PARTIDA..

Quinta feira, 28 de março de 2019.  Liguei o computador e, como ontem foi quarta feira, me aprestei em conferir o resultado da Mega Sena…. Vocês não vão acreditar:  Mais uma vez, minhas seis dezenas não foram as sorteadas! Não consigo entender por que isso acontece comigo! Só pode ser praga dos moradores mais novos daqui do Lar! Vou acabar me queixando deles no Ministério Público ou na F.A.S, ha ha ha!..
Por falar no dia de ontem, ao chegar na enfermaria para a troca de fralda do pós-café da tarde, me deparei com uma cena que me deixou tomado de inveja. O meu miúdo  e raquítico colega Ibraim, recebia uma carinhosa e cuidadosa injeção no bumbum, aplicada pela Thifany, enquanto aninhado no amplo e generoso colo da Priscila Silva! Que sofrimento gostoso, gente!
Está certo, isso faz parte dos cuidados paliativos que nós idosos recebemos, quando se torna necessário ser medicado para evitar a ocorrência de uma “PARTIDA”, antecipada e indesejada… Brincadeirinha, meus leitores. É apenas a efetivação de mais uma piadinha de mau gosto do autor. Tudo isso, porém, para abordar uma nota colhida ontem no Microsoft News da Internet:

Morreu na noite desta terça-feira, aos 45 anos, o jornalista Rafael Henzel. Ele foi vítima de um infarto após passar mal enquanto jogava uma PARTIDA de futebol.
A informação foi confirmada pela rádio Oeste Capital, de Chapecó, onde Henzel trabalhava, e havia apresentado um programa nesta terça-feira normalmente. Ele estava escalado para narrar a PARTIDA entre Chapecoense e Criciúma, pela Copa do Brasil. O clube catarinense já pediu à CBF o adiamento da PARTIDA.
Ele era um dos seis sobreviventes do acidente aéreo em novembro de 2016 que causou a morte de 71 pessoas, entre jogadores e comissão técnica da Chapecoense, e jornalistas que iriam trabalhar na final da Copa Sul-Americana daquele ano. Na ocasião, Henzel teve sete costelas quebradas e uma lesão no pé direito. Ficou 20 dias internado, dez deles só na UTI. Após receber alta, voltou a narrar uma PARTIDA em menos dois meses”.

henzelO narrador esportivo escreveu e publicou o livro, cuja capa é exibida aí ao lado, onde recorda os momentos que antecederam o acidente e compartilha a jornada de gratidão pela dádiva da vida que traçou a partir do momento do resgate.
Agora vejam, há pouco mais de dois anos, sobrevive a uma queda de avião, quando contava com apenas 43 anos de idade – quase a metade dos anos que eu tenho vividos, agora – e tem sua PARTIDA, desse nosso plano espiritual de maneira repentina e… jogando uma PARTIDA de futebol.
O livro anunciado na Amazon, também  como ebook, é claro, me interessou e eu já encomendei o meu só que ainda não o li, mas promete! Pela sinopse que fala de um relato emocionante e repleto de otimismo de Rafael Henzel, basta que analisemos o título para adivinhar o quanto de otimismo ali foi colocado.

Eu estava ouvindo no pre-sono desta noite, Osvaldo Montenegro cantando sobre o amor e, não sei bem por que associei aos acontecimentos até aqui descritos à minha própria pessoa. Isso sem contar que – coincidentemente – o ebook que eu estou lendo atualmente, de autoria de Sêneca, filósofo romano contemporâneo de César e do próprio Jesus, discorre amplamente sobre o tema da aceitação dos fatos adversos. Parece até feito para mim, idoso, mutilado, cadeirante e com joelho e fêmur em petição de miséria… Mas, lúcido, vivo e feliz pela assistência recebida daqui e lá de cima.

 

Sêneca esbanja tiradas filosóficas repletas de constatações e cheias de luz, orientadas para consolar sua mãe pelo sofrimento com perdas sucessivas de bens amados, inclusive, também,  pelo exílio a ele imposto por titulares do poder romano. Não deu outra, flagrei-me aqui digitando e compondo mais uma das minhas crônicas que tanto me fazem bem!

Adoro falar dessas mulheres e meninas daqui, capazes de dar banhos, trocar fraldas e até se ajoelhar aos pés para exame e troca de curativos em alguns de nós, velhos e combalidos seres, enquanto — ao mesmo tempo, de forma condescendente, educada e até gentil — buscam se desvencilhar dos mais novos e eretos, aduladores e abusados de forma a não os magoar.

Meus colegas moradores, sugiro que todos nós dos debilitados aos pomposos e arrogantes, apeguemos-nos ao título do livro do falecido Rafael Henzel, e lutemos para viver sempre como se tivéssemos de…

PARTIDA.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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