ENFERMEIROS DA NOITE…

Domingo 24 de março de 2019.  Como sabem, moro há mais de dez anos neste Lar dos Idosos Recanto do Tarumã, em Curitiba. Meus leitores já estão saturados de me flagrar “cronicando” sobre como é isso aqui; como somos e nos comportamos moradores, visitantes assim como o pessoal que nos assiste e agracia-nos com cuidados e atenções.

Na minha concepção, as coisas que aqui se processam atingem as raias do inacreditável para quem batalha a vida no dia a dia, fora desses nossos muros, perseguindo formas e recursos para realização de projetos, sonhos e objetivos – sem tempo para olhar em volta de si mesmo.

Alguém assim como eu, quando ainda operário de fábrica, estudante, meio ativista político de esquerda, professor do ensino médio e cursinhos pre, ou ainda, programador e analista de sistemas em épocas e locais distantes e bem diferentes do agora.

A coisa é tão incrível, por aqui que os novos moradores, geralmente egressos da F.A.S, (Fundação de Ação Social) do Governo, custam a assimilar a atenção e os cuidados que lhe são ofertados e bem diferentes do que vinham obtendo da Sociedade em Geral como disse acima, sem tempo para olhar em torno de si mesma.

Uma outra coisa que tenho espalhado nesses meus escritos, é minha cumplicidade explícita com o elemento feminino que em ampla maioria,  nos dedica seus cuidados e atenções que por vezes (não poucas) tornam-se mal utilizadas e interpretadas por alguns (não poucos) de nós moradores e beneficiários de seus serviços.

Então neste mês de março, tomo conhecimento da contratação de dois novos elementos para as funções de ENFERMEIROS DA NOITE. Aí cabe uma explicação sobre como a função de Enfermeiro(a), é importante na casa. Durante seu turno de atuação, o titular da função (geralmente, mulher) torna-se uma espécie de Administrador Hospitalar da Casa.

O enfermeiro(a), supervisiona e orienta todo o espectro de tarefas envolvendo a trilogia: paciente, medicamentos e cuidados médicos, assim como os ambientes a ela relacionados. Aí meu leitor irrefletidamente diria ou perguntaria: É um Lar de Idosos ou um hospital?… Gente, não é como se fosse a mesma coisa? Se estão velhos, “dá-lhe  cuidados paliativos…”  (Rs, Rs, Rs!), claro, foi uma piada de muito mal gosto, porém, o sentido é real!

Então recebemos em nossas “hostes” os senhores Ozéias Ribeiro e Douglas Robson D. Oliveira e alguns de nós, desacreditados dos homens, murmuramos entre dentes, “pô, os caras vão ficar aí sentados a noite inteira na frente do computador, com os pés pra cima, só “cagando normas” para as pobres meninas da noite se matarem… não vai dar certo”.

Que bom, que ótimo! Murmúrios infundados! Os “caras” vieram, começaram por conter a “ampla liberdade” de alguns (poucos) mais jovens e “expertos” moradores, que se acostumaram durante o dia a invadir locais da instituição, privativos como cozinha, lavanderia e enfermaria, com a intenção de  “ajudarem e ensinarem” nossas meninas a melhor trabalhar. Nota 10, para os “caras” .

Além da “higienização dos ratos”, nossos novos colaboradores, não só cumprem as funções estabelecidas para o cargo, como colaboram ativamente com as meninas e realmente assistem a nós, percorrendo quartos – pranchetas de anotações nas mãos – maravilha.

Contamos agora com a experiência de ex-socorrista e professor de enfermagem que com autoridade – em plantões de noites alternadas – agora vêm engrossar seus  currículos com os futuros registros de sua passagem vitoriosa pelo nosso Lar.  Nota 10 para nossos dirigentes, consolidadores da ideia!… Sejam bem-vindos senhores…

ENFERMEIROS DA NOITE.

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Uma resposta para ENFERMEIROS DA NOITE…

  1. Republicou isso em Espaço de Jurandyre comentado:

    30 de abril de 2019 – Amanhã é dia do trabalhador…acreditem, já fui bom nisso! Trabalhar é bom sobretudo quando se gosta e a causa vale a pena. Há cinco semanas publiquei aqui uma crônica e agora relendo-a decidi me indagar se estive certo ao saudar e falar bem de novos trabalhadores aqui na casa. Sabem, acho que valeu! Toda nova prática que envolve novos relacionamentos pessoais, costuma se cercar de embargos e mal entendimentos mas no “frigir dos ovos” a coisa toda acaba se ajustando. Chico Buarque nosso “esquerdista” compositor, cantava uma música por ocasião da ditadura, que tornou-se polêmica e, sei lá muito doida. Vou ouvi-la enquanto releio aquela crônica com vocês, talvez não tenha nada a ver… foi apenas um desabafo do cara..

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