SEIS DE JULHO…

Sábado, 06 de julho de 2019. Uma data que se reveste de vasta importância e grande significado para este homem que detém a graça de inusitada lucidez para um senhor de oitenta e dois anos e morador em uma instituição de acolhimento para idosos, modelo em Curitiba no sul do Brasil.

Isto por que em 1989, há exatos trinta anos, o cronista foi agraciado pela primeira vez com o título e a realidade de se tornar avô. Um bebe recém-nascido – uma menina que hoje se torna uma bela mulher de trinta anos – surgiu para inaugurar uma cadeia de doces sensações de perpetuação de mim mesmo, hoje composta de cinco integrantes, de invejável beleza e conteúdo.

 

Apresento-lhes a mulher de trinta a quem acabo de mencionar, sozinha e ao lado de seu consorte – em sentido pleno e literal da palavra – agora moradores da cidade de Waterloo, no Canadá… quase fronteira com os EUA.

Não posso me conter e vou trasladar – de novo, pois já o fiz ano passado na publicação de DIA DO AVÕ – para aqui a crônica em que vazei por escrita a sensação de ser avô. Foi em 2008 e eu ainda burguês não sabia que viria chegar a morar neste Lar, onde agora sou acolhido e amado.

SER AVÔ… 05 de julho de 2008

Não sei se o leitor é avô ou avó. Se já pegou no colo e ficou olhando fascinado para aquele bebezinho que nos transmite a idéia e o sentimento de extensão, continuidade e perpetuação de si mesmo. Se ainda não o foi, por favor perdoe a corujice e, prepare-se, estou torcendo que o evento, quando acontecer com você, lhe proporcione a mesma satisfação que tenho tido.

Sou avô de quatro, literalmente falando, aliás sempre soube que a posição de quatro sempre foi a mais sólida para um homem com os pés e mãos no chão. Tambores e sinais de fumaça têm me avisado: o elenco vai crescer…  vem mais por aí.

Tenho em Rafael a mais recente aquisição para o quadro, o único hominho da troupe, para quem dedico o clichê  “parece que foi ontem” que o tive, recém nascido,  em meus braços me encarando e hoje, 15 meses depois, o estou vendo “descer do patamar com o seu passinho bêbado e flutuar no ar como se ouvisse música” (perdão Chico Buarque).

Anos atrás Paulo e Cláudia, minha nora, haviam me presenteado com a Cyntia meses após a Giovanna. Muito embora não tenha acompanhado tão de perto, quanto gostaria, o crescimento e a  evolução das duas pude vê-las até a condição de membros de grupo escoteiro do Parque João XXIII e aplicadíssimas alunas do Colégio Santa Maria aqui em Curitiba, ainda no Brasil. Acontece que seus pais resolveram americanizá-las (vide a crônica Os Imigrantes) e as duas tornaram-se texanas e aptas à daqui há cerca de dois ou três anos adquirirem com seus progenitores a dupla cidadania (estadunidense e brasileira).

Nas escolas de lá, Cyntia já tornou-se líder de turma na Elementary School que freqüenta e Giovanna faturou o certificado de um programa governamental em reconhecimento à sua excelência     acadêmica por estar em primeiros lugares na Midle School onde estuda. E olha que estão lá há cerca de dois anos e embarcaram sem nenhum conhecimento do idioma que iriam assumir. E o avô, sem entender chongas do idioma bretão, aqui, babando…

Mas, foi logo após 30 de outubro de 1988, quando Ayrton Sena venceu seu primeiro de três campeonatos  de fórmula 1, que fiquei sabendo da gravidez do Pedro, rs rs rs . Meu “menininho” caçula com seus dezenove aninhos me participava que ia ser pai e, conseqüentemente, eu estrearia de avô.

O ano seguinte, 1989, trouxe-nos Os Simpsons e a primeira eleição para presidente da república por voto direto após o regime militar. Fernando Collor de Mello, o “Caçador de Marajás”, venceu… depois se ferrou, ora já se viu caçar marajás… no Brasil ?

E no dia 6 de julho nasceu a Fernanda. É, aquela mesmo de que lhes falei em Um Resgate. Com pouco mais de um aninho de idade se enfileirou no imenso contingente dos filhos de pais separados, prato cheio servido para um avô cheio de amor pra dar. Fomos dominicais colegas de traquinagens nos parques e jardins do Alto da Glória e nunca fiquei sabendo quem aprendeu mais das coisas e surpresas da vida, se eu ou ela. Amanhã (domingo), Fernanda completa 19 anos de idade. Parabéns gata, aí vai humilde presente do vô para ti:

Faz um bom tempo em que te vi criança.

Erguendo braços a esperar por colo.

Ria e chorava, incrível alternância.

Não demorava e já voltava ao solo.

Agora moça, ainda bem na foto.

Nem lembra o aprender na bicicleta.

Dispara, garbosa em tua linda moto.

Aceno feito bobo… Ta amo minha neta. 

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  Fernanda teu avô te parabeniza, saúda e te abençoa, neste…

SEIS DE JULHO.

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