SEM COMENTÁRIOS…

Domingo, 11 de fevereiro de 2018 – Ainda não consigo acreditar em pura coincidência, pero que las hai, las hai.    Na minha crônica do domingo passado, a DEDICAÇÃO  foi o título e tema que usei, cheio das boas intenções.  Ali eu mencionei nominalmente algumas das pessoas responsáveis pelo nosso bem estar aqui neste Lar de Idosos.

Normalmente não o faço. Citar nomes de pessoas sem ser por elas autorizado, poderá me conferir complicados dissabores. Mesmo assim, vez em quando, me arrisco e ainda não me arrependi por fazê-lo uma vez que busco, sempre exaltar a figura explicitada na narrativa. A coincidência a que me referi é que, dia seguinte à publicação, consegui ser extremamente indelicado, grosseiro mesmo, com uma das mencionadas na crônica.

Se arrependimento matasse, meu filho já teria providenciado a cremação do velho pai (meu desejo). Sintam só o drama: na segunda, conforme programado e descrito ali na cônica,  embarcamos na Kombi e partimos para nossos destinos,  o Francisco e sua acompanhante Benedita foram deixados no consultório anexo ao Hospital da Clínicas, enquanto eu e Conceição saímos em direção ao nosso destino, para o exame.

Chegando nas proximidades do endereço informado, estacionamos sem encontrá-lo, foi quando Silvio, o motorista,  e a Conceição,  enfrentando uma chuvinha insistente e bem incômoda, saíram em busca de um provável local.   Nessa altura dos acontecimentos  o “bonito” aqui resolveu agir.  Liguei par o Lar a fim de saber o nome do estabelecimento, para facilitar a busca.

Senhoras e senhores, quando a menina ao atender informou não saber qual o nome que eu achava necessário para encontrar a tal clínica, o “bestalhão” lançou lhe um ruidoso e sonoro “ôrra, e você não vai fazer nada, não vai ligar pra saber…”,   do outro lado ouvi um balbucio: “o senhor está gritando comigo?”.  Gente do céu, desliguei o celular cheio de vergonha e afundei-me ainda mais em minha cadeira de rodas.

desculpasSEM COMENTÁRIOS…  A garota tem mais ou menos a idade de minhas netas, e com elas eu jamais sonharia em ser indelicado e grosseiro, então por que isso? Sinceramente não consigo explicar, nem busco tentar.   O cara que posa de moralista com  publicação de crônicas em um blog, repleto de sugestões de boa vivência, sair-se com uma dessas?

Bem. Conceição experiente e dedicada levou consigo meu documento de identidade e com isso conseguiu localizar em endereço diferente, do outro lado da avenida há coisa de uns cem metros de distância, a bendita clínica para a qual nos destinávamos, bem como ficou sabendo que o exame tinha sido remarcado para o dia seguinte numa outra hora.

Terça feira lá estava eu pronto para o tal exame de ressonância magnética. Jesus, vocês que não o conhecem vão agora ficar sabendo que a coisa é terrível, ainda mais para um idoso de 81 cravados. Fui imobilizado e encerrado em uma câmara que se me afigurou como um ataúde elitizado, com ar refrigerado e som ambiente.

Por 35 minutos estive ali ouvindo ruídos diversificados que iam de estalidos e pancadas até guinchos estranhos. Juro que ouvi claramente algo que me pareceu ser as trombetas do arcanjo Gabriel me saudando. Caramba… Após todo o carnaval, teremos o resultado.

Sabem, tenho lido agora o livro “Viver em Paz para Morrer em Paz”, também de Mário Sérgio Cortella e me senti desnudado, quando o filósofo, em certo ponto da obra, diz:

Assim, para não serem esquecidas, as pessoas fazem músicas, escrevem livros, tatuam o corpo, participam de comunidades virtuais, criam blogs.O que é manter um diário senão um desespero continuo, um pedido silencioso e desesperado para que alguém o leia? 

A carapuça se ajustou com perfeição em minha cuca, e agora mesmo percebo que, se o meu leitor termina a crônica, e mal percebe a sugestão aberta no final,  oferecendo-lhe a chance de formular um comentário,  isso me deixa um vazio.

Até por que, relendo minhas postagens de 2011 (há 7 anos atrás), observei que eles, os comentários chegavam a mais de uma dezena. O que me faz sentir agora a síndrome da saudade dos primórdios de um matrimônio.

Mas se pensam que vou desistir por estes motivos, estão redondamente enganados pois prosseguirei insistente. Embora continue contando com leituras…

SEM COMENTÁRIOS

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Uma resposta para SEM COMENTÁRIOS…

  1. Por vezes, damos esse mole…. Coisa que já sabemos que não devemos fazer, nos vemos fazendo,,, É só começar de novo a agir como queremos agir….. Quanto as suas crônicas, escreva sempre, leio todas e comento bastante também…

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