EM COMPENSAÇÃO…

Domingo, 15 de julho de 2018.  Não consigo me corrigir. Ao invés de aproveitar meu pré sono com leituras serenas como as de Monteiro Lobato e o Sítio do Pica-Pau Amarelo, insisto em ler Nietzche e Kafka, sem levar em consideração que viveram (se é que aquilo é viver) em outras épocas, outras realidades.

Não duvido que tivessem suas razões. A incredulidade na fé, e na capacidade das boas realizações do homem, visivelmente descortinadas na obra do primeiro, assim como a desordem emocional e estrutural do segundo na sua super intranquila concepção dos acontecimentos em torno de si, tornam-se compreensíveis quando sabemos que não se distanciavam muito do futuro que de certa forma previam.

Semana passada mesmo, a Ministra Laurita Vaz do STJ rotulou de “teratológica”, uma decisão de um seu “colega” do judiciário com o título de desembargador – que decidiu “embargar” – outras decisões de condenação à prisão de um nosso ex-presidente e pré-candidato a futuro presidente. Difícil, entender não é. Porque vocês não leram, como eu,  o livro “O Processo” de Franz Kafka… Aí, talvez entendessem !

Mas, EM COMPENSAÇÃO, há uns poucos meses atrás publiquei uma crônica e, nela pude mencionar outro famoso autor do passado. Honoré de Balzac . Gente, outro papo outra visão. Se vocês clicarem em cima e voltarem para ler a minha  MULHER DE TRINTA, publicada em fevereiro, vão perceber a razão do meu gáudio, minha alegria, em viver aqui… Balzac, sabia das coisas!

E anteontem, sexta-feira, 13 de julho, as “garotas” que retratei em fevereiro durante aquele escrito, atacaram de novo. Precisavam ter visto !  Claudimara, Fernanda e Larissa, respeitabilíssimas integrantes da equipe multidisciplinar daqui do Lar (das quais não consegui capturar suas fotos em ação), explicitamente mancomunadas com as plantonistas de enfermagem no plantão do dia, nos reuniram em torno de uma festividade repleta de danças e peraltices.

Cadeirantes, puxados por suas cuidadoras sorridentes, volteavam pelo espaço do refeitório ou se quedavam sentados em torno de vasta mesa para, por elas, serem servidos de guloseimas.

Imaginem que dos recônditos da cozinha, ressurgiram pés de moleque, paçocas e cocadas de abóbora egressos do ARRAIÁ de sábado; junte-se a isto novas fornadas de pipocas em copos, refri, música, muita música de época, pescarias. Muito riso oh! Quanta alegria !

Carinho e atenções profusas para idosos como nós, mutilados ou inteiros, outros de faces encovadas contrastando com os gorduchos… mas, todos regados a cantos e sorrisos dessa plêiade gostosa de jovens senhorinhas ou candidatas que são pura entrega !

_30A3791Quem estava de serviço na mantenedora, também veio dar o ar da graça, veio se juntar à brincadeira, à homenagem e ao respeito que nós,  idosos recebemos  aqui neste Instituto… Tudo de bom !

Então convenhamos. A vida, os homens, as autoridades, o poder público, os  cultos e as doutrinas, estão no geral, deixando a desejar como instrumentos de auxílio e apoio a manutenção de si próprios e aos recursos naturais e energéticos providos pela Criação… pelo Criador.

Isso tudo aí fora de nossos muros mas, pelo menos nós, aqui no Lar dos Idosos Recanto Tarumã, temos podido contar com essa maravilhosa assistência a nós concedida…

EM COMPENSAÇÃO.

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