DESESPERAR NUNCA…

Domingo, 28 de maio de 2017. Para os devotos da Igreja Católica Apostólica Romana, Hoje –7º Domingo da Páscoa – denomina-se o “Dia da Ascensão do Senhor”. Quando perguntam sobre qual a minha religião, fico meio sem resposta sabem, não sou devoto, e muito menos fanático.  Minha religiosidade eu a exerço de acordo com os princípios que nortearam minha infância e adolescência.  Já contei para vocês que minha mãe me deixou aos três anos de idade aos cuidados de meu pai, isso em 1939.

Naquela época, sem os recursos hoje proporcionados pela modernidade, o “velho” não podia arcar com a responsabilidade de criar sozinho o guri e optou então por recorrer a “irmandade”, literalmente falando.  Vou esclarecer isso: Geraldo Monçores, meu pai, veio de Minas Gerais para o Rio de Janeiro onde juntou-se aos cinco irmãos que já ali estavam instalados, trazidos que foram por outra irmã, com o intuito de trabalharem na indústria de tecelagem e de viver como os locais.

Cristina, a irmã, trabalhava como doméstica nas casas de donos dessas indústrias e aí, com o famoso jeito mineirinho maquinou o “passaporte” para que os manos Guilherme, Procópio, Juvenal, Graciliano e Aristides, fossem devidamente “encaixados” em novos empregos e moradias.  Resumo da ópera, com exceção do Guilherme e Procópio que já vieram casados, os outros três se constituíram em novas famílias.  Aí estava montada a “irmandade” a que me referi acima.

Sem a super proteção da mamãe, cresci aprendendo com tios e primos formas diferentes de observar, desenvolver e conduzir a infância e, mais tarde, a adolescência.  Descobri que a essência do modo Monçores de levar a vida, transmitida de meu avô Aniceto para seus filhos era simples.  Apesar de percalços que possam ocorrer em nossos caminhos a fórmula “DESESPERAR NUNCA” é a única opção.

Morando ou passando dias na casa de cada um dos meus tios, verificava a diferença impressionante entre as pessoas que ali viviam.  O provérbio cada cabeça uma sentença realizava-se plenamente e eu, bebia daquela fonte de conhecimento da vida uma vez que fora dali, no mundo, o fato persistia.  Ninguém é igual a outro nas atitudes, concepções, julgamentos… em nada.!

Meu pai encontrava-se comigo nos domingos e saíamos a passear eu tagarelando minhas impressões e minhas dúvidas.  Ele pacientemente ouvia e me dizia que o importante era eu prestar atenção aos resultados que outros obtinham, se não os achasse bons para mim, então não seguiria os exemplos.

Deduzi que meu velho sugeria assim que eu deveria, respeitando as diferenças dos outros, aprender a ir tecendo minhas próprias ações e reações de forma a desembaraçar meus caminhos.  Fui percebendo que, atento aos meios da leitura e palestras, poderia selecionar escolhas bastante interessantes para o meu aprendizado e bem estar.  As sugestões e exemplos partidos de meu pai e “sus hermanos”, meus tios, mais conhecidos como “a Monçorada” pelos mais íntimos, chegavam prenhes da sabedoria colhida na vida simples do interior mineiro e servida na mesa de meus avós.

Beleza pura ! Querem saber, acho que eu vivo assim até hoje.  Constatei e creio ainda que a existência, toda ela, é regida e administrada por um Criador fabuloso que, dentro de sua Criação, nos produziu humanos com raciocínio e livre arbítrio suficiente para, além de crer na Sua existência, entendê-Lo e, consequentemente, respeitá-Lo.  Podemos, se assim quisermos e aceitarmos, considerar que em qualquer tempo, local ou situação em que nos encontrarmos Ele, o Criador, estará presente e ao nosso alcance.

Voltando às religiões. Ainda cedo assisti missas e frequentei escolas de ensino do catecismo em igrejas católicas, bem mais tarde, quando voltei a encontrar com minha mãe, aos 15 anos de idade, conheci meus irmãos de um novo casamento dela — três deles chamavam-se Abraão, Moises e Myriam e ela, minha mãe, frequentava uma Igreja Batista. — numa visita de uns dias com ela tentei ler a Bíblia como se fora um livro comum, seguidamente, não consegui é claro a Bíblia, percebi, é um livro de consultas.

Consultas sim pois a Bíblia, repleta de metafóricas parábolas ali contidas e distribuídas em livros, capítulos e versículos, contém informes e testemunhos de profetas e apóstolos do Cristoeste último, feito à imagem do homem e entre eles inserido pelo Criador para que pudessem (os homens), apreender a forma ideal do uso da existência.  No primeiro livro Gênesis, é retratada a criação, com Adão, Eva e companhia —  no Velho Testamento profecias da “chegada” de Jesus Cristo – havendo ele chegado, o Novo Testamento deu-nos o curso dos efeitos de sua passagem por aqui – finalmente o Apocalipse notificando eras de desespero, ai lembrei de vovô:… DESESPERAR NUNCA. 

Hoje, como disse no começo, é o “Dia da Ascensão do Senhor”. O rótulo foi posto pela Igreja após consultar a Bíblia no seguinte trecho:

Primeira Leitura (At 1,1-11)

Leitura do Livro dos Atos dos Apóstolos:

No meu primeiro livro, ó Teófilo, já tratei de tudo o que Jesus fez e ensinou, desde o começo, até o dia em que foi levado para o céu, depois de ter dado instruções pelo Espírito Santo, aos apóstolos que tinha escolhido.Foi a eles que Jesus se mostrou vivo, depois de sua paixão, com numerosas provas. Durante quarenta dias apareceu-lhes falando do Reino de Deus.Durante uma refeição, deu-lhes esta ordem: “Não vos afasteis de Jerusalém, mas esperai a realização da promessa do Pai, da qual vós me ouvistes falar: João batizou com água; vós, porém, sereis batizados com o Espírito Santo, dentro de poucos dias’”.

Então os que estavam reunidos perguntaram a Jesus: “Senhor, é agora que vais restaurar o Reino de Israel?”Jesus respondeu: “Não vos cabe saber os tempos e os momentos que o Pai determinou com sua própria autoridade.Mas recebereis o poder do Espírito Santo que descerá sobre vós, para serdes minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e na Samaria, e até os confins da terra”.Depois de dizer isso, Jesus foi levado ao céu, à vista deles. Uma nuvem o encobriu, de forma que seus olhos não podiam mais vê-lo.10 Os apóstolos continuavam olhando para o céu, enquanto Jesus subia. Apareceram então dois homens vestidos de branco,11 que lhes disseram: “Homens da Galileia, por que ficais aqui parados, olhando para o céu? Esse Jesus que vos foi levado para o céu virá do mesmo modo como o vistes partir para o céu”.

Meus leitores, quero entender que agora já com a idade avançada, corpo, sentidos e órgãos em processo de mutilação natural posso e devo interpretar o que aqui está escrito como um alerta de preparação para minha hora suprema de também olhar para o céu e esperar a vinda do senhor… Esperar sim, porque…

DESESPERAR NUNCA..

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2 respostas para DESESPERAR NUNCA…

  1. Você é o cara mano Jura!!! Muita bacana você falar com naturalidade, da sua infância, ausência materna e tantas outras coisas… E falar da Monçorada com tanto carinho, é gratificante ver…

  2. Pedro Monçores disse:

    Mais um post para posteridade… contado de você sobre você. Vamos guardando as pérolas para a geração futura… isso, nenhum Monçores do passado tem escrito (somente nas memórias).

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