QUEM SERÁ?…

Domingo, 03 de Junho de 2018.  Diariamente, logo após nosso café, sento-me à frente do computador para a “inspeção” de rotina, isto geralmente às 8:30 AM. Ultimamente tenho – ao acrescentar a essa rotina uma olhada no tutorial do site que administra meu “blog” –  percebido o registro de acessos oriundos do Canadá e Estados Unidos (4 acessos, hoje).

Curiosamente, em outros horários no correr do dia, também flagro registros de outras paragens. Uma vez pintou a Irlanda, outra vez Portugal e Escócia e, vez em sempre é da  Alemanha a visita.  Os acessos alemães eu os credito sempre à Fernanda, neta que vocês leitores mais assíduos já conhecem.

Já dos Estados Unidos, pela constância (diariamente) e horário, tenho cá minhas sérias suspeitas.  Simples assim, cada dia o acesso é feito a apenas um ou dois de antigos posts sendo que, a hora em que eu os detecto aqui, corresponde ao meio dia e meia de lá, conforme o fuso horário ou seja, a cidadã ou cidadão, já pode estar até almoçando.

São 4 meus principais suspeitos “americanos” acima exibidos: Minha nora Cláudia que tem ao lado a envolvendo, meu filho Paulo e na outra foto, Giovanna e Cinthia, filhas do casal claro, minhas netas.Todos eles “ancorados” em Fort Lauderdale, na Flórida.

Tenho quase certeza de que a “principal meliante responsável” pelas visitas ao blog é a Cláudia, isto por conta dos temas escolhidos. Sexta feira última,  o “voyeur” americano desencavou um tal de VELHO RANZINZA, que eu postei em fevereiro de 2013, treco  que acabou por me comover agora, após cinco anos, em razão de um poema dedicado – aos seus enfermeiros cuidadores – por um ancião assim como eu.

O que vocês vêem enfermeiros?… O que vocês vêem?

 O que vocês estão pensando… quando estão olhando para mim?

 Um homem casmurro,… não muito sábio,

 Incerto de hábito… de olhos distantes?

 

 Quem goteja sua comida… e não faz qualquer comentário.

 Quando você diz em voz alta… “Eu gostaria que você tentasse!”

Quem parece não perceber… as coisas que você faz.

 E sempre está perdendo… uma meia ou sapato?

 

 Quem, resistindo ou não… lhe permite fazer como quiser,

 Com o banho e a alimentação… o dia inteiro para preencher?

 É nisso que você está pensando?… é isso … o que você vê?

 Então abra seus olhos, enfermeiro… você não está olhando para mim.

 

 Vou lhe contar quem eu sou … como continuo, ainda, sentado aqui,

 Conforme posso fazer ao seu comando,… como comer à sua vontade.

 Eu sou uma pequena criança de dez anos… com um pai e uma mãe,

 Irmãos e irmãs… que se amam

 Um rapaz de dezesseis… com asas nos pés

 Sonhando que breve… uma amante ele vai encontrar.

 

 Um noivo logo aos vinte… meu coração dá um salto.

 Lembrando os votos… que eu prometi manter.

 Aos vinte e cinco, agora… tenho minha própria juventude.

 Quem precisa de mim para guiar… e um lar seguro feliz.

 

 Um homem de trinta… minha juventude agora cresceu rápido,

 Ligados um ao outro… com os laços que devem durar.

 Aos quarenta, meus filhos pequenos… cresceram e se foram,

 Mas a minha mulher está ao meu lado… para ver que eu não lamento.

 

 Aos cinquenta anos, mais uma vez,… bebês brincam no meu joelho,

 Mais uma vez, conhecemos as crianças… minha única amada e eu.

 Dias sombrios estão sobre mim… minha mulher agora está morta.

 Eu olho para o futuro… tremo de pavor.

 Pois meus jovens estão todos criados… da sua própria juventude.

 E eu penso nos anos… e no amor que eu conheci.

 Eu sou agora um velho homem… e a natureza é cruel.

 É piada para fazer a velhice… parecer uma tolice.

 O corpo, ele se desintegra… graça e vigor, partem.

 

 Existe agora uma pedra… onde uma vez eu tive um coração.

 Mas dentro desta velha carcaça… um jovem ainda habita,

 E agora e de novo… meu maltratado coração incha

 Lembro as alegrias… eu me lembro da dor.

 E eu estou amando e vivendo… a vida outra vez.

 Eu acho que os anos, muito poucos… foram embora muito rápido.

 E aceitar o fato gritante… que nada pode durar.

 

 Então abram seus olhos, pessoas… abram e vejam.

 Não um homem casmurro.

 Olhe mais perto… veja… A MIM!

Muito me assanha – vocês não podem fazer ideia – que olhos em continentes distantes, sejam eles de familiares ou não, possam se deter naquilo que escrevo semanalmente no meu auto compromisso de tentar fazer dessas escritas e publicações, ao final deste meu Curso da Vida,  a tarefa de um TCC (Trabalho de Conclusão de Curso), exigido a todos universitários do país.

Meus agradecimentos, também a esses leitores anônimos, muito embora não consiga saber, sobre  cada um deles, convictamente…

QUEM SERÁ?

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