SINTO-ME LIBERTO…

Terça-feira, 31 de março de 2020. Estamos vivenciando uma crise, uma pandemia que leva a todos ao isolamento social. Eu vivo ou melhor moro – vocês sabem – no Lar de Idosos Recanto Tarumã aqui em Curitiba… Tecnicamente estou sob o regime de isolamento social, uma vez que não “saio de casa  para nada” mas, sabem, não me sinto recluso, muito pelo contrário, devido aos últimos acontecimentos em meu entorno, SINTO-ME LIBERTO.

Vou tentar me explicar: Pandemia – todos sabem – é quando uma doença se espalha e avança em quadro epidêmico por várias regiões do planeta, em diferentes continentes,  Alguns exemplos de pandemia são AIDS, tuberculose, gripe espanhola e tifo. A reação de todas pessoas naturalmente é temer,  reclamar ou aceitar e enfrentar as crises advindas.

Aqui no Lar não é diferente:  Funcionários da saúde, gente moça ou  pouco mais madura ao contrário daquela de mais idade que, no caso da pandemia atual, é mais exposta aos riscos da doença, se apresentam religiosamente em seus turnos de trabalho e ação com o intuito de nos servir, assistir e atender serenamente enquanto nós – os moradores – nos dividimos em grupos de combalidos, “moços velhos” e “velhos moços”.

Os dois grupos finais eu propositada e jocosamente pus entre aspas para justificar uma associação que decidi estabelecer neste texto. Já contei pra vocês que gosto de música e poesia, aí uma canção composta em 1977 pelo cantor Silvio César e mais recentemente projetada pelo rei Roberto Carlos, chegou aos ouvidos, meu e do meu parceiro de Youtube João Gilberto, também morador aqui da Casa, então decidi ligá-la ao texto.

Vamos ouvir a canção e analisar a letra de “O velho e o moço“. Enquanto rola esta excelente e orquestrada introdução, peço que se preparem para tentar seguir e acompanhar o meu raciocínio meio envelhecido e confuso em relação à letra da canção… mas já disse antes: Velho é uma m... vamos lá:

UM “MOÇO VELHO” DIRIA ASSIM.
Eu sou um livro aberto sem histórias
Um sonho incerto sem memórias
Do meu passado que ficou

JÁ O “VELHO MOÇO” COLOCARIA DIFERENTE.
Eu sou um porto amigo sem navios
Um mar, abrigo a muitos rios
Eu sou apenas o que sou

O “MOÇO VELHO” INSATISFEITO E RECLAMÃO.
Eu sou um moço velho
Que já viveu muito
Que já sofreu tudo
E já morreu cedo

JÁ O “VELHO MOÇO” CHEIO DO CONFORMISMO…
Eu sou um velho moço
Que não viveu cedo
Que não sofreu muito
Mas não morreu tudo...

…E, SEM INTOLERÂNCIA E RECLAMAÇÕES.
Eu sou alguém livre
Não sou escravo e nunca fui senhor
Eu simplesmente sou um homem
Que ainda crê no amor.

Leitores, alcançaram a coisa toda? Estabeleceram, comigo o diferencial? Esperemos a excelente orquestra fazer o solo da primeira parte do “diálogo” e aí então, vamos ouvir de novo com atenção a finalização…

Eu sou um moço velho
Que já viveu muito
Que já sofreu tudo
E já morreu cedo

Eu sou um velho moço
Que não viveu cedo
Que não sofreu muito
Mas não morreu tudo

Eu sou alguém livre
Não sou escravo e nunca fui senhor
Eu simplesmente sou um homem
Que ainda crê no amor

Vocês perceberam agora porque, “me achando” um  VELHO MOÇO, eu…

SINTO-ME LIBERTO.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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