SINTO-ME INDIVÍDUO…

Segunda feira, 11 de novembro de 2019. Em sua última visita semanal aqui no Lar dos Idosos, Pedro meu filho no meio de uma de nossos papos, em razão de algum assunto que abordávamos, me disse “mais eu não sou todo mundo,  eu tenho minha própria opinião”. Meu “garoto” agora com 50 anos, me conduziu quase que imediatamente a um episódio ocorrido em 1980.

Ainda no Rio de Janeiro  o Dico, então com onze anos de idade, pedalava sua bicicleta do Meyer para o Lins onde morávamos quando um galalau de seus vinte anos atacou-o para lhe tirar a bique e então ele atracou-se ao veículo impedindo que o marginal a levasse tendo por isso levado alguns cascudos e porradas, até que um automobilista que passava interrompeu o assalto, espantando o facínora.

Já em casa, Pedrinho escutava das pessoas, os tradicionais “cê é louco de reagir, todo mundo sabe que a gente deve entregar logo o que os cara pedem” e Dico, p. da vida e ainda choramingando respondia mal criadamente eu “não sou todo mundo”!

A noite, processando os acontecimentos do dia, lembrei-me um tanto orgulhoso da minha cria.  Eu também repulso a ideia de fazer e viver coisas por que todo o mundo faz, prefiro sempre escolher o meu modo, SINTO-ME INDIVÍDUO, é mesmo? Fui novamente à Intermet e ela me esclareceu: ‘Indivíduo adj. não dividual; indiviso” aí deduzi, sou único e não me divido.

Muita luzNa verdade, quero crer, preciso crer, que cada um de nós acolhe em nosso interior uma partícula minúscula do nosso Criador – minúscula mais extremamente potente, contém todas as características e poderes Dêle – creio mesmo que, ainda sem se dar conta, se alguém ora, faz uma prece, uma meditação, um desejo ou pedido de graças, ela o está dirigindo para o Deus, dentro de si embora possa estar invocando qualquer outra entidade.

 É meus leitores, às vésperas de completar 83 anos, tenho vivido e vivenciado com um grupo especial de pessoas assistindo idosos autênticos e alguns falsos, destilando carinho, atenção sempre de maneira individual por perceber que não somos – os idosos internos – de maneira nenhuma iguais uns aos outros.

Nós os idosos (verdadeiros) estamos todos bem mais próximos da hora de nos despedirmos desta fase da vida espiritual. De forma generalizada a gente diz que todo mundo sente medo da morte. Sei lá, carrego comigo uma certa tranquilidade a respeito desse assunto. Pode ser mesmo que todo mundo sinta medo da morte, porém como diz o Pedro, meu filho, eu não sou todo mundo e por conseguinte…

SINTO-ME INDIVÍDUO.

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