RETOMADA…

Segunda feira, 27 de março de 2017.  Turva manhã, nebulosa e um tanto fria para minha nova RETOMADA ao blog. O sol se recusa a expor seus raios, brilho e calor, o que causa a imediata transferência dessa nebulosidade para dentro daqui dos moradores de nosso Lar de Idosos. Talvez nem de todos, porém eu estou sentindo a necessidade urgente de ativar as baterias de recomposição do ser contente e esperançoso de outras melhores manhãs.

Quanta baboseira! Dirão vocês meus pacientes e mais jovens leitores. Acontece que ao prometer no post anterior estar de novo presente neste blog, deixei de contar que durante os 22 meses que estive ausente outro fato notável aconteceu: no dia 25 de novembro de 2016 completei meus 80 anos de vida terrena. Daí quem vos fala presentemente é um octogenário, o que me confere o direito de chamá-los de mais jovens leitores.

 Então, meus jovens, o que teria um cara desse para desovar pra cima de vocês, além do clichê “no meu tempo…”?   Talvez uma observação de tempos atuais, como por exemplo uma matéria colhida ainda há pouco na TV em um jornal da manhã revelando uma professorinha de um CMEI, de uma cidadezinha do interior daqui do Paraná, que aplicava umas palmadinhas no bumbum de um  bebê que chorava, enquanto ela a cuidadora se comunicava com alguém no celular… celular!!!

Aparentemente, tudo muito normal nos tempos atuais. Não sabemos, porém, que notícias, denúncias ou reclamações a moça do celular estava recebendo através do aparelho, só o que se viu no vídeo é que o vigor das palmadinhas assim como o volume do choro do bebê, foram aumentando num crescente assustador, até que a “profissional” largou um pouco o aparelho entrando em luta corporal com a criança, atirando-a de bruços no berço ou caminha aos sacolejos.

Bem,   “no meu tempo…”, não existiam celulares; as pessoas dificilmente executavam mais de uma tarefa ao mesmo tempo (excluindo-se as mães e mulheres donas de casa  daqueles tempos). Hoje as donas de casa delegam (terceirizam) seus afazeres e as mães contam com os CMEIs para cuidar de seus bebês, enquanto se atiram em novas profissões e atividades fora de casa ou as vezes em casa mesmo. As crianças e idosos eram respeitados e até amados, os primeiros por serem indefesos e queridos e os mais velhos, quando não indefesos e queridos também, pela experiência e conhecimentos acumulados.

Os homens, da mesma forma, se apropriaram de novas atividades, em paralelo com àquelas que cumpriam tradicionalmente, numa competição constante entre seres em busca, cada qual, de melhor performance. O curioso é que muitos desses homens e mulheres atuam com suas disponibilidades do tempo paralelo, justamente em organizações como os CMEIs (Centros Municipais de Educação Infantil) e ILPIs (Instituições de Longa Permanência de Idosos), criados e disseminados para que netos e avós disponham de uma atenção especial, enquanto seus pais e filhos entregam-se às multi jornadas.

Atuando desta maneira, lá, aqui e acolá, com essas, aquelas e outras pessoas, o cidadão e cidadã criaram uma necessidade enorme de intercomunicação rápida e imediata entre lugares e gente que, a Internet com seus mobiles (tablets, celulares e smarts) chegaram junto, ficaram e permanecem, como solução. O indivíduo alocado a certa tarefa, em especifico ambiente e relacionando-se com determinada(s) pessoa(s) pode tomar conhecimento imediato de um fato ocorrido em outro local envolvendo outras.

Voltando à professorinha do CMEI, coloco-me empaticamente, no lugar do bebê… O pobrezinho entrou numa furada tremenda… Então imagino, quantas pessoas têm estrutura moral e psicológica para impedir que uma informação que lhe seja desconfortável vá interferir naquilo em que estão envolvidas e comprometidas naquele momento. Não sei. Já tenho 80 e vivo torcendo para que fatos como os que aconteceram com o menino sucedam cada vez menos comigo.

E vocês, meus jovens leitores. Se estão ligados e percebem o quanto suas práticas e atitudes poderão estar livre de seu próprio policiamento, parabéns. Muitas atividades sendo disparadas de maneira conveniente, hoje? Amanhã tem mais e espero que acordem prontos, dispostos e atentos para uma nova…

…RETOMADA

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