UM CLÁSSICO …

Após cinco semanas inteiras de afastamento desse meu Blog, estou de volta. Ofereci-me a desculpa da cirurgia na mão (destra, não a canhota) para não publicar nada. Só que eu adoro ler o que escrevo e daí não me sinto disposto a aceitar este pedido de desculpa, sem uma auto admoestação (ou seja, sem uma bronca em si próprio).

Bela data de retorno neste 20 de abril de 2014, domingo de páscoa. Grupos e pessoas voluntariamente nos visitando doando-nos atenção carinho e… chocolates. Neste fim de semana fomos colhidos pela notícia do falecimento, por infarto e aos 66 anos, de Luciano do Valle, íntegro e competente narrador e comentarista de esportes.

TODOS os esportes se revestiam de importância na voz firme e empolgada do comunicador que levava seus ouvintes e telespectadores as raias do entusiasmo pelos esportes e esportistas, principalmente quando brasileiros em momentos de glória! Futebol, Vôlei, Basquete, Natação, Atletismo, Tênis, Artes Marciais, Automobilismo e até (pasmem leitores) torneios e campeonatos de Sinuca. Acho que não seria exagero considera-lo UM CLÁSSICO comunicador.

Morreu também nesta última quinta-feira (17), aos 87 anos, Gabriel García Márquez. Li e depois reli por imposição de um trabalho de classe quando no colegial, seu “Cem Anos de Solidão”, o melhor livro em espanhol já escrito desde Dom Quixote, segundo Pablo Neruda. Carrego ainda na memória os acontecimentos da cidade de Macondo:

“Uma população inteira que perde a memória; “Mulheres que se trancam por décadas numa casa escura; “Homens que arrastam atrás de si um cortejo de borboletas amarelas” além de outros produzidos pelo personagem Malquíades, um sábio cigano que morre e ressuscita diversas vezes no decorrer da história, personagem chave para o enredo de Cem Anos de Solidão. Vendeu mais de 30 milhões de exemplares em todo o mundo desde o seu lançamento. E transformou se em UM CLÁSSICO.

Estou enunciando o termo clássico… Afinal o que vem a ser UM CLÁSSICO? Chafurdando pelos meandros de toda a História encontramos explicações de que ele é caracterizado por sua dimensão edificante, seus componentes morais e a sua capacidade de apresentar as paixões humanas de forma decorosa e que aproxima-se daquilo que (de forma mais ou menos nebulosa) chamaríamos de perfeição.

Sucessivas mudanças culturais, ocorridas no Ocidente, especialmente a partir dos anos de 1960, quebraram toda e qualquer ideia de obra modelar e instauraram um conceito mais amplo e flexível do que seria UM CLÁSSICO. Hoje tomamos conhecimento da literatura clássica como Os Lusíadas, de Luiz de Camões e da música clássica tendo como exemplo As quatro Estações (quatro concertos para violino e orquestra dedicados ao Verão, Outono, Inverno e Primavera) de Antônio Vivaldi.

No Brasil costumamos considerar o confronto entre duas entidadesUm clássico esportivas importantes, geralmente da mesma cidade, região ou estado, também como UM CLÁSSICO. Então agora é chegada a minha hora de incentivar os leitores à uma nova reflexão. A ideia foi gerada a partir de uma das fotos com dizeres, que povoam às redes sociais, levada à minha linha de tempo e que recebeu a concordância de um punhado de amigos(as) quando figurou na rede com os dizeres associados à minha pessoa.

Tenho a esperança, jovem leitor, que você atinja isso que é por aí chamada A Terceira Idade. Concordo que não é tão fácil assim, uma vez que vocês aí de fora (fora destes muros – de um Lar de Idosos – que nos abrigam) vivem driblando: a violência no trânsito urbano ou em estradas; a insegurança pública generalizada; a dependência de um SUS capenga com atendimento demorado e a uma rede de planos de saúde inepta e infiel.

Sugiro que desde agora adapte aos seus atos e pensamentos, dimensões edificantes, componentes morais e capacidade de apresentar as paixões humanas de forma decorosa e, aí então ao chegar nesta nossa idade, você teria chances de atribuir para si próprio(a) e crer nos dizeres daquela foto: “NÃO ESTOU ENVELHECENDO ESTOU ME TORNANDO…

UM CLÁSSICO

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4 respostas para UM CLÁSSICO …

  1. A.C.Ferrari disse:

    Que bom!!! Voltou bem; como o “senhor” do seu tempo. Me faz pensar que a cronologia é secundária para pessoas inteligentes, comprometidas com as coisas maiores que a vida tem para se “conquistar”… Grande abraço, saúde e paz. Ferrari.

  2. Robson Wagner de Souza disse:

    Que um dia eu possa escrever um clássico, assistir a um clássico e dependendo das condições ser um.

  3. Seu Jura! Sinto-me orgulhoso em ter como amigo um “Clássico ” como você!

  4. Zelia disse:

    Que bom este retorno!!! Saudades mano Jura!!!

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