CENTRISMO …

Domingo de carnaval este 02 de março de 2014 e eu aqui, no Lar de Idosos, cuidando para não sentir-me fora do eixo, uma vez que alguns parentes e pessoas mais chegadas me consideram um sujeito centrado. Olha gente, não sou e nem consigo ser isso tudo não. Volta e meia sinto-me orbitando “fora da casinha”, o que é bom pois me força a fugir da indolência para buscar o meu CENTRISMO.

Teoricamente o centro seria o ponto de estabilidade de qualquer coisa, ação ou pessoa. O CENTRISMO. na política, dentro do conceito da existência de uma Esquerda e Direita (política), é a posição de quem se encontra no centro do espectro ideológico – essa fui tirar do fundo do meu baú quando me acreditava ativista de esquerda – esta visão centrista seria a utilizada pelos moderados contrários ao capitalismo selvagem e ao marxismo.

Episódios recentes me levaram a refletir sobre essa mania moderna de que pessoas e partidos não tomam… partido. São da turma do nem-nem: nem de direita, nem de esquerda e usam o CENTRISMO como refúgio dos covardes, a posição “sobre o muro” lhes é extremamente confortável. Chega de falar em política este assunto não pertence mais a este cronista septuagenário.

Como já devem saber fui professor de Ciências, Geografia e História e me recordo da grande dificuldade que encontrava, junto aos alunos, para mascarar minha incredulidade a alguns dos enunciados contidos nos livros e compêndios que o MEC nos provia para a difusão de conhecimento.  Mas, voltando ao CENTRISMO como o ponto de estabilidade que me referi acima lembremo-nos de Ptolomeu e sua teoria geocêntrica quando afirmava ser a Terra fixa (imóvel) com o Sol, a Lua, os planetas e estrelas girando ao seu redor.

A Igreja fundamentava-se na Teoria Geocêntrica, e agia de modo bravio, contra qualquer conceito contrário a esta teoria porque afinal ela conferia ao planeta uma importância desmedida para o convencimento dos povos em seguir os preceitos, ditames e obediência à sua disseminação doutrinária. Imaginem, eles habitavam o centro do Universo!

Aí, por volta de 1543, pintou nas paradas Nicolau Copérnico, claro que já ouviram falar dele também. Depois de minuciosos cálculos matemáticos, ele deduziu: A Terra executa um movimento completo em torno de seu eixo. Isso explicaria o movimento do Sol e das estrelas, produzindo o dia e a noite. Novos cálculos o levaram a atribuir ao Sol o movimento anual, que na verdade é executado pela Terra.

Durante 30 anos, Copérnico, analisando e meditando nas suas próprias observações, concluiu a sua teoria. Como uma das suas maiores características era ser prudente, de início, apresentou sua teoria como mera hipótese, já que naquela época eram comuns, as condenações por heresia.

E o homem que iria ficar com sua importância reduzida, em termos de CENTRISMO, rapidamente migrou para … o “egocentrismo”. Um termo que faz referência ao facto de se centrar no ego (isto é, o “eu”). É a exagerada exaltação da própria personalidade. O egocêntrico faz, da sua personalidade, o centro de todas as atenções. Os psicólogos são da opinião que o egocentrismo consiste em crer que as opiniões e os interesses próprios são mais importantes que os pensamentos dos demais. Segundo estes, o egocêntrico julga-se o único a ter valor.

Se eu disser que o egocentrismo é hoje uma das características mais insanas – sob o ponto de vista psicológico – que atinge a humanidade como um todo – estarei apenas sendo descritivo e informal, pois basta olhar em volta e assistir ao show diário de acontecimentos cotidianos. O homem e a mulher atuais são egocêntricos, como tal, não se enxergam, um ao outro, de fato.

Pode acontecer da mulher, para sua decepção, esperar que o homem aja de acordo com as expectativas dela. Vice versa, o homem sofre no relacionamento por desejar que a mulher se conduza do mesmo modo masculino que lhe é familiar. As relações, portanto, são de desencontro, decepção e desilusão. Ela quer envolvimento e ele quer, bem, sexo… Ele quer cumplicidade e satisfação e ela quer julga-lo e enquadra-lo em seus próprios valores.

Chato isso, não. Mas e a ciência e a tecnologia será que não pode dar u`a mãozinha nesse despropósito? Difícil acreditar que possa, ao contrário exacerba-o. Crianças, jovens adolescentes, adultos, sêniores e até nós os idosos, estamos conclamados e intimados a centralizar — todas nossas imagens; nossos interesses; busca ou a difusão de informações; contatos profissionais, sociais, científicos e, sobretudo banais — em aparelhinhos eletrônicos conectados com o mundo.

UMBIGOCENTRISMO

UMBIGOCENTRISMO

Os celulares, revelam-se descaradamente como parte da anatomia dos seres. Apenas por curiosidade, os leitores já devem ter observado que os tablets e smartphones, constantemente sob consultas, se posicionam quase sempre próximo e na direção de nossa cicatriz umbilical, deixando-nos na era do UMBIGO

CENTRISMO

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2 respostas para CENTRISMO …

  1. A.C.Ferrari disse:

    Está feriado no “país da fantasia” é tudo que momo quer…hoje é isto e logo copa. Mas, que bom que há seguidores da momus, a deusa das burlas e do sarcasmo; e, salve a ironia inteligente dos poetas e escritores que não se rendem ao convencional. Abraço. Ferrari.

  2. Pedro Monçores disse:

    Equilíbrio é o segredo (nem sempre no centro dependendo das extremidades)!!! Falow.

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