NÃO RESISTIU…

Domingo, 30 de julho de 2017, Os jornais televisivos têm a incrível missão de fazer da notícia – qualquer que seja – parte de um show de atrações para nós cidadãos mais desavisados. Nos informes sobre a violência urbana, que infelizmente vêm povoando, de forma incontrolável, o nosso dia a dia insistem no clichê de que não se deve resistir aos assaltos, pois o risco de pagar com a vida é enorme.

Ainda assim há os que resistem. — No decorrer desta nossa última semana mãe e filha (93 e 73 anos respectivos), em interior de cidade paulista, ao dirigirem-se para embarcar em seu automóvel, foram surpreendidas por assaltante. — Mamãe apoiada em uma bengala que a sustentava, ignorou as recomendações dos jornais e baixou a porrada, cobrindo de bengaladas o meliante. — Não houve perda de vidas, mas, o carro dançou!

Mais na maioria dos casos onde há resistência do assaltado que se recusa a entregar o objeto – geralmente o celular – uma facada ou disparos encerra o entrevero — A vítima é atendida e levada ao hospital onde – segundo a conclusão do noticiário – NÃO RESISTIU.

Ivete cuida para se tornar irresistível. Se esmera no cuidado com a aparência, com o corpo. Frequenta a academia, zelosa mantém glúteos firmes e incisivos. Veste-se com apuro e certa dose de “veneno”. Decotes generosos não deixam muito espaço para imaginação masculina e… porque não feminina, também. O espelho é a peça mais importante da decoração de qualquer ambiente em que se encontre. Um arraso.

Apolo nem sabe como começou nas drogas. Percebe apenas em alguns (poucos) momentos de lucidez, que tem alguma coisa errada com o mundo. Então precisa novamente se evadir desse mundo errado cheirando algo para o qual não tem dinheiro para comprar, como fazer?  A necessidade torna-se grande, urgente e Apolo já vendeu tudo que pôde alcançar em casa, só ainda não vendeu o canivete que encontrou na gaveta do pai, ontem.

Apolo vê Ivete na rua e não consegue tirar os olhos do… celular da jovem. Imagina que Júlio o receptador vai lhe dar uma grana razoável. Acerca-se da jovem levando-a contra a parede, exibe o canivete e dá voz de assalto, ameaçador. Ivete não consegue acreditar que o cara nem olhou para seu decote e suas curvas e só quer pegar o aparelho e fugir, dela. – Resiste grudada ao celular e é esfaqueada diversas vezes. O atendente da ambulância a examina, e constata:  NÃO RESISTIU.

palhaçoGenauro, um dos nossos colegas, moradores aqui do Recanto era pródigo em falar de suas experiências circenses. Volta e meia era flagrado a descrever suas atividades em picadeiros. Costumava exaltar o personagem “palhaço peteleco” que criou e manteve em sua juventude. Como cada um de nós, era vítima de sérias comorbidades (ocorrência simultânea de mais de um transtorno de saúde). Não pude saber qual se evidenciou nessa madrugada e o nosso Peteleco…

NÃO RESISTIU.

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3 respostas para NÃO RESISTIU…

  1. Pedro Monçores disse:

    Cada vez mais o negócio é prevenir…. Porque talvez quando for remediar… Não resista!!!!

  2. Vai escrever assim lá na conchinchina….acho que é assim… Adorei!!!

  3. Republicou isso em Espaço de Jurandyre comentado:

    Sexta-feira, 24 de julho de 2020. Esta crônica me serviu para falar de um ex-companheiro nosso que falaceu ao fim de julho de 2017. Relendo-a não resisti e decidi reblogar hoje.

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