CADEIRA VAZIA…

Domingo, 18 de agosto de 2019. Fui receber meu banho de todos os dias e parti para a direção da “Ala Um” daqui do Lar dos Idosos Recanto do Tarumã, pilotando minha cadeira de rodas. Esta Ala é a mais importante das três que abrigam a centena de idosos, como eu. E que nela reside em torno de um terço da população aqui abrigada.

Seus moradores são fundamentalmente aqueles considerados pela ANVISA, como “Grau de Dependência III – idosos com dependência que requeiram assistência em todas as atividades de autocuidado para a vida diária e ou com comprometimento cognitivo.”

A administração da Casa então, mantém bem próximos e ao redor desta Ala os setores e dispositivos básicos de atendimento aos moradores na sua totalidade. Por exemplos: o consultório médico; a farmácia; a sala de curativos; os banheiros coletivos para banhos assistidos; a enfermagem e o CADE (Centro de Atendimentos Especiais) … Tudo bem bolado… não esqueçam, estamos em Curitiba – Sul do Brasil.

cadeira vaziaAo me aproximar, hoje notei uma CADEIRA VAZIA bem à porta da enfermagem, na verdade ali no local entre a enfermagem e o CADE. Ali estava ela como sempre, uma cadeira de rodas, super- conhecida de todos, pois o ocupante João de Souza não abria mão de ficar naquele local testemunhando a movimentação de entradas e saídas de funcionários, moradores, visitantes e equipes da ECO-SALVA.

Pois é,  não sei porque razão alguns mais antigos na Casa o tratavam João Feijão e até eu mesmo por algum tempo o chamava de João do Pito, ou João do Cachimbo. Mas essas últimas alcunhas faziam mais sentido haja visto o trecho de uma crônica DOMINGO PEDE CACHIMBO, por mim publicada em 2013:

VarandaNeste momento, na pequena área coberta com acrílico onde tamborilam gotas de chuva observo, entre outros, dois moradores especiais. José Damásio acolhido em 1989 (há 24 anos) e João de Souza em 1978 (há 35 anos) têm um hábito um tanto raro nos dias atuais. Os dois fumam cachimbos… Somente eles dois no pequeno universo de cerca de 107 abrigados nesse nosso Lar.

Pois é, João deixou para nós sua CADEIRA VAZIA, uma vez que na madrugada encerrou sua estada neste plano material e embarcou para mais um segmento do seu plano espiritual. Que os bons e adiantados espíritos de lá o acolham.

Viveu oitenta e quatro anos desta vida terrena, os últimos quarenta e um sob sucessivas formas de acolhimento humano, carinhoso  e respeitável neste Lar que na sua Ala Um, em frente à enfermagem, ficou com o espaço de uma…

CADEIRA VAZIA.

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