano vencedor de cinco Grammys, despencou no meu colo enquanto escrevia esta crônica e eu não consegui ignorá-lo.

“Nós bebemos demais, gastamos sem critérios. Dirigimos rápido demais, ficamos acordados até muito mais tarde, acordamos muito cansados, lemos muito pouco, assistimos TV demais e raramente estamos com Deus. Multiplicamos nossos bens, mas reduzimos nossos valores. Nós falamos demais, amamos raramente, odiamos frequentemente. Aprendemos a sobreviver, mas não a viver, adicionamos amor à sua vida e não vida aos nossos anos. Fomos e voltamos à Lua, mas temos dificuldade em cruzar a rua e encontrar um novo vizinho. Conquistamos o espaço, mas não o nosso próprio. Fizemos muitas coisas maiores, mas pouquíssimas melhores. Limpamos o ar, mas poluímos a alma; dominamos o átomo, mas não nosso preconceito; escrevemos mais, mas aprendemos menos; planejamos mais, mas realizamos menos. Aprendemos a nos apressar e não, a esperar. Construímos mais computadores para armazenar mais informação, produzir mais cópias do que nunca, mas nos comunicamos menos. Estamos na era do ‘fast-food’ e da digestão lenta; do homem grande de caráter pequeno; lucros acentuados e relações vazias. Essa é a era de dois empregos, vários divórcios, casas chiques e lares despedaçados. Essa é a era das viagens rápidas, fraldas e moral descartáveis, das rapidinhas, dos cérebros ocos e das pílulas ‘mágicas’. Um momento de muita coisa na vitrine e muito pouco na despensa. Uma era que leva essa carta a você, e uma era que te permite dividir essa reflexão ou simplesmente clicar ‘delete’. Lembre-se de passar tempo com as pessoas que ama, pois elas não estarão por aqui para sempre. Lembre-se dar um abraço carinhoso num amigo, pois não lhe custa um centavo sequer. Lembre-se de dizer “eu te amo” à sua companheira(o) e às pessoas que ama, mas, em primeiro lugar, ame… Ame muito. Um beijo e um abraço curam a dor, quando vêm de lá de dentro. Por isso, valorize sua família e as pessoas que estão ao seu lado, sempre.” George Carlin

Achei este texto simplesmente perfeito. Nem preciso esclarecer que aqui no Lar a maioria não comunga esta forma de encarar a coisa… É uma pena porque nas condições e idades que nos encontramos tornar-se–ia glorioso aceitar que, se uma ofensa for recebida, o ser ofendido não tem importância nenhuma, a não ser que nos continuemos a lembrar disso.  E você caro leitor que – se tiver sorte – chegará também nesta nossa idade, sugiro que repense antes de intitular sua vida como “ruim”, lembrando que se o for é porque você a faz assim.

Para mim, queridos, somente existir é …

.. O QUE IMPORTA

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5 respostas para O QUE IMPORTA …

  1. Pedro Monçores disse:

    “se o for é porque você a faz assim”… essa frase final, realmente é o que importa (pro bem ou pro mal).. bom texto!!!

  2. Clara disse:

    … uma pérola!

  3. Luiz Carlos Woloszyn disse:

    Texto muito belo, de quem possui com certeza mta sabe

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