SENTI UMA BRISA…

Quarta-feira, 17 de junho de 2020. Quis saber o que o Google, informa quando se digita o meu nome. No meio de um monte de outras informações descubro que, em determinado dia próximo ao Natal de 2011, alguém fez uma postagem referindo-se a mim. Tratava-se de Brisa Teixeira, jornalista, mestre em Educação. Sabem, no sufoco de uma crise de pandemia, finalmente SENTI UMA BRISA.
 Solte o som e, vamos apreciar a matéria:

Na tarde do dia 15 de dezembro, fui cobrir a ação social do Grupo Expoente, no Recanto Tarumã, instituição que abriga 103 vovôs, a maioria ex-moradores de rua. Neste dia, fomos entregar os presentes que eles mesmos pediram na árvore de Natal do Business Tower, prédio comercial em que fica a nossa administração. Entre os inúmeros pedidos de radinhos de pilha, relógios de pulso, entre outros, um dos vovôs queria ganhar um pen drive.
No mínimo, um pedido curioso, levando em conta o perfil dos idosos que moram no Recanto Tarumã. Fui conhecer o autor deste pedido e me surpreendi com a sua paixão pela tecnologia e pela maneira de encarar o processo de envelhecer. Jurandyr Mendes Monçores, 75 anos, pediu um pen drive porque ele precisava de mais espaço para gravar os vídeos que ele filma, nos seus momentos de lazer, no Recanto.
Natal 2011No seu quarto, uma tela de 32 polegadas surpreende e é ali que ele passa a maior parte do seu tempo editando vídeos, postando mensagens nas redes sociais, escrevendo no seu blog e conversando pelo MSN e Skype com seus familiares, entre eles um filho que mora no Texas. Jurandyr é analista de sistemas aposentado.
Trabalhou em grandes empresas, numa época em que a tecnologia era um processo bem mais difícil de ser manejado e “tudo sem auxilio da bendita Internet”, como disse Jurandyr em um de seus posts no blog.
“Quando embarquei para Curitiba, há 25 anos, e coloquei minha genialidade a serviço de clientes daqui do Sul do país. Caramba!  “O bicho pegava”… Pouca gente cria que os PCs, aqueles pequenos e estranhos engenhos poderiam substituir a contento suas tradicionalíssimas  calculadoras, máquinas de lançamentos contábeis, de  datilografia, telex e é claro, o telefone. (…) A medida que eu fui conseguindo, ainda assim, resolver problemas… tornei-me insuportável, “me achando” e parti para o “sai da frente que eu quero passar”.

Nada e ninguém poderia ser mais importante para mim. Eu era “o cara””. Outro fato curioso é a opção de Jurandyr em morar no Recanto. Em seu blog, ele explica: “Morar sozinho tendo um computador, uma pequena geladeira, um forno micro ondas, fogão e setenta e alguns anos de idade torna-se absurdamente perigoso nos momentos de violência em que vivemos. (…) Morar sozinho e não ter chances de contar as mesmas velhas piadas a pessoas diferentes, podem crer… adoece”.
Em outro momento ele conta como é viver no Recanto: “O Lar dos Idosos é dez. Moram aqui alguns velhotes meio chatos e destrambelhados,como eu próprio; alguns outros dementados; alguns mais pretensiosos achando-se a última bolacha do pacote; tem quem reclame o tempo todo, praticando a velhice doentia e tem o João Paulino, tetraplégico, totalmente dependente dos cuidados e atenções de outrem, para TODAS as necessidades  básicas”.
“Se não for traído pela minha capacidade de contabilizar dias a partir de datas estabelecidas, vou garantir que fazem hoje 87 dias que não publico, absolutamente nada, neste meu blog. Será que têm me faltado tempo? A inspiração decidiu me abandonar? Vem existindo carência de fatos e acontecimentos notáveis, dignos de menção por parte de um idoso indolente? Não, não e não. Tempo não falta a um cidadão 100% assistido pela estrutura e pessoas de uma instituição modelo como esta onde moro sem precisar incansavelmente “correr atrás” de minhas necessidades básicas e vitais”.
Desejo aos leitores do meu blog um Feliz Natal inspirado na figura desse vovô simpático, que nos ensina que o processo de envelhecer pode ser menos dolorido e um tanto quanto divertido.
Brisa Teixeira

Com o ego inflado por esta lembrança eu, Jurandyr Monçores,  quase nove anos depois,  agora com 83 anos e, cadeirante, quedo-me por aqui, …

SENTINDO A BRISA.

Esse post foi publicado em CRÕNICAS DE UM IDOSO. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s