BANDEIRA BRANCA…

Domingo, 17 de Junho de 2018.  Vocês que vivem aí fora dos muros desse nosso Lar dos Idosos Recanto Tarumã, hão de convir que, para enfrentar a violência e a insegurança que anda rolando por aí a fora, melhor mesmo é pedir arreglo e empunhar de maneira firme uma BANDEIRA BRANCA, mendigando a paz.

Nós, aqui dentro dos mesmos muros, contávamos até sexta feira última, com o cidadão nordestino mais porreta que conheci ultimamente. Geraldo Cândido de Araújo, de 84 anos vividos e realizados no último dia 31 de maio (há 15 dias).  O cara desencarnou as 17 hs da sexta feira. Não agitava mas cantava, BANDEIRA BRANCA, para nós.

Figuraça, fazia-me a vida parecer mais praticável observando seu talento de viver, a sua própria, totalmente descompromissada de tudo e de todos.  Ultimamente,  já parecendo velha e ressequida árvore, carregava um corpo quase totalmente desprovido do tecido conjuntivo (gordura e carne) e a pele (o epitelial) esticava-se visivelmente pela armação óssea; a visão e os movimentos visivelmente prejudicados… Mas ainda assim, cantava!

Até bem pouco tempo também dançava. Braços esticados à frente e ligados pelas mãos trançadas balançava o corpo esbelto para qualquer ritmo que se apresentasse, batuque, xaxado, samba, bolero. Determinada vez, por ocasião de aniversário do Lar, uma banda foi chamada a tocar no hasteamento da bandeira e flagramos nosso Geraldinho, mãos à frente, balançando-se ao som do Hino Nacional.

Capturei um vídeo caseiro de 7 anos passados  vou experimentá-lo aqui. Não sei se esse treco funciona, mas o ideal é que seja executado em notebook ou computador com mais recurso de tela.

Tratava-se de uma festa de congraçamento do final do ano de 2011, Nossas “meninas” dançavam ao som dos velhos guris quando Geraldo, que estava sentado no lado direito e ao fundo da cena, levantou-se e bem no seu estilo entrou oscilando o corpo com aquele jeitinho de dançar, sua marca registrada. A cena tornou-se memorável, pela ocasião e a graça.

Em homenagem ao Alagoano, matreiro que gostava também de um cordel, vou tentar elaborar um acróstico usando seu primeiro nome.

 G rande, enorme e nordestino crânio.
E ncimando a doce fisionomia franca.
R ecorda o homem-menino tacanho.
A ssumindo espaço e botando banca.
L igado a si, um coração notável.
D estruirá seu corpo a terra, é inevitável,
O stentará, seu espírito uma…

BANDEIRA BRANCA

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Uma resposta para BANDEIRA BRANCA…

  1. Republicou isso em Espaço de Jurandyre comentado:

    Sexta feira, 19 de junho de 2020. Decididamente VALE A PENA VER DE NOVO esta postagem de d0is anos atrás.

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