SINTO-ME ENVERGONHADO…

Sexta-feira, 10 de janeiro de 2020. Na terça-feira, logo após o café, dei um verdadeiro vexame aqui no Lar. Surtei dentro do meu quarto de tal maneira que meus gritos ecoaram pelos corredores assustando e surpreendendo a todos. Que vergonha! Ah! Quem me dera, se eu pudesse reverter tudo… corri pra música…

clara nunesAi quem me dera terminasse a espera
Retornasse o canto, simples e sem fim
E ouvindo o canto, se chorasse tanto
Que do mundo o pranto, se estancasse enfim
Ai quem me dera ver morrer a fera
Ver nascer o anjo, ver brotar a flor
Ai quem me dera uma manhã feliz
Ai quem me dera uma estação de amor…
Ahh se as pessoas se tornassem boas
E cantassem moas e tivessem paz
E pelas ruas se abraçassem nuas
E duas a duas fossem ser casais
Ai quem me dera ao som de madrigais
Ver todo mundo para sempre afim
E a liberdade nunca ser demais
E não haver mais solidão ruim
Ai quem me dera ouvir um nunca mais
Dizer que a vida vai ser sempre assim
E ao fim da espera
Ouvir na primavera
Alguém chamar por mim
Ai quem me dera ao som de madrigais
Ver todo mundo para sempre afim
E a liberdade nunca ser demais
E não haver mais solidão ruim
Ai quem me dera ouvir um nunca mais
Dizer que a vida vai ser sempre assim
E ao fim da espera
Ouvir na primavera
Alguém chamar por mim

Imaginem que, por não saber que uma das meninas da enfermagem estava autorizada pela chefia, a “pular” o atendimento em relação a mim, e pensando que ela agia por decisão própria, desanquei mil impropérios e acusações dirigidas a ela. Logo eu que vivo endeusando o serviço desses anjos, aqui mesmo por este blog, que horror!
Conclusão, não é factível nem mesmo aceitável que um morador aja dessa maneira, fornecendo exemplos aos demais, então Pedro, meu filho, foi ontem chamado à nossa Assistência Social, para ser informado de meu desvario e vir até o meu quarto “puxar as orelhas” desse velho insano.
Prometi então ao “garoto” que estou disponibilizado a submeter-me a tratamento psicológico e aceitar ingerir os medicamentos necessários para me acalmar. mas, o pior estava por vir, imaginem que o idiota aqui aproveitando-se de uma chuvarada que desceu com vigor, próximo a hora da saída das meninas, separou um casaco que costuma emprestar para o povo daqui e levou-o para oferecer justamente a menina queixosa…
Nem precisa dizer que ela e suas colegas julgaram que se tratava de mais um deboche deste velho, enlouquecido, pensei em ligar para o telefone dela e me justificar, mas senti que seria uma péssima ideia, pois quem iria atender, talvez não gostasse.
Por tudo isso eu, eu daqui do meu quarto…

SINTO-ME ENVERGONHADO!

O serviço de som, nos chama: SIGAM ATÉ A CAPELA PARA DESPEDIDA DE SEBASTIÃO LIBRAIM! Faleceu hoje nosso “menino”.

 

 

 

 

 

 

 

 

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