Fim de leitura…

Esta madrugada dei por encerrada minha mais recente leitura: Trata-se da obra de um filósofo das antigas. (Meditações – A Mim Mesmo, apresenta as anotações pessoais do Imperador Marco Aurélio (121-180) a respeito do Estoicismo, que surgiu aproximadamente 300 anos antes de Cristo.)

Extraio agora dois dos últimos trechos dos que tenho entregue às minhas reflexões:

marco aurélio“Procuras desde já tudo aquilo que anelas atingir por um rodeio, se não quiseres mal a ti mesmo; quero dizer: se puseres vendas ao passado, se entregares o futuro à Providência e orientares o presente unicamente no sentido da piedade e da justiça; da piedade, para amares o teu quinhão, pois a natureza o destinava para ti e te destinava para ele; de justiça, para dizeres a verdade livremente, sem circunlóquios, e obrares segundo o mérito.
Que não te empeçam a maldade, a opinião e a palavra alheias, nem as sensações do bocado de carne crescido em torno de ti; se lhe dói, isso é com ele.
Se, pois, quando for o momento de partires, deres atenção apenas a teu guia e ao que há de divino em ti, deixando para trás tudo mais; se o que temos não é um dia e sim não começar nunca a viver segundo tua natureza, serás um homem digno do mundo que te gerou, deixarás de ser um estrangeiro em tua pátria, de estranhar como inesperados os acontecimentos de cada dia e de depender disto e daquilo.”

“Homem, foste cidadão nesta grande cidade. Que te importa se foi por cinco anos? O que é conforme as leis é igual para todos. Que há de estranho em seres despedido da cidade não por um tirano, nem por um juiz iníquo, mas pela natureza que nela te fez entrar? É como se o pretor despedisse do teatro o comediante por ele contratado. — Porém, não representei os cinco atos, mas apenas três! — Disseste bem; na vida, os três atos completam o drama. Quem fixa o final é o mesmo que foi, outrora, autor da composição e é, agora, o da dissolução; tu não és o autor desta nem daquela. Sê, pois, caroável ao partires, porque caroável também é quem te despede.”

Perdoem-me, faz parte do meu quotidiano de agora… comentar um…

Fim de leitura.