DESPERDÍCIO…

Domingo, 16 de dezembro de 2018. Em minha crônica anterior, viajei pelos caminhos da solidariedade… de carona é claro! Viajei com cães. Vejam só, tem cão que vive sendo judiado, chutado e até – o que é muito pior – ignorado! Mas, quando tem a sorte de encontrar quem o trate, que o alimente, que lhe dê atenção, afagos então nem se fale – aí ele inteligentemente, espertamente, não DESPERDIÇA.

O animal assim “premiado” pela sorte, nem pensa em atacar e morder outros seres viventes, e muito menos os benfeitores… torna-se um Cão Amigo… Apenas por puro instinto de que é dotado pelo Criador de todas as formas de vida. Reparemos: até vegetais como as flores, instintivamente não agridem aqueles que  os tratam bem e com respeito. Parece “combinado”, agressão seria tão somente DESPERDÍCIO.

Como já alardeei por aqui, eu sou um cara de sorte, venho obtendo nesses 82 anos de vida – e notadamente os últimos dez aqui no Lar de Idosos – experiências fabulosas com  resultados tais que fazem-me questionar meus méritos. Eu realmente não sei o que fiz pra merecer, por exemplo, os meus familiares e amigos.

zélia plenaSeparo aleatoriamente qualquer foto da imensa coleção que povoa a memória do meu computador e me sinto invariavelmente gratificado por ter essa gente “ligada” a mim. Ontem estive observando o flagrante de um grupo reunido em torno de uma mesa de refeições, modesta e ao mesmo tempo rica. Zélia, minha irmã, tinha ao lado suas três filhas.

Enquanto olhava-as, na exposição aleatória da tela, conversava com meu filho Pedro que estava aqui presente com Cris, minha nora, Rafa e Duda, meus netos em uma de suas visitas semanais aqui no Lar de Idosos.

Lembrávamos das lutas em que aquelas mulheres estiveram envolvidas e das quais sempre lograram se desvencilhar com galhardia e ímpeto. Quanto orgulho por sermos aparentados. Minhas sobrinhas têm tido a sorte de serem criadas por aquela supermãe devotada a cada uma delas, a seus futuros e a seus frutos.

Então, como sempre faço em minhas últimas crônicas, vou-me posicionar aqui, na companhia desta centena de idosos, carinhosa e dedicadamente atendidos por dezenas de pessoas que passaram a nos amar, e seguir os bons exemplos geridos por cada uma dessas sobrinhas quando acordes e  serenas, oram para não serem compulsionadas a agirem agressivas e desrespeitosas.

Se aqui no Lar do Idosos nós não agirmos dessa maneira com nossas visitas, atendentes e pessoal de supervisão estaremos decretando nosso, ainda mais precoce, estado de demência e falência de caráter, sem contar um tremendo surto de…

DESPERDÍCIO.

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