CRIANÇA…

Domingo, 05 de novembro de 2017. –  Após o café, comecei a bolar um tema para a crônica de hoje,  enquanto  sentado  no  meu pátio predileto,  espero com extrema paciência a aparição do Astro Rei.  – Paciência pois, afinal  não sou mais nenhuma CRIANÇA  ansiosa exigindo imediatismo e positividade nas minhas necessidades e apelos.

Ontem, sábado, tivemos aqui um pequeno mais expressivo grupo voluntário, a bem da verdade, quatro jovens estudantes do Curso de Pedagogia da Falec.  Kathlyn mais suas três colegas chegaram travestidas em barbeiras e cabeleiras, e deram um “tapa” em nossas velhas e sofridas aparências. – Sempre curioso, perguntei as meninas que ligação poderia haver entre o que vieram fazer e seu estudo.

faalecA resposta me surpreendeu, pois a sugestão teria partido do professor delas,  atônito tentava ainda entender…  Fui,  como sabem meus leitores, professor nas matérias de Geografia, História e Ciências e nunca havia entendido muito claramente a diferença – se é que há – entre professor e pedagogo,  pra variar, recorri ao Wikipédia e achei: “O termo pedagogo, como é patente, surgiu na Grécia Clássica, da palavra  ιδαγωγός  cujo significado etimológico é preceptor, mestre, guia, aquele que conduz.”.

Ainda, A palavra Pedagogia tem origem na Grécia antiga e vem das palavras: paidos” (“da criança”) e “agein” (“conduzir”).    Resolvi entender então, que este prefixo “ped” está diretamente ligado a algumas palavras  já conhecidas como pediatra e  pedófilo, vocábulos que nos remetem sempre à CRIANÇA. –    O coroa é “folgado” não acham? Vejam que digo: “resolvi entender” ! Pode uma coisa dessas?

Brincadeiras à parte e voltando as nossas voluntárias, convenhamos que a sugestão do orientador,  não foi totalmente descabida.  –  Se alguém está se preparando para atuar como preceptor, mestre, guia, ou aquele que conduz ,   nada melhor do que acumular cada vez mais experiências e conhecimentos  que    ocasionalmente serão repassadas(os) àqueles que se beneficiarão com a ação do Pedagogo.

Aqui,  no Lar de Idosos,   somos constantemente tratados por alguns visitantes e uns poucos funcionários, de forma infantilizada como se rebeldes ou ingênuos pirralhos fôssemos. –  Em decorrência,  alguns de nós acomodam-se no papel e  comportam-se como frágeis e carentes solicitantes de “colinho amigo” ao passo que outros rebeldes  fazem “beicinho” ou cara feia,  por vezes ao som de impropérios.

Saibam vocês que carregar sessenta, setenta ou bem mais anos de existência – muitas vezes com a sobrecarga de males e mutilações – pesa muito, exaure, e mexe bastante com a autoestima e capacidade de raciocinar condignamente. Por isso perdoe-nos os  maus procedimentos. Afinal, há muito, nenhum de nós aqui é mais …

CRIANÇA.

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